13.8.12

O VERDADEIRO UMBANDISTA



O VERDADEIRO UMBANDISTA É UNIVERSALISTA, NÃO NO SENTIDO DE FAZER UMA “GRANDE MISTURA”, MAS NO SENTIDO DE ENTENDER AS MISTURAS E OS VÁRIOS ENTENDIMENTOS QUE SE ENCONTRAM DENTRO DELAS. ASSIM, QUANTO MAIS DISSERMOS QUE SOMOS RELIGIOSOS, MENOS NOS ENCONTRAREMOS PRÓXIMOS DA VERDADE, E SIM CADA VEZ MAIS DISTANTE DELA.
O VERDADEIRO UMBANDISTA NÃO É SÓ RELIGIOSO, É LIGADO ÀS FILOSOFIAS, ÀS CIÊNCIAS E ÀS ARTES, E ANTES DE SER UMBANDISTA É UM “CIDADÃO”. SEPARA O JOIO DO TRIGO, E MESMO ASSIM COM CRITÉRIOS.

10.8.12

O SACERDOTE DE UMBANDA E O SACERDÓCIO UMBANDISTA

O Sacerdote de Umbanda e o Sacerdócio Umbandista

Por Rubens Saraceni
Observando a forma como surgem os centros de Umbanda e conversando com muitas pessoas que dirigem seus centros, cheguei a algumas conclusões aqui expostas e que, espero, não despertem reações negativas mas sim levem todos à reflexão. Só isto é o que desejo, e nada mais.
Todos os dirigentes com os quais conversei foram unânimes e
m vários pontos:
a) foram solicitados pelos seus guias espirituais para que abrissem suas casas.
b) todos relutaram em assumir responsabilidade tão grande.
c) todos, de início, se sentiam inseguros e não se achavam preparados para tanto.
d) todos só assumiram missão tão espinhosa após seus guias afiançarem-lhes que tinham essa missão e que teriam todo o apoio do astral para levá-la adiante e ajudarem muitas pessoas.
e) todos sentiam então que lhes faltava uma preparação adequada para poderem fazer um bom trabalho como dirigente espiritual.
f) todos confiavam nos seus guias espirituais e no magnífico trabalho que eles realizavam em benefício das pessoas.
g) todos, sem exceção, só levaram adiante tal missão porque acreditaram nos seus guias.
h) todos se sentem gratos aos seus guias por tê-los instruído quando pouco ou quase nada sabiam sobre tantas coisas que compõem o exercício da mediunidade e sobre sua missão de dirigir uma tenda de Umbanda.
i) mas todos ainda acham que há algo a ser aprendido e acrescentado ao seu trabalho, mesmo já tendo muitos anos de atividade como dirigente e de já haver formado médiuns que hoje também já montaram e dirigem suas próprias casas.
j) e todos acreditam que sempre é tempo de aprenderem um pouco mais e não têm vergonha de ouvir o que outros dirigentes têm a dizer.
Bem, só com essas observações acima já temos um retrato fiel dos dirigentes umbandistas, e posso afirmar com convicção algumas conclusões a que cheguei:
a) na Umbanda o sacerdócio é uma missão.
b) o sacerdote de Umbanda (a pessoa que deve dirigir um centro e comandar os trabalhos espirituais) não é feito por ninguém; ele já traz desde seu nascimento essa missão.
c) o sacerdote de Umbanda invariavelmente é escolhido pela espiritualidade.
d) só consegue dirigir uma tenda quem traz essa missão pois esta também é dos guias espirituais.
e) mesmo não se sentindo preparado para tão digno trabalho, no entanto, a maioria crê nos seus guias e leva adiante sua incumbência.
f) mesmo não sabendo muito sobre como dirigir uma tenda os guias suprem essa nossa deficiência e vão nos ensinando coisas muito práticas que, com o passar dos anos, se tornam um riquíssimo aprendizado.
g) todos gostariam de se preparar melhor para o exercício sacerdotal, ainda que já sejam ótimos dirigentes espirituais.
h) todos lêem muito sobre a Umbanda e procuram nas leituras informações que os auxiliem no seu sacerdócio.
i) muitos fazem vários cursos holísticos para expandirem seus horizontes e a compreensão do que lhe foi reservado pela espiritualidade.
j) todos gostariam de ter alguém (uma escola, uma federação, uma pessoa) que pudesse responder certas dúvidas que vão surgindo no decorrer do exercício da sua missão.
Bem, o que deduzi é que ninguém faz um dirigente espiritual porque só o é ou só o será quem receber essa missão dos seus guias espirituais.
Mas, se assim é na Umbanda, no entanto o exercício do sacerdócio pode ser organizado, graduado e direcionado por uma “escola”, e isto facilita muito porque traz confiança e orientações fundamentais ao dirigente espiritual.
Devíamos ter na Umbanda mais escolas preparatórias tradicionais que auxiliassem as pessoas que trazem essa missão, tornando mais fácil as coisas para elas.
E, lamentavelmente, além de só termos alguns cursos voltados para esse campo, ainda assim quem ousou montá-los é injustamente acusado de charlatão, embusteiro, aproveitador e outros termos pejorativos.
Eu mesmo, só porque montei um “colégio” sob orientação espiritual e só porque psicografei algumas dezenas de livros de Umbanda (muitos ainda não publicados) já sofri todo tipo de discriminação, de calúnia, de ofensas e de acusações que espero que cessem, pois os umbandistas acabarão por entender que todas as religiões têm escolas preparatórias dos seus sacerdotes.
Só assim, com todos aprendendo as mesmas diretrizes e doutrina umbandista, a nossa religião conseguirá organizar-se e expurgar do seu meio os espertalhões que têm feito coisas condenáveis e cujos atos têm refletido negativamente sobre o trabalho sério de todos os verdadeiros umbandistas.

O texto acima faz parte do livro Tratado Geral de Umbanda / Rubens Saraceni / Ed. Madras e foi publicado na edição de Julho do Jornal de Umbanda Sagrada
Alexandre Cumino Medium
Marina Beatriz Nagel

ESPIRITUALIDADE - ORGULHO - VAIDADE

Um assento ao fundo da Coluna do Norte

Só me lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui?

O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?

Caminhava sem rumo. Pessoas desconhecidas passavam por mim. Contudo, não tinha coragem da aborda-las. Mas espere, que grupo seria aquele unido e de terno preto? Lógico ! Não estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia é tão comum pessoas irem ao velório com roupa preta.

É claro, são Irmãos. Aproximei-me do grupo.

Ao me verem chegar interromperam a conversa. Discretamente executei o Sinal de Aprendiz, obtendo de imediato a resposta. Identifiquei-me. Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo.

Respondera-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado. Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?

- Estão bem não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.

Ainda assustado, indaguei os motivos de suas vestes.

- Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Maçônico, foi a resposta.

- Templo Maçônico, vocês tem um?

- Sim , claro.

Por que não?

Senti-me mais à vontade, afinal de contas sou um Grande Inspetor Geral da Ordem e com certeza receberei as honras devidas ao meu elevado Grau. Pedi para acompanha-los, no que fui atendido.

Ao fim da pequena caminhada, divisei o templo. Confesso que fiquei abismado. Sua imponência era enorme. As Colunas do pórtico, majestosas. Nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos. Caminhamos em silêncio. Ao chegar ao salão de entrada verifiquei grupo de Irmãos conversando animadamente, porém em tom respeitoso.

O que parecia o Líder do grupo que acompanhava chamou a um Irmão que estava adiante.

- Irmão Experto: Acompanhai o Irmão recém-chegado e com ele aguarde.

Não entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção mais calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para o grau 33 não se poderia esperar nada diferente. Verifiquei que os Irmãos formavam o corteja para a entrada ao Templo. A distância, não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos.

Adentraram silenciosamente no Templo.

Comigo ficou o Irmão Experto. De tanta emoção não conseguia dizer nada. O Tempo passou ....... não pude medir quanto. A porta do

Templo se entreabriu e o Irmão M.:.C.: encaminhando-se a mim comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendasnão estavam desleixadas e caminhei com ele. Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância?

Respirei fundo e adentrei ritualisticamente ao Templo. Estranho ...... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riquezas.

Verifiquei rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. Uma luz brilhante, vindo não sei de onde iluminava o ambiente.

Cumprimentei o Venerável Mestre e os Vigilantes na forma do ritual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados e respeitosos. Não sabia o que fazer... Aguardava ordens .... e elas

vinham na voz firme do Venerável:

- S.:M..:?

Reconhecendo a necessidade do Telhamento em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo:

- M..: I.:.C.:T.:M.:R.:

Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.:.M.:. dirigindo-se aos presentes, perguntou?

- Os Irmãos aqui presentes, o reconhecem como Maçom?

Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? - O silêncio foi total. E dirigindo-se à mim, o Venerável emendou :

- Mas caro Irmão visitante, os Irmãos aqui presentes não o reconheceram como Maçom.

- Como não! Disse eu.

- Não vêem minhas insígnias? Não verificaram meus documentos e comendas?

- Sim caro Irmão, retrucou o Venerável. Contudo não basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas, insígnias e comendas. Para ser

Maçom é preciso antes de tudo, ter construído o seu Templo Interior, mas verificamos que tal não ocorreu com o Irmão. Observamos ainda que, apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter o maior dos Graus, não absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi efêmera.

- Como efêmera? Vocês que tudo sabem são observaram minhas atitudes fraternas?

Fui interrompido.

- Irmãos, vejamos então sua defesa.

Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e na imagem reconheci-me junto a um grupo de irmãos tecendo comentários desrespeitosos contra a Administração de minha Loja. Era verdade. Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos.

Lembrei-me então de minhas ações beneficentes, indaguei-os sobre tal. Mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tronco de Beneficência. Era fato, costumeiramente, o fazia por achar que o óbolo não seria bem usado. Por não ter o que argumentar, calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me aos olhos. Decidi a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e ao mesmo tempo fraterna do Venerável:

- Meu Irmão. Reconhecemos suas falhas, quando o orbe terrestre e na Maçonaria. Contudo, reconhecemos também, que o Irmão foi iniciado em nossos Augustos Mistérios. Prometemos em suas iniciações protege-lo e o faremos. O Irmão terá a oportunidade de consertar seus erros, afinal todos nós aqui presentes já cometemos um dia. Descanse neste Plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria para novas experiências, nós o encaminharemos novamente para a Ordem Maçônica, sua nova caminhada com certeza será mais promissora e útil.

Saí decepcionado, mas estranhamente aliviado. Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza ali eu desbastara um pedaço de minha pedra Bruta. Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração disparado. Levantei-me assustado mas com certa alegria no peito. Havia sonhado?? Dirigi-me ao guarda-roupa.

Meu terno ali estava. Instintivamente retirei do meu paletó as
medalhas, insígnias e comendas, guardando-as numa caixa.


Ainda emocionado e com os olhos molhados de lágrimas dirigi-me à minha mesa, com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria envolvente retirei o Ritual de Aprendiz Maçom.

No dia seguinte ao dirigir-me à minha Loja, somente levei o Avental de Aprendiz e humildemente sentei-me ao fundo da Coluna do Norte.

....precisava lapidar minha Pedra Bruta

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31.7.12

O DUPLO EU



Quando o Divino Respirar emanou o inefável sopro que devia dar alma e voz ao infinito reino das sombras, a matéria inerte, despertada pelo Supremo Querer, serviu à vida do homem.
           A natureza tornou-se o seu reino prodigioso que, ocultando na imanência natural a transcendência do espírito cósmico, devia fatalmente exprimi-la transfigurando os seus primeiros valores.
            E quando a existência criada encheu o vácuo espacial com a sua manifestação, à vontade do espírito foi confiada a trama de seu destino desconhecido.
            Desde então descobrir o mistério das origens converteu-se no tormento mortificante que te impelia à aflita procura da Verdade. Ansioso na tentativa de extrair da imensidade cósmica o segredo da unidade de que guardas a oculta herança e de que te sentes partícipe, aprendeste através do sofrimento humano que o espírito, tênue centelha emanada do Fogo Eterno, leva em si a marca da sua divindade.
        Porém não te basta mais intuir a fonte originária da qual brota a vida; tu tens sede e queres dessedentar-te na fonte maravilhosa daquelas origens ainda ocultas. Elas te serão reveladas pouco a pouco mediante a realização dos valores espirituais que, sendo a intrínsica realidade do Absoluto, sustêm a manifestação das fôrças vivas do homem.
                Porque tudo está contido nos admiráveis aspectos da vida universa, o absurdo real, o espírito e a matéria, o  pensamento e a ação; ela, plasmando a substância sob o impulso de um misterioso querer, torna-se a alma das cousas passadas e a linfa das futuras, pronta a elevar-se nos soberbos vôos para os céus irradiantes de azul ou a precipitar-se atraída pela convidativa e misteriosa voz dos desejos.
                No seu eterno dualismo, sempre em harmonia nos seus contrastes, tu encontrarás a síntese de todos os aspectos e de todas as leis que disciplinam o criado, onde, do microcosmos ao macrocosmos, o equilíbrio com o seu dinamismo, imprimindo um impulso perene a toda manifestação, realiza o prodigioso processo evolutivo.
                A luz se tornará o espírito da sombra, o espaço assinalará o ritmo do tempo, o negativo combaterá o positivo e assim por diante até às formas mais humanas que, no seu campo de ação, compreendem tudo no duplo aspecto: a vida e a morte. A primeira, manifestação concreta do espírito no ciclo da carne; a segunda, realidade abstrata da carne subjugada pela lei da evolução, fôrça inelutável que ninguém conseguirá deter nunca.
                Nessa grande cadeira a centelha energética espiritual do perecível remonta ao eterno ciclo, enquanto a centelha energética material volta como fôrça informe ao Absoluto e n”Êle repousa.
                Duas expressões do Eu, diversas uma da outra, das quais surge o princípio dominante do universo cosmos, e onde se oculta e se manifesta a transcendência e a imanência divinas.
                Esses caracteres que fazem parte do Eu espiritual e do Eu material são transmitidos por Deus que é transcendente porque representa o inconcebível, a irrealidade real, a absurda verdade do Todo que tudo transfigura no Seu sopro criador, e é imanente porque está no homem, no seu espírito e na sua consciência, na sua carne e na sua palavra, porque tudo Lhe pertence, o absoluto e o relativo, o permanente e o transitório, o necessário e o contingente.
                D”Ele só, Princípio de cada cousa, Manancial Onipotente e Motor Imóvel, emana a realidade universal da poeira estelar. E é por essa razão que, atraído pelo brilhante resplandecer dos mundos, o teu desejo vai  em busca da felicidade perdida. Mas o ardor da alma deve deter-se nos umbrais do imprecrustável  Poder, até quando, compreendendo a sua imanência, transfigurar-te-ás na divina transcendência.
                 Por isso, no fascinante mistério da existência, no perene e constante dualismo entre a perecibilidade da matéria e a eternidade do espírito, tu, realizando o maravilhoso ciclo da polaridade da lei, encontrarás, refletidas em ti mesmo, a imanência e transcendência divinas.
                Muitas vezes, durante o caminho da vida, a matéria ofusca a consciência contrastando, em uma luta surda, o espírito que procura arduamente afirmar os seus valores supremos.
                Mas tu, meu filho, afronta conscientemente essa luta tormentosa que, realizando o ciclo humano, te oferece a possibilidade de adquirir as admiráveis virtudes graças às quais poderás levantar-te, da amarga simbiose da carne, da amarga simbiose da carne, à unidade do espírito.
                Só então, no especo sem limites, na calma terrificante do vácuo infinito, o teu espírito vibrará de novo na inefável felicidade do Absoluto.
                Porque no duplo Eu da matéria-espírito, na união harmônica do negativo e positivo dos teus valores espirituais, terás encontrado o equilíbrio.
                E na ânsia universal de um novo vórtice, a tua vontade anulará o passado e o futuro em um eterno presente onde refulgirá o esplendoroso mistério da ressurreição. Ressurreição do espírito do tormento da carne, ressurreição da carne no triunfo do espírito.
ERGOS  

30.7.12

COMO SE PORTAR NA PREPARAÇÃO PARA UMA GIRA


domingo, 29 de julho de 2012

COMO SE PORTAR NA PREPARAÇÃO PARA UMA GIRA


Esta repostagem do texto abaixo indicado, blog Umbanda Sem Medo do Irmão e Amigo Cláudio Zeus, nasce exatamente do carinho e do reconhecimento do encontro de muitos dos meus e quero crer dos nossos desejos de uma Umbanda consciente, lúcida, libertadora.


Sorria e Siga o Sol!


SOU MÉDIUM, E AÍ? - PARTE III

Primeiro ponto a ser observado.


Ao chegar no Terreiro para um dia de trabalho – isso depois da preparação que deve ter sido feita antes, com banhos etc. – evite aquelas conversas sobre assuntos do dia a dia, seus problemas, suas amarguras, ou mesmo as amarguras de outrem. Busque, desde sua chegada, entrar em contato com a energia que ali existe (EGRÉGORA) e que foi criada por todos os que ali freqüentam. Para tal, prefira o silêncio aos papos desnecessários, a introspecção (observação de seus próprios processos mentais), ao invés de ficar observando o comportamento alheio, mesmo que de irmãos de corrente seus. 


Cabe à Dirigente ou ao Dirigente verificar se estão ou não em acordo com o que pretende o Terreiro e seus Mentores Espirituais.


Nesse estado de introspecção, de preferência de olhos fechados, o que ajuda bastante, tente ir sentindo, não o que ocorre a seu lado fisicamente, mas "no ar"; a seu lado; espiritualmente.
Relaxe o mais que puder e tente com isso, abrir ou expandir sua Aura à volta de todo o seu corpo, para que a sensibilidade para outros Planos seja facilitada. Você pode, durante esse processo, já ir tentando contato com suas entidades protetoras e guias, ainda que sem incorporações (através de orações, por exemplo) – apenas para que elas se acheguem a você e estejam tão próximas quanto possível durante todo o tempo de Gira.


Faça isso e, talvez não consiga na primeira ou segunda vez, mas chegará a um ponto em que sentirá a presença deles quase que fisicamente, se bem que alguns prefiram se fazer notar transmitindo-lhe mentalmente, ou seu Ponto Cantado ou alguma coisa mais que os identifiquem. Só você é quem vai, na medida em que isso for sendo treinado, sentindo mais e mais. E veja bem: ANTES MESMO DE SE INICIAR A GIRA.


Saber usar a egrégora (energia padrão) do Terreiro com a finalidade de melhorar seus dons é coisa que poucos fazem. Acontece que essa egrégora, sendo uma energia forte, facilita esse intercâmbio entre você e o Mundo Astral que circunda seu Terreiro através dos Vínculos (lembra-se?) que essa egrégora tem com todas as entidades que ali trabalham.


Todos os exercícios que se possa fazer visando melhorar os dons mediúnicos, se forem executados dentro de um ambiente onde haja uma egrégora forte e bem vinculada, sempre terão melhores efeitos que de outra maneira.


Não podemos aqui expressar em quanto tempo cada um vai sentir e/ou ver melhor o que ocorre "do outro lado" ou mesmo "dar melhores incorporações" porque isso vai depender de cada um e de seu próprio esforço nesse sentido, mas que essa simples mudança de comportamento antes das Giras pode melhorar acentuadamente todos os seus processos mediúnicos, disso você pode ter certeza! Deixe seus problemas lá fora!


O simples fato de evitar conversas sobre doenças, problemas, dificuldades, etc., já será um primeiro passo para sua melhora, mesmo que você esteja passando por problemas que julgue "escabrosos". Já explicamos em Volumes anteriores que, quanto mais pensamos nos problemas, mais os solidificamos à nossa volta, não foi? Então, para que a resolução desses problemas seja mais fácil ou menos difícil, é preciso que você treine sua mente, não pensando neles, mas buscando ajuda para si, de forma que os problemas vão deixando de existir na medida em que você cresce espiritualmente e com isso ganha mais e mais amigos do outro lado. Esses, por conseguinte, sabendo-o(a) com esses problemas, com certeza trabalharão em prol de sua resolução.


Busque se elevar acima dos problemas e, com isso, alcançar melhores e mais evoluídos amigos espirituais. Você terá respostas breves, seja por entidades incorporadas ou não, por intuições, por sonhos ... mas o mais importante é saber manter a mente relaxada e aberta para que, vindo essas mensagens, você possa reconhecê-las como para seu auxílio. Se você permanecer dentro dos problemas, tal qual uma pessoa que se afoga, é capaz de nem ver o salva-vidas que lhe jogaram.


Aliás (olha só eu com meus adendos), é muito importante que você saiba até orar ou rezar ou pedir aos céusA oração deve ser sempre dividida em duas partesna primeira você eleva seus pensamentos aos Guias, Protetores ou deuses e, através de uma mentalização ativa e mesmo pedidos orais, transmite firmemente aquilo que pretende alcançar e às vezes repete e repete e repete as invocações, como já vimos no Volume II; na segunda parte você dá como por entregue seus pedidos e também se dá um tempo, relaxando e tentando esvaziar sua mente para que, no caso de uma resposta através de uma intuição, por exemplo, possa estar em atitude de recepção e captar essa mensagem.


Às vezes, o que vemos, são pessoas que pedem, pedem, pedem e, logo depois dos pedidos, nem esperam para verem se há uma resposta, o que infelizmente, minimiza os possíveis vínculos que possam estar tentando criar ali.


Começou a GIRA. E agora? O que faço?


Mantenha-se o mais possível, em estado de relaxamento mental, tentando mentalizar (criar mentalmente a imagem) o que cada Ponto Cantado diz.


Os Pontos Cantados têm, como objetivo primeiro, o de desviar a atenção dos médiuns dos problemas que o envolvem no dia a dia e concentrar suas mentes nos rituais que vão se proceder.
As letras dos Pontos Cantados, de uma forma geral, induzem-nos imagens de seres e situações e locais que fortalecem nossas crenças e nos dão a certeza de estarmos bem assistidos pelo lado de nossos amigos – mas isso em se tratando de Pontos Cantados mesmo, com fundamentos e não alguns sambas enredo, modinhas e sambas de roda que, não sei bem porque, resolveram incluir no hinário de certos Terreiros como se fundamentos tivessem.


Em se tratando de Pontos Cantados de Fundamento, tente mentalizar os acontecimentos que ele descreve, por exemplo:


"Defuma com as ervas da Jurema/ Defuma com arruda e guiné/ Benjoim alecrim e alfazema/ Vamos defumar filhos de fé".


Durante um Ponto Cantado como este, sua mente deverá, ao invés de ficar prestando atenção na saia da amiga ou no pé do outro médium, estar MENTALIZANDO (criando imagens mentais) de, por exemplo, energias negativas sendo levadas pela fumaça que sai do turíbulo. Ao ser defumado(a), mentalize que nesse "banho de fumaça" está recebendo uma nova energia e que estão saindo de você todos os desconfortos físicos e mentais que podiam estar lhe acompanhando até então.


Vamos ver agora um outro Ponto Cantado para exemplo:


"Abrindo a nossa Gira/ pedimos a proteção/ De nosso Pai Oxalá/ Para cumprirmos, nossa missão".


Imagens como a de Pai Oxalá (como você entende que seja) se aproximando do Terreiro e dos médiuns e cobrindo-os com uma espécie de manto de luz seriam de muito bom gosto. Lembre-se de que, mesmo que isso não esteja acontecendo no Astral, você estará criando para si a Forma Pensamento positiva que atrairá, pelo menos para você, energias de luz como a que está criando mentalmente, entendeu? Se todos os médiuns forem treinados igualmente, é claro que essa Forma Pensamento vira egrégora e a influência da energia criada será muito mais forte sobre todos. Mas aí dependerá do(a) Dirigente se interessar em incentivar esse treinamento no grupo.


Vamos a mais um exemplo para que fique bem clara a idéia. Digamos que o Chefe de Terreiro seja, por exemplo, Seu Arranca Toco e que para ele se cante esse Ponto:


"Vem meu Pombo Correio/ Dos Jardins de Nossa Senhora/ Vem trazer a mensagem de Pai Oxalá/ Caboclo Arranca Toco vai chegar"


A imagem de um pombo chegando de um céu limpo e muito azul trazendo a mensagem ou abrindo uma passagem para que Seu Arranca Toco venha se apresentar, ou alguma outra parecida, deve ser a escolhida nesse momento.


Agora vamos expor as vantagens desse trabalho mental voltando sempre sua mente para o que está ou deveria estar acontecendo no Astral, dentro do Terreiro.


1ª vantagem: Sua mente estará sempre ocupada com pensamentos e mentalizações positivas, evitando se deixar levar pelo cotidiano ou mesmo por pensamentos e fixações negativas;


2ª vantagem: Sua mente estará criando condições que propiciem a criação de energias de teor positivo que fatalmente agirão sobre sua própria mente, seu corpo físico e seu estado psíquico;


3ª vantagem: Pelo efeito das duas vantagens anteriores, sua Aura estará sendo relaxada, mais expandida, o que o(a) fará mais propenso(a), pela sensibilidade nesse caso, tanto a incorporações menos traumáticas (menos "sacolejadas") como mais seguras, ocorrendo o mesmo no caso de vidência e clariaudiência;


4ª vantagem: Como sua mente vai estar voltada para criações de imagens de teor positivo, mesmo com o relaxamento de sua Aura as entidades de menor evolução terão dificuldade ou mesmo ficarão impossibilitadas de nela penetrarem, o que por si só, já será um filtro contra o Baixo Astral;


5ª vantagem: Sua mente estará sendo trabalhada em cada sessão, por você mesmo(a), ainda que não perceba de imediato, para focalizar Planos e Energias de cada vez mais alto teor vibratório, o que equivale a dizer que estará ampliando seu Padrão Vibratório e, nesse caso, sintonizando-o(a), pouco a pouco, com Energias e Entidades pertencentes a níveis superiores de Evolução.


É claro que essa sintonia com os níveis superiores não se dará "da noite para o dia" , como se costuma dizer – levará mais tempo ou menos tempo, de acordo com seu próprio esforço. Mas nunca é tarde para se começar até porque, às vezes, mesmo sem o sabermos, já estamos na metade do caminho, ou mais.


Já chamamos sua atenção nos dois volumes anteriores sobre o trabalho positivo de nossa mente em auxílio ao trabalho das entidades e a nós mesmos. Agora voltamos a afirmar que você sempre será aquilo que mentaliza ser. Os caminhos de sua vida, tanto materiais como espirituais, poderão e deverão estar sob seu comando desde que você se aperceba claramente disso e ponha "mãos à obra" no sentido de sua evolução.


Ainda estando dentro do Terreiro, você verá que práticas como as que citei, que podem parecer à primeira vista coisas simples demais, com certeza não são não. Se fossem, você veria em todos os Terreiros comportamentos de médiuns mais ou menos como os que sugeri. Será que vemos isso freqüentemente nos Terreiros e suas Giras?


Pode ser por desconhecimento? Pode sim!


Mas mesmo não o sendo, quando temos Dirigentes conscientes dos trabalhos que devem realizar junto aos seus médiuns, passando-lhes ensinamentos semelhantes, veremos que, quase na maioria das vezes o comportamento do grupo é bem diferente do de uma grande maioria de outros Terreiros. É ou não é?

25.7.12

O MISTÉRIO DO HOMEM


                Desde os tempos remotos a ânsia estava voltada à procura dos profundos ligames que existiam entre Deus e o homem, entre a expressão de um pensamento transcendente e imanente.
                As escolas iniciáticas muitas vezes se avizinhavam da solução e de fato uma inscrição do templo de Delfos traz esta sentença: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e Deus”, porque o maior mistério do criado está oculto no homem.
                Em ti realmente está contida a apaixonante síntese da matéria e do espírito: as duas forças ocultas, principais atrizes da evolução que encontram razão de existir no infinito princípio de cada cousa criada no espaço, e se manifestam no infinito de cada eternidade do tempo.
                O teu drama é o drama universal, é a luta constante da vontade da matéria e do espírito prisioneiro de si mesmo, encerrado no círculo dos próprios sonhos e das próprias aspirações.
                O valor cósmico dessa luta se encontra no símbolo da redenção do espírito, na sua expressão patente e no seu sentido oculto.
                Semelhante a um mecanismo constituído por delicadíssimos maquinismos, a tua construção física pulsa e vibra na ação febril da existência em uníssono com as outras forças materiais e imateriais que a circundam, pequena engrenagem ela mesma de um grande motor.
                Em vão o cientista, com as suas frias e áridas investigações, procura explicar a razão da vida. Todas as suas explicações não chegam a desbastar as trevas que envolvem o principio oculto da morte.
                Um mistério impenetrável esconde o fulcro daquele principio e daquele fim.
                Talvez penses que seja negado caracterizar o porquê da tua existência e não sabes que isso só seria possível se conseguisses conhecer a ti mesmo.
                Parecerá um paradoxo, mas é assim: ainda não te conheces. Contudo não tens apenas a certeza de que nada de ti seja oculto porque pensas, amas, sofres e ages sob o impulso raciocinante de uma vontade que acreditas tua, mas tens a absurda presunção de crer que o íntimo das pessoas que amas, que estão próximas a ti, com as quais convives, seja um livro aberto no qual possa ler.
                Quantas provas dolorosas não tens enfrentado no drama da vida,  por essa absurda certeza que te impelia a ter fé nos sentimentos, nos pensamentos ou nas ações dos outros, quando ao contrário deverias bem saber que também de ti mesmo não conheces senão uma pequena, pequeníssima parte ?
                O pensamento, de fato, embora sendo a expressão da personalidade, surge na tua mente instante por instante,  transmitido por um misterioso impulso fora de ti, mas que, semelhante a um delicadíssimo aparelho receptor, o cérebro consegue captar e traduzir.
                Um instante antes não só não conhecias, mas nem intuías que forma terias dado às tuas ideias, gérmen das imediatas ou futuras ações, e certamente não te explicas de onde provém o oculto sentido de orientação que te guia nos meandros do destino: intuías, porém, que na sabedoria interior está guardada a chave do teu eterno futuro.
                Embora perfeito, nenhum aspecto da matéria tem uma consciência e sabedoria, mas uma consciência e uma sabedoria vibram no teu íntimo, sol do teu ser inconsciente. Este sol que anima o princípio do pensamento é a emanação divina do espírito, meio principal do corpo universo, razão da existência dos átomos, como o sol é o meio principal do universo planetário, razão da existência da matéria.
                O encontrar-se em si é a experiência mais árdua que se pode enfrentar e resolver.
                As sensações materiais são a prova de que não conseguiste superar a ti mesmo apesar de tua afanosa busca.
                As provas a que te submetes e que talvez não compreendas de afastam ainda do verdadeiro sentido da vida porque muitas vezes a tua origem oculta está escondida na materialidade.
                O bem e o mal, em contraste na luta entre matéria e espírito, disputam-se a supremacia de um poder, imortal um, material o outro, e muitas vezes entre os dois extremos é difícil estabelecer um equilíbrio que te permita:
1 – conhecer a ti mesmo, os teus defeitos para ter a possibilidade de superá-los;
2 – viver para encontrar na vida a origem incriada da razão universal;
3 – dar ao espírito a divina realidade da sua essência eterna e imortal;
4 – sentir na própria consciência a verdade-Deus, Deus-amor, Deus-cósmico, e subir do plano terreno à realidade do ser e do vir a ser, atingindo da multiplicidade das formas a força única superior.
                Realização suprema do humano que se torna digno de acolher em si o sinal luminoso do divino.
              Só então a vida te será fácil mesmo na dor ,e,  se andares em busca da revelação só assim poderás encontrar-te.
ERGOS
                

23.7.12

O CONHECIMENTO MISTICO E ESOTÉRICO


O CONHECIMENTO MISTICO E ESOTÉRICO

O estudante de ocultismo aprende  a despertar e treinar para uso científico os poderes latentes em si, e por eles se capacita a enxergar muito mais do real significado da vida do que o homem cuja visão seja limitada pelos sentidos físicos. Ele aprende que todo homem é, em essência, divino, uma verdadeira centelha do fogo de Deus, que gradualmente evolui para um futuro de glória e esplendor até culminar na união com Deus; que o método de seu progresso é por sucessivas descidas em corpos terrestres em busca de experiências e por internamentos em mundos ou planos invisíveis ao olho físico. Ele descobre que o seu progresso é regido por uma lei de eterna justiça, que dá a cada homem o fruto do que ele semeia: alegria para o bem e sofrimento para o mal.

Aprende também que o mundo é governado, sob a soberania do Altíssimo, por uma Fraternidade de Adeptos que atingiram a divina união mas permanecem na terra para guiar a humanidade; que todas as grandes religiões do mundo foram fundadas por eles, segundo as necessidades das raças a que se destinaram, e que dentro dessas religiões, têm havido escolas dos Mistérios para oferecer aos que estão preparados uma marcha mais acelerada de desenvolvimento, com conhecimentos e oportunidades maiores para servir, e que esta Senda está dividida em etapas e graus: a Senda Probatória, ou os Mistérios Menores, onde são preparados os Candidatos para o Discipulado, e a Senda genuína, ou os Mistérios Maiores, em que na Grande Loja Branca são conferidas cinco grandes Iniciações, que conduzem o discípulo da vida terrena para a vida do adepto de Deus, para tornar-se como se diz, "uma chama viva para a iluminação do mundo". Ele aprende que Deus, tanto no universo como no homem, Se revela como uma Trindade de Sabedoria, Força e Bele¬za, e que estes Três Aspectos estão representados na Grande Loja Branca nas Pessoas de seus três principais Oficiais, através dos quais flui a poderosa energia de Deus para os homens.