3.10.12

AS SETE VERDADES DO BAMBÚ

Depois de uma grande tempestade, o menino que estava passando férias na casa do seu avô, o chamou para a varanda e falou:
Vovô corre aqui! Me explica como essa figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para balançar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva... este bambu é tão fraco e continua de pé?
Filho, o bambu permanece em pé por
que teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis enfrentar o vento. O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração.
A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o princípio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor.
Segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.
Terceira verdade: Você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasça outros a seu lado (como no cooperativismo). Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos, para que desse modo se livrem dos predadores.
A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em moita, comunidade, o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar, é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.
A quinta verdade é que o bambu é cheio de nós ( e não de eus ). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos. Os nós são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles.
A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo.
Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é exatamente o título do livro: ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do Alto.

Essa é a sua meta.

LIVRO - BUSCANDO COISAS DO ALTO

10.000 ACESSOS - AGRADECIMENTO E COMEMORAÇÃO



Hoje o blog atingiu a marca de 10.000 acessos.
Ele nasceu de uma necessidade particular interior de divulgar a MINHA AMADA UMBANDA, sem preconceitos e sem fanatismo religioso, ensinamento recebido do Iluminado Pai João de Benguela.
O número 10 tem um significado especial, inclusive bíblico, e a marca foi atingida também num dia especial - 03 de outubro é data de nascimento de Allan Kardec e de passagem para o mundo espiritual do Sr. Zélio de Fernandino de Moraes - o que isso implica não sei exatamente, só sei que me acalenta o ânimo para prosseguir com essa missão.
Em pouco mais de dois anos, foram 194 postagens, e as duas postagens mais acessadas foram: Templo de Pai João de Benguela – Regimento Interno e Pai João de Benguela e a Maçonaria Mística Oriental.
Agradeço a todos que acessaram o blog, com a certeza de que, de alguma maneira,  tenha conseguido auxiliar no desenvolvimento espiritual dos irmãos, assim como tem me auxiliado a entender cada vez mais a espiritualidade.
Agradeço ao meu bom e velho Vô Juvêncio e ao Caboclo Korumbatai que me conduzem para que eu possa levar adiante as mensagens que Eles colocam no meu caminho e principalmente ao MEU MESTRE MAIOR PAI JOÃO DE BENGUELA.
Que Pai Oxalá nos ilumine a todos.


1.10.12

SOPHIA



Chego a pensar que, por certo, Deus não é mais lúcido do que uma mãe cuidando de seus filhos, dos rituais da cozinha, da colheita abundante e do ajuntamento de uma família em paz. Os homens insensatos olham para o céu, minha Sophia, quando é para baixo, ao redor de nós, sim, para as nossas mulheres, que deveríamos olhar. Quão bem hão embalado o Amor, pelos séculos, enquanto nós, homens, temos agido com fúria em línguas estranhas a Deus, perseguido uns aos outros com amontoado de varas, atirado pedras no silêncio da noite.

Evangelho de Matias – Gospel – O Evangelho Perdido. 

20.9.12

FILHOS DOS HOMENS – FILHOS DE DEUS



                 Os filhos dos homens acreditam que alguém de fato pode ser “grande” ou “pequeno”. Já os que pertencem à nossa estirpe – os Filhos de Deus – mantêm a consciência espiritual quando encarnam num corpo. Nunca se esquecem de que apenas o corpo pode ser “uma criança” ou “um adulto”; o espírito é e permanece sempre o mesmo. Ele não é nem “grande” nem “pequeno”, nem “jovem”, nem “velho”, pois o espírito não pertence ao mundo do tempo e do espaço! Portanto a ligação com meu pai nunca foi perturbada pelo fato de termos idades diferente, nem pelo fato de nos vermos raramente. Certa vez eu disse a ele:
“Pai, algum dia também quero saber tudo isso, como você”.
“Quando você for iniciada”, respondeu então ele, “terá consciência de todos os segredos do céu e da terra.”

INICIAÇÃO – ELISABETH HAICH

18.9.12


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Afinal, o que é um Exú? Eu digo o que penso sobre isso!


No dia 11/09/2012 último, às 17h46, postei uma resposta ao texto publicado no site Em Defesa da Umbanda, Afinal, o que é um Exú?. Texto adaptado, pelo que subentendi pelo Movimento Juventude Umbandista, de considerações ou afirmações do escritor umbandista Alexandre Cumino.

Bem, já se passaram mais de 48 horas e a postagem feita ainda aguarda moderação... TALVEZ seja a correria própria destas eleições, TALVEZ seja algum motivo de força maior que tenha impedido a pessoa responsável pela moderação dos comentários a verificar existência do mesmo, TALVEZ meus comentários não estejam ao gosto da platéia ou público alvo.

De todo modo e ainda no sentido de colaborar, publico aqui no próprio quintal, afinal de contas "Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer NÃO, eu canto!"

Texto original pode ser lido aqui;

Afinal o que é um Exú?

Seguem as minhas considerações em azul;

Edenilson Francisco:
Seu comentário está aguardando moderação.
11 de setembro de 2012 às 17:46

Abraços Fraternos!

“Exú é o responsável e grande mestre dos caminhos; o que permite a passagem do inicio de tudo.”

E assim vai se cristalizando nas mentes a aposentadoria de Ogum, o verdadeiro Senhor dos Caminhos ou de São Jorge, o General da Umbanda.

“Exu é a força natural viva que formenta o crescimento. É o primeiro passo em tudo. ”

Aqui aposenta-se ou diríamos destrona-se o próprio Criador.

“Exú na Umbanda não é cúmplice do erro alheio.”

De qual tipo de espírito humano em regeneração encontrado na Falange Exu se está falando? Ou será que estão tentando “vender” o conceito de que TODO Exu é assim tão cheio de escrúpulos?

“Exu na Umbanda é LEI, é LUZ, é VIDA… ”

Senhor, o que estão fazendo para dourar a pílula?!?!?! 1º dizem que Exu É Lei depois no parágrafo seguinte dizem que VEM NA LEI, ou seja, é o juiz, o executor e a fonte da própria!!! Depois ficam bravos se lhes é apontado a pecha de Exumaníacos!.

“Exu sempre vem na Lei, quando tem já a liberdade de dar consulta e orientar.”

Será que são meus olhos ou o parágrafo é a prova de incoerência do que foi dito antes? SE vem NA Lei, óbvio ululante está que o faz como serviçal desta, cumprindo ou fazendo cumprir, OBEDECENDO determinação de um Poder Maior, portanto é incoerente dizer que Exu É a Lei.

Ainda, se o faz quando JÁ TEM A LIBERDADE de, significa dizer que até esta permissão o que será que este ser de Luz fazia? Vagalumeava por aí na firme esperança de reconhecerem sua augusta luminosidade? Ora, é óbvio ululante 2 que antes disso o mesmo, EM SUA GRANDE MAIORIA, sequer fazia questão de se aproximar ou estar entre os que reconheciam a necessidade de regeneração, ESTÁ-SE FALANDO EM ESPÍRITOS HUMANOS AQUI NÃO DE ORIXÁS. Ou ainda lembrando as palavras do Sr. Zélio de Moraes; “Depois de despertado, porque o Exú é um espírito admitido nas trevas, depois de despertado, que ele dá um passo no caminho da regeneração é fácil ele trabalhar em benefício dos outros. Assim eu acredito no trabalho do Exú.”

“Exú não é demônio, “tinhoso”, “coisa ruim”, “trevoso” e outras mentiras que se inventam.”

Igualmente não é A LEI, LUZ, VIDA e outro epítetos que inventam para dourar teologias. Exu é um espírito humano, podendo ser tbm elemental, denso, em regeneração desde que se enquadre no direcionamento já citado nas palavras do Sr. Zélio de Moraes.

“Assim como nós, o Exú é o espelho espelho de nós mesmos, se eu conheço minha sombra, se eu conheço minhas trevas, se eu conheço meu ego, se eu conheço meus vícios, se eu conheço minhas paixões e me proponho a trabalhar sentimentos, pensamentos, palavras e atos então este conhecimento me torna forte.”

Ora se a questão então é SE ESPELHAR, prq não fazê-lo com Caboclo e Preto Velho que igualmente passaram pelos vícios, paixões e trevas interiores da própria alma e justamente por estarem em posições SUPERIORES E LEGÍTIMAS como Organizadores da Umbanda, podem nos oferecer suportes, lições e apontamentos já muito mais depurados?

A resposta me parece clara, espelhar-se em Exu seria o mesmo que identificar-se com alguém perseguido, maltratado, incompreendido, marginalizado TAL E QUAL se gosta muito de entoar o mantra dos umbandistas. Caboclo e Preto Velho não servem para tal espelho, pois indicam atitudes que incitam a superação, depuramento das próprias faltas, não identificação, que pode levar muito mais a afinidade e conformação, e aí é quem entra o gostinho do tal poder…

Aposentaram Ogum, o próprio Criador, estão prá aposentar Xangô, Caboclos e Pretos Velhos, a pergunta que não cala; Quando vão assumir de vez que não se chama mais Umbanda esta nova velha religião que ressuscitaram?


Como disse um Querido Amigo; "Já estou vendo a hora em que Pretos e Índios vão ser apenas "personagens do passado" nesses terreiros de cultos a "orixás" e "exus"."

Paz e Luz! Mas Luz mesmo!


29.8.12

SEMENTES DE LUZ



                 Quer no infinitamente grande como no infinitamente pequeno vibram todas as expressões da vida, imersas na luz de uma potência divina e na tremenda obscuridade de ignotas e incognoscíveis manifestações. Elas permeiam espaços imensos e mínimos, ambos impenetráveis e imponderáveis por suas dimensões à indagação humana.
***
                O ser tem origem no infinito, sustentado na matéria, onde cria e realiza o ciclo kármico, para retornar depois ao infinito.
                A vida material, para o ser, é realidade concreta mas efêmera na variedade das formas.
                O infinito é a realidade abstrata mas eterna.
***
                Tarefa do espírito é adquirir no trabalho da matéria as expressões de sabedoria, com a educação da sensibilidade e o desenvolvimento da virtude que é o estimulo de todas as grandezas da centelha divina.
***
                Não é o corpo que sofre ou goza sob o estímulo da alegria ou da dor, porque ele é apenas matéria inerte. É o espírito que, de acordo com a sua sensibilidade, percebe mais ou menos intensamente a repercussão do estímulo.
                Se fosse a matéria que experimentasse tais sensações, ela as sentiria sempre: mesmo no estágio de formação antes do nascimento e no de decomposição depois da morte. E nesse caso, qual seria o tormento do corpo ao sentir-se desagregar, instante por instante, molécula por molécula, na decomposição total das suas substâncias.
***
                Que é o corpo ?
                Uma realidade concreta que se tornará abstrata.
                Que é o espírito ?
                Um nada abstrato que é uma realidade concreta.
***
                O infinito é o símbolo abstrato da eternidade do espaço real e concreto.
                Os astros são as centelhas absurdamente concretas de uma abstrata e fugidia vida.

                Em cada expressão da vida poderás encontrar oculta a semente da felicidade; mesmo na dor, se nela procurares o sentido do divino superamento.
***
                O que faz o homem sofrer é o medo da dor, a angústia de perder o que ama e receber o que não deseja.
                Não é o Sol que amadurece os frutos, mas a água, isto é, a tempestade.
                O Sol os secaria se a água não alimentasse a linfa.
                A vida é o sonho do espírito, no qual ele vive a mais absurda experiência.
***
                O homem é senhor apenas do presente porque o passado não mais lhe pertence e o futuro lhe é desconhecido.
                Mas é no fugidio instante daquele presente que ele recolhe os frutos do passado e lança a semente para o futuro.
***
                O mal não é uma força contrária a Deus mas um peso na balança do Karma humana.
***
                O Karma da vida é a cruz do espírito. A consciência de carregá-la é a síntese da elevação.
***
                Infinito no tempo e no espaço é o destino dos homens. A sabedoria humana pode aconselhar o caminho mais breve para conseguir a evolução divina.
                O espírito, pólen radioso da vida, é a essência prodigiosa do eterno existir, a energia inefável da criação que tira do contraste da vida a razão da sua vitória.
                Na sua divina realidade ele é o triunfador da morte, porque é a semente imperecível do eterno renascimento.
***
                Ambicionar o triunfo humano é ambicionar a posse de cousas efêmeras, é constranger a mente e o coração a nutrir-se de ideias e de paixões elementares.
                É pecaminoso conclamar fantasias de progresso se estas fantasias são destinadas a suscitar, nas multidões inconscientes, paixões de ódio e miragens de bens contra a natureza e contra a moral.
                As ideias de progresso são como o tóxico que é benéfico ou maléfico segundo a mistura e as circunstâncias em que é usado.
                O progresso, todavia, é sempre eficazmente servido pelo ato humano da piedade espontânea, mais do que pelo declamatório gesticular do heroísmo inspirado por interesses das partes. A humildade e a piedade, em qualquer circunstancia, são sempre garantia de verdadeira grandeza, porque são a expressão do espírito libertado.
***
                Afrontar a luta da vida é um grande esforço; imenso é o superá-la objetivando um ideal.
                O primeiro é a missão do espírito na matéria; o segundo é a missão do espírito na obra divina.
                Os vícios se opõem às virtudes que brotam no espírito. A vitória das virtudes, resultante do choque de sentimentos às vezes violento como um furacão, não é senão momentânea, mesmo quando represente um superamento.
***
                Apoteose, suprema conquista de perfeições humanas, não pode ser alcançada senão quando no ser se contrastam ideias e se combatem lutas.
                Viver é muito mais difícil que morrer, como criar é muito mais árduo que destruir.
                Para viver é necessário harmonizar com tudo as próprias ações, se não quiser incorrer em uma vida de tormento nas trevas da incompreensão. 
***
                Na vida tem mais valor dar do que receber; contudo, quer no dar ou no receber é necessário manter o justo equilíbrio para não criar desarmonia.
                Quem aceita a orientação daquele que julga mais forte e mais iluminado do que ele não amesquinha a própria personalidade, mas ao contrário a exalta fazendo próprias as virtudes de outrem.
                A verdade não tem necessidade de sutilezas e de estetismos dialéticos.
                Unicamente os desassisados consideram essencial ao seu vão falar a árida linguagem do sofisma.
                A verdade se exprime com a simplicidade dos meios com que se manifestam as leis naturais, e desabrocha como intuição no espírito despido de todo egoísmo.
***
                A árida ascensão que o espírito percorre pelos caminhos da bondade e da virtude, embora sendo uma titânica fadiga, dá, com o sacrifício, a alegria de atingir o cume da sabedoria.
                A bondade é a virtude que mais exprime a natureza divina no homem.
                Cada qual acredita possuí-la no coração mas bem poucos a professam.
                Ela é, por excelência, a virtude do sacrifício e da renúncia em proveito de outrem.
                A verdadeira bondade é como a violeta que desabrocha na alma humana sem ostentação mas com a segura consciência do dever a cumprir no silêncio austero da própria dignidade.
***
                Para ter é necessário dar; para merecer é necessário sofrer.
                O sofrimento é o alimento da alma quando se possui a força de transmudar em alegria a dor.
                Somente na paz da consciência, não mais atormentada pelas tempestades da vida, o espírito divisa a luz da sabedoria.
***
                O amor é o poema que Deus doa aos puros espíritos.
***
                O homem grava com as suas obras o próprio destino humano; e o divino com as suas ações.
***
                É ùnicamente força de justiça a que nos impele a sofrer a luta do Bem e do Mal para oferecer-nos a possibilidade de evoluir, dando-nos com a vida o ligame que une, com as suas fases alternadas, o mundo terreno e o sobrehumano.
                Oferecei a todos o pão do vosso amor, porque somente assim podereis dominar homens e acontecimentos.
                Não é com o temor nem com a imposição que Deus impera no infinito.
***
                Mostrar-se humilde diante dos humildes significa haver atingido o máximo da grandeza.
***
                O orgulho é o sentimento mais difícil de interpretar.
                Orgulho é o sentimento de quem, julgando-se superior, cobiça dominar.
                Mas orgulho é também a satisfação de haver realizado uma boa ação, de haver levado a termo uma árdua tarefa, de haver superado uma dura prova.
                São Francisco era orgulhoso da sua humildade e dos sofrimentos suportados com perfeita alegria. São Paulo era orgulhoso unicamente da Cruz de Cristo que ele apregoava aos povos.
***
                Na eternidade dos séculos a vida é um sorvo amargo para o espírito que sabe não estar comprimido, um voo de luz para quem ama e persegue um ideal excelso que o exalta acima da felicidade humana.
***
                O ritmo da vida mede a respiração do tempo; o sopro do espírito representa a fôrça de Deus.
                Um e outro assumem, em suas fases, a crise da morte, a sublimação da dor e a apoteose do sêr.
***
                Judas não traiu Cristo e o homem não O crucificou, porque Êle, sendo o Filho de Deus, não podia ser nem traído nem crucificado.
***
                A fé é a luz de cada religião, a vida do espírito, o bálsamo de cada mal e o conforto de cada dor.
***
                O que representam a eternidade e a infinidade ?
                A eternidade é o infinito do tempo; a infinidade é a eternidade do espaço.
***
                O corpo e o espírito podem ser concebidos como dois ciclos diversos: um, ciclo-espaço; o outro, ciclo-eterno.
***
                O conceito de infinito encerra uma multiplicidade de espaços que, por sua vez, medem o eterno.
                A vida é um tecido de alegrias e de dores.
                A alegria é o sol da existência; a dor a sua sombra.
                Para elevar-se é necessário estabelecer uma harmonia, superando a dor, e encontrar também nela a alegria.
***
                Se fixasse o teu olhar no sol, na luz, a sombra por lei humana e divina ficará atrás de ti.
                Se colocares a sombra das tuas penas e das tuas dores atrás de ti superando-as, olhando à tua frente verás somente a luz, a alegria e a felicidade.
***
                Ninguém pode dizer ao bicho da seda que não seja uma borboleta. Todos os homens são criaturas de Deus e, como o bicho, susceptíveis de evolução.
                O universo não é senão um complexo de energias espirituais, uma parte infinitesimal do todo no qual inúmeros astros constituem outras tantas etapas da evolução do espírito.
***
                As obras imortais ficam no tempo para testemunhar as etapas da civilização e o gênio dos homens; a fé e a vontade são as grandes obras que esculpem o destino universal.
***
                A Grande Lei decreta: das ruínas da morte, Deus cria novas formas e plasma a vida; da tempestade da vida cria a morte e plasma a consciência.
***
                Eu te abençoo e te digo: vai, a estrada da felicidade é sòmente dos fortes e dos voluntariosos prontos a tirar conforto mesmo da dor que, ao longo da estrada do destino, provarão ao deixar os farrapos da sua alma aderentes às sarças da vida.

Ergos

               




               
               


               



25.8.12

DIVERSIDADE ENTRE OS HOMENS



 Verás que os males que devoram os homens
São frutos escolhidos por infelizes
Que procuram os bens que eles têm consigo.

Em vez de enfraquecer o sentimento de fraternidade e solidariedade humanas, essa doutrina fortifica-o. Há entre os homens uma diversidade proveniente da essência primitiva dos indivíduos. Uma outra diversidade provém do grau de evolução que eles atingiram. Assim, os homens podem situar-se em quatro classes, que compreendem todas as subdivisões e todas as nuances.
1.       Na maioria dos homens, a vontade age sobretudo no corpo. São os instintivos. Prestam-se não somente aos trabalhos corporais mas ainda ao exercício e ao desenvolvimento da inteligência no mundo físico, por conseguinte servindo para o comércio e para a indústria.
2.       No segundo grau do desenvolvimento humano, a vontade e, consequentemente, a consciência reside na alma, ou seja, na sensibilidade reativada pela inteligência, que constitui o entendimento. São os anímicos ou os passionais. Segundo o temperamento, serão guerreiros, artistas ou poetas. A grande maioria dos literatos e dos cientistas são desta espécie. Vivem pelas ideias relativas, modificadas pelas paixões ou circunscritas em um horizonte limitado, sem se elevarem até à Ideia pura e à Universalidade.
3.       Em uma terceira classe de homens, muito mais raros, a vontade age, principalmente, soberanamente, no intelecto puro. Trata de desligar a inteligência da tirania das paixões e dos limites da matéria, o que confere a todas as suas concepções, um caráter de universalidade. São os intelectuais. Esses homens dão os heróis mártires da pátria, os poetas de primeira ordem, os verdadeiros filósofos, os sábios, aqueles que, segundo Pitágoras e Platão, deveriam governar a humanidade. Neles, a paixão não se extinguiu, pois sem ela nada se faz. No mundo, a paixão é como o fogo e a eletricidade. Mas nele, a paixão torna-se a serva da inteligência. Na categoria anterior, a inteligência é, na maioria das vezes, serva das paixões.
4.       O mais alto ideal humano é realizado por uma quarta classe de homens. Neles, a realeza da inteligência sobre a alma e sobre o instinto foi acrescentado da realeza da vontade sobre todo o ser. Pelo domínio e pela posse de todas as demais faculdades, eles exercem o grande poderio. Realizaram a unidade na trindade humana. Graças a esta concentração maravilhosa, que reúne todas as potencialidades da vida, a vontade deles, projetando-se nos outros, adquire força quase ilimitada, uma magia irradiante e criadora. Na história, esses homens receberam diversos nomes. São os homens primordiais, os adeptos, os grandes iniciados, gênios sublimes, que se podem contar no decurso da história. A Providência semeia-os no tempo, com longos intervalos, como os astros no firmamento.
É evidente que esta última categoria escapa a qualquer regra, a qualquer classificação. É apenas exterior, inorgânica à constituição da sociedade que não considera as três categorias, não proporcionando a cada uma delas sua função normal e os meios necessários ao seu desenvolvimento.

- Esta classificação corresponde aos quatro graus da iniciação pitagórica. Ela fundamenta todas as iniciações, inclusive a dos primitivos maçons. Estes possuíam alguns rudimentos da doutrina esotérica.