31.7.11
CONHECIMENTO
"Em profunda cegueira vivem os que adoram a ignorância; e em cegueira maior os que se contentam com o conhecimento."
26.7.11
AS ORIGENS DO RITUAL NA IGREJA E NA MAÇONARIA
AS ORIGENS DO RITUAL
NA IGREJA E NA MAÇONARIA
Helena Petrovna Blavatsky
Parte VII
PARTE VII O ritual do Cristianismo primitivo - como já está suficientemente demonstrado - deriva da antiga Maçonaria. Esta é, por sua vez, a herdeira dos Mistérios, quase desaparecidos nessa época. Diremos algumas palavras sobre estes: é bem conhecido de toda a Antigüidade que, a par da adoração popular feita de letra morta e formas vazias das cerimônias exotéricas, cada nação tinha seu culto secreto, designado na sociedade como sendo os Mistérios.
Strabon [Estrabão], entre outros, dá seu testemunho dessa asserção (Georg. Lib X). "Ninguém era admitido aos Mistérios se não estava preparado por um treinamento particular. Os neófitos, instruídos na parte superior dos Templos, eram iniciados, nas criptas, ao Mistério final. Essas instruções constituíam a última herança, e última sobrevivência da antiga sabedoria, e é sob a direção de Altos Iniciados que os Mistérios eram REPRESENTADOS. Empregamos de propósito o termo REPRESENTADO, pois que as instruções ORAIS, EM VOZ BAIXA, eram dadas somente nas criptas, em segredo e num silêncio solene. As lições sobre a teogonia e cosmogonia eram expressas por representações alegóricas; o MODUS OPERANDI da evolução gradual do Kosmos, dos mundos e finalmente de nossa terra, dos Deuses e dos homens, tudo isso era comunicado simbolicamente. As grandes representações públicas, que eram dadas durante as festas dos Mistérios, tinham por testemunha o povo que adorava cegamente as verdades ali personificadas. Somente os Altos Iniciados, os EPOPTAE, compreendiam sua linguagem e seu significado real. Tudo isso e muito mais ainda é conhecido pelos sábios.
Todas as antigas nações pretenderam saber que os Mistérios reais, concernentes ao que se chama, tão pouco filosoficamente, a criação, foram divulgados aos Eleitos de nossa raça (a quinta) por essas primeiras dinastias de REIS DIVINOS - "Deuses na carne", "Encarnações divinas ou Avatares".
As últimas estrofes extraídas do Livro de Dzyan para a DOUTRINA SECRETA (vol. 3, p. 27 - ed. inglesa) falam dos que reinaram sobre os descendentes "nascidos do Santo Rebanho" e... "que tornaram a descer e fizeram a paz com a Quinta Raça, e a instruíram e ensinaram".
A frase "fizeram a paz" mostra que houve uma CONTENDA precedente. O destino dos Atlantes em nossa filosofia e o dos pré-diluvianos na Bíblia corrobora essa idéia. Uma vez mais, e isso muitos séculos antes dos Ptolomeus, o mesmo abuso da ciência sagrada dominou lentamente os Iniciados do Santuário egípcio. Os ensinamentos sagrados dos Deuses, mesmo conservados em toda sua pureza durante séculos inumeráveis, a par da ambição pessoal e do egoísmo dos Iniciados, foram de novo corrompidos. O significado dos símbolos encontrou-se muitas vezes profanado por inconvenientes interpretações, e, bem cedo, os mistérios de Elêusis foram os únicos que permaneceram puros de toda alteração e de toda inovação sacrílega. Eram celebrados em Atenas em honra de Demeter (Ceres) ou da Natureza, e foi lá que a elite intelectual da Grécia da Ásia Menor foi iniciada. No seu quarto livro, Zózimo afirma que esses iniciados pertenciam a toda a humanidade (7) e Aristides chama aos Mistérios: "O Templo comum de toda a terra".
Foi para conservar alguma lembrança desse "templo" e reconstrui-lo oportunamente, que alguns eleitos, dentre os Iniciados, foram escolhidos e postos de reserva. Isto foi cumprido pelo seu Grande Hierofante em cada século, desde a época em que as alegorias sagradas mostraram os primeiros sintomas de profanação e de decadência.
Finalmente, os Grandes Mistérios de Elêusis tiveram o mesmo destino dos outros. Sua superioridade primordial e seu alvo primitivo são descritos por Clemente de Alexandria, que nos mostra como os Grandes Mistérios divulgavam os segredos e o modo da construção do Universo, sendo isso o começo, o fim e o último alvo do conhecimento humano. E mostrava-se ao Iniciado a natureza de todas as coisas tais como são (strom 8). Tal era a Gnose Pitagórica: "o conhecimento das coisas tais como são".
Epícteto fala dessas instruções em termos os mais elevados: "Tudo que lá está estabelecido, o foi por nossos Mestres para instrução dos homens e correção de nossos costumes" (apud Arriam, Dissert. lib. cap. 21) - e Platão diz o mesmo em seu PHEDON; o fim dos Mistérios era restabelecer a alma em sua primitiva pureza, ESSE ESTADO DE PERFEIÇÃO QUE ELA HAVIA PERDIDO.
NA IGREJA E NA MAÇONARIA
Helena Petrovna Blavatsky
Parte VII
PARTE VII O ritual do Cristianismo primitivo - como já está suficientemente demonstrado - deriva da antiga Maçonaria. Esta é, por sua vez, a herdeira dos Mistérios, quase desaparecidos nessa época. Diremos algumas palavras sobre estes: é bem conhecido de toda a Antigüidade que, a par da adoração popular feita de letra morta e formas vazias das cerimônias exotéricas, cada nação tinha seu culto secreto, designado na sociedade como sendo os Mistérios.
Strabon [Estrabão], entre outros, dá seu testemunho dessa asserção (Georg. Lib X). "Ninguém era admitido aos Mistérios se não estava preparado por um treinamento particular. Os neófitos, instruídos na parte superior dos Templos, eram iniciados, nas criptas, ao Mistério final. Essas instruções constituíam a última herança, e última sobrevivência da antiga sabedoria, e é sob a direção de Altos Iniciados que os Mistérios eram REPRESENTADOS. Empregamos de propósito o termo REPRESENTADO, pois que as instruções ORAIS, EM VOZ BAIXA, eram dadas somente nas criptas, em segredo e num silêncio solene. As lições sobre a teogonia e cosmogonia eram expressas por representações alegóricas; o MODUS OPERANDI da evolução gradual do Kosmos, dos mundos e finalmente de nossa terra, dos Deuses e dos homens, tudo isso era comunicado simbolicamente. As grandes representações públicas, que eram dadas durante as festas dos Mistérios, tinham por testemunha o povo que adorava cegamente as verdades ali personificadas. Somente os Altos Iniciados, os EPOPTAE, compreendiam sua linguagem e seu significado real. Tudo isso e muito mais ainda é conhecido pelos sábios.
Todas as antigas nações pretenderam saber que os Mistérios reais, concernentes ao que se chama, tão pouco filosoficamente, a criação, foram divulgados aos Eleitos de nossa raça (a quinta) por essas primeiras dinastias de REIS DIVINOS - "Deuses na carne", "Encarnações divinas ou Avatares".
As últimas estrofes extraídas do Livro de Dzyan para a DOUTRINA SECRETA (vol. 3, p. 27 - ed. inglesa) falam dos que reinaram sobre os descendentes "nascidos do Santo Rebanho" e... "que tornaram a descer e fizeram a paz com a Quinta Raça, e a instruíram e ensinaram".
A frase "fizeram a paz" mostra que houve uma CONTENDA precedente. O destino dos Atlantes em nossa filosofia e o dos pré-diluvianos na Bíblia corrobora essa idéia. Uma vez mais, e isso muitos séculos antes dos Ptolomeus, o mesmo abuso da ciência sagrada dominou lentamente os Iniciados do Santuário egípcio. Os ensinamentos sagrados dos Deuses, mesmo conservados em toda sua pureza durante séculos inumeráveis, a par da ambição pessoal e do egoísmo dos Iniciados, foram de novo corrompidos. O significado dos símbolos encontrou-se muitas vezes profanado por inconvenientes interpretações, e, bem cedo, os mistérios de Elêusis foram os únicos que permaneceram puros de toda alteração e de toda inovação sacrílega. Eram celebrados em Atenas em honra de Demeter (Ceres) ou da Natureza, e foi lá que a elite intelectual da Grécia da Ásia Menor foi iniciada. No seu quarto livro, Zózimo afirma que esses iniciados pertenciam a toda a humanidade (7) e Aristides chama aos Mistérios: "O Templo comum de toda a terra".
Foi para conservar alguma lembrança desse "templo" e reconstrui-lo oportunamente, que alguns eleitos, dentre os Iniciados, foram escolhidos e postos de reserva. Isto foi cumprido pelo seu Grande Hierofante em cada século, desde a época em que as alegorias sagradas mostraram os primeiros sintomas de profanação e de decadência.
Finalmente, os Grandes Mistérios de Elêusis tiveram o mesmo destino dos outros. Sua superioridade primordial e seu alvo primitivo são descritos por Clemente de Alexandria, que nos mostra como os Grandes Mistérios divulgavam os segredos e o modo da construção do Universo, sendo isso o começo, o fim e o último alvo do conhecimento humano. E mostrava-se ao Iniciado a natureza de todas as coisas tais como são (strom 8). Tal era a Gnose Pitagórica: "o conhecimento das coisas tais como são".
Epícteto fala dessas instruções em termos os mais elevados: "Tudo que lá está estabelecido, o foi por nossos Mestres para instrução dos homens e correção de nossos costumes" (apud Arriam, Dissert. lib. cap. 21) - e Platão diz o mesmo em seu PHEDON; o fim dos Mistérios era restabelecer a alma em sua primitiva pureza, ESSE ESTADO DE PERFEIÇÃO QUE ELA HAVIA PERDIDO.
26.6.11
HISTÓRIA DA UMBANDA - CAPÍTULO IV
D.PEDRO II É PAI DOS BRANCOS
Os índios Jê-Timbira narram a origem do homem branco com base nas aventuras de Aukê:
Uma rapariga de pátio de nome Amcukwéi estava grávida. Certo dia, quando em companhia de muitas outras tomava banho, ouviu de repente o grito de “preá”. Admirada, olhou para todos os lados sem descobrir de onde o ruído partira. Logo depois escutou-o novamente. Voltando para casa, deitou-se na cama de varas, e o grito se fez ouvir pela terceira vez, reconhecendo ela, agora, que o som partira do interior do seu próprio corpo. Foi a criança quem falou: “Minha mãe, tu já estás cansada de me carregar?”. “Sim, meu filho”, respondeu ela, “saia [...]” Amchkwéi começou a sentir as dores de parto e foi só para o mato. Deitando folhas de pati no leito do chão prometeu: “Se fores menino eu te matarei, se fores menina eu te criarei [...]”. Nasceu um menino e Amcukwéi cumpriu sua palavra: cavou um buraco, sepultou seu filho, ainda vivo, e voltou para casa. Sua mãe, vendo-a chegar, perguntou pela criança e, quando se inteirou do sucedido, ralhou com a filha: que tivesse trazido o menino porque ela, a avó, o criaria. Não contente com isso, a mãe de Amcukwéi desenterrou a criança e depois de lava-la trouxe-a para casa. Amcukwéi não lhe quis dar de mamar, mas a avó o amamentou. Foi então que o pequeno Aukê levantou-se e disse:
“Então não me queres criar?”. Amcukwéi, muito assustada, respondeu: “Sim, eu te criarei”.
Aukê cresceu rapidamente. Ele possuía o dom de transformar-se em qualquer animal [...] Então, um dia, seu tio resolveu mata-lo. Estando o menino sentado no chão comendo bolo de carne, o tio bateu nele, forte e por trás, com um cassetete, enterrando-o atrás da morada. Na manhã seguinte, porém, o menino, cheio de terra, voltou [...] Seu tio resolveu desfazer-se dele de outra maneira: chamou-o para buscar mel [...] Chegando ao cume da terceira serra, o irmão de Amcukwéi agarrou o menino, atirando-o em seguida no abismo. Mas Aukê transformou-se em folha seca e desceu vagarosamente em espirais até o chão [...] O tio, no entanto, logo concebeu um novo plano para matar Aukê: sentando-o numa esteira, deu-lhe comida [...] Foi então que o abateu pelas costas, usando um cassetete, e queimou-lhe o corpo inteiro. Abandonaram em seguida a aldeia, mudando-se para um lugar bem longe.
Algum tempo depois Amcukwéi pediu aos chefes e conselheiros que mandassem buscar as cinzas de Aukê [...] Quando os dois chegaram ao lugar, descobriram que Aukê tinha se transformado em homem branco; construíra uma casa grande e agora criava negros [...] e cavalos de madeira do bacuri. O rapaz chamou os dois enviados e mostrou-lhes a sua fazenda. Depois mandou chamar Amcukwéi para que morasse com ele. Aukê é agora o Imperador d. Pedro II, pai dos brancos. [grifos meus].
Qualquer história permite, por certo, várias narrativas e inúmeras leituras. Neste caso, o mito de Aukê ajuda a entender a monarquia brasileira como uma experiência partilhada por diversas visões e sujeita a muitas recuperações. No caso, Aukê torna-se branco, o Branco por excelência, senhor e distribuidor de riquezas, identificado, por sua vez, com d. Pedro II. Assim, se o mito anuncia uma situação de desigualdade, remete também a uma sentido que lhe é anterior ao misturar cosmologias. Com efeito, o monarca parece aglutinar nesse contexto representações distintas. Pai de todos os brancos, na versão do mito jê; d. Sebastião nos trópicos, em um transplante do mito português introduzido por Bonifácio, que, leitor de Vieria, encarna em um Bragança o papel de “encoberto”; rei que divide a realeza com o príncipe Oba, o qual percorre as ruas do Rio; paródia do rei do Congo com sua rainha Ginga – d. Pedro II, por meio dessas releituras de época, é um “monarca com muitas coroas”. Homenageado em algumas festas, tal qual o rei dos reis, em outras é esquecido ou torna-se personagem subalterno. Às vezes o cortejo passa diretamente por d. Pedro, e desvia em sua homenagem; outras vezes a procissão segue longe e obriga o monarca a tomar parte dela como figurante quase secundário.
Imperador que empresta o nome à festa do Divino – na feliz tradução de José Bonifácio -, d. Pedro II compactuou com uma cultura que, ao mesmo tempo que se europeizou com sua presença, tornou-se mestiça, negra e indígena no convívio, por certo desigual, de tantas culturas. Na dinâmica interna entre estas vingaram a reelaboração e a criação de novas imagens e rituais.
Afinal, como explicar a permanência, por quase sessenta anos, de uma monarquia rodeada de repúblicas por todos os lados? Como entender o enraizamento de uma realeza Bragança, mas também Bourbon e Hadsburgo, em um ambiente tropical, cercado de indígenas, negros e mestiços? A resposta é estranhar o que parece tão natural em nossos compêndios de história. Longe das luxuosas cortes européias, a capital da monarquia brasileira, em 1838, possuía cerca de 37 mil escravos numa população total de 97 mil habitantes, e em 1849, em uma população de 206 mil pessoas, 79 mil cativos. Além disso, 75% dos escravos eram, em média, africanos, dado que indica a importância da população de cor na cidade do Rio de Janeiro. Por outro lado, os grupos indígenas, tão afastados da corte e dizimados de forma bastante sistemática, eram convertidos, porém, em símbolo da monarquia. Distantes enquanto realidade, ganhavam vida na representação; nos quadros e alegorias, nas esculturas e nos títulos de nobreza.
Nesse ambiente, a corte e os paços representavam ilhas com pretensões européias cercadas de mares tropicais, e sobretudo africanos, por todos os lados. Testemunhos de época falam de como as ruas eram tomadas pelos negros – escravos ou não - , que se dedicavam às mais diferentes ocupações e preenchiam os lugares com seus gestos, cores e expressões tão peculiares. “Se não soubesse que ela fica no Brasil poder-se-ia toma-la sem muita imaginação como uma capital africana, residência de poderoso príncipe negro, na qual passa inteiramente despercebida uma população de forasteiros brancos puros. Tudo parece negro [...]”, dizia Lallemant em 1859.
D. Pedro II era, portanto, imperador, o grande monarca e “pai dos brancos”, mas aparecia muitas vezes, em meio a outras divindades. Afinal, reis e príncipes africanos “pontilham a história dos escravos trazidos para a América” – com direito a beija-mão e salamaleques, como bem mostrou Debret em suas descrições de funerais de príncipes africanos no Rio de Janeiro.
Com efeito, as relações entre Brasil e África – oficiais ou não – caracterizaram-se, desde os tempos coloniais, por uma troca mais alargada do que se pode, à primeira vista, imaginar. Partes opostas do mesmo comércio negreiro de seres humanos, centralizado por Portugal, entre dois continentes desenvolveram-se ligações que excederam o aspecto exclusivamente econômico. Segundo Alberto da Costa e Silva, “a África recebeu e africanizou a rede, a mandioca e o milho, enquanto o Brasil fazia seus o dendê, a malagueta e a panaria da Costa”. Na verdade, as trocas se deram nas duas direções, e dos dois lados do Atlântico ficava-se sabendo o que acontecia. Não é à toa que foram dois reis africanos – Oba Psemwede, do Benim, e Ologum Ajan, de Eko, Onim ou Lagos – os primeiros a reconhecer a independência do Brasil.
É por isso mesmo que, em pleno território brasileiro, reis e nobres africanos, vendidos como escravos por motivos de guerra ou por simples desafetos, desterrados em função do “infame tráfico”, buscaram reconstruir estruturas políticas e religiosas de suas terras distantes. Caso famoso é o de Nan Agotiné, a mãe do rei Guezô, do Danxomé, Dangomé, Daomei ou Daomé,que, vendida por traficantes, teria refeito seus altares e sua corte na Casa das Minas, em São Luiz do Maranhão. Outros voltaram à terra, como o príncipe Fruku, que viveu no Brasil durante 24 anos e retrnou à Costa dos Escravos com o nome de d. Jerônimo. Lá chegando, disputou o trono do Danxomé e só por pouco perdeu para Agonglo. Como diz Verger, “africanos do Brasil e brasileiros da África [...] conseqüência imprevista do fluxo e refluxo do tráfico de escravos [...]”.
Além dos príncipes oriundos de elites dirigentes na África, habitaram no Brasil os reis alegóricos, das congadas, cavalhadas e batuques, que, no curto espaço das festas, representavam a autoridade máxima então constituída, isso para não falar das chefias tribais. Essa convivência entre tantos reis – imaginários ou não – permitia o surgimento de compreensões diferentes da realeza e mesmo de certa recepção positiva da monarquia. Escreve João José Reis: “Havia uma mentalidade monarquista, por assim dizer, circulando entre os negros, que parece ter sido recriação de concepções africanas de liderança, reforçadas em uma colônia, e depois um país, governado por cabeças coroadas. É aliás conhecida a popularidade de d. Pedro II entre os negros cariocas [...] A visão do rei como fonte de justiça [...] existia igualmente na América, inclusive entre os escravos”.
Por outro lado, na medida em que a realeza representava uma instância de poder comum a diferentes universos culturais, nos rituais várias monarquias se encontravam, a despeito da total ausência de liberdade nas esferas sociais e políticas. Os “reis” que habitavam o Brasil tinham uma convivência não democrática mas ao menos freqüente: “o rei Baltasar, o rei do Congo e o vice-rei de Portugal” iam homenagear o Imperador do Divino, fazendo o mesmo com os reis magos, no dia de Reis. Essas “majestades” também honraram o príncipe d. João VI na ocasião de sua coroação. Na Independência, o “rei Carlos Magno e seus doze pares de França” homenagearam o imperador Pedro I com espetáculos de cavalhadas. E que não se esqueça do rei Oba, que todo sábado se dirigia ao palácio a fim de beijar a mão do imperador Pedro II, nos últimos anos do Império.
Esses reis dialogavam não só entre si mas também com os santos. Com efeito, no Brasil religião e realeza estão ligadas de forma muito peculiar. Aqui não se atribui ao rei poderes mágicos ou transcedentais, como no caso clássico francês dos reis taumaturgos estudados por Bloch, porém de toda maneira o ritual local aprimora o “fraco” cerimonial dos Bragança. No Brasil, os imperadores passam a ser ungidos e sagrados, numa tentativa de dar sacralidade a uma tradição cuja inspiração ara antiga mas a realização datada. Nesse movimento, ao mesmo tempo que os monarcas ganham santidade, os santos, quando muito adorados, ganham realeza no Brasil. O Divino Espírito Santo recebe um império, o deus Momo vira, anos mais tarde, rei Momo. De qualquer modo, mantos imperiais convivem com mantos divinos, e o imaginário da realeza acaba permeando fortemente o catolicismo brasileiro, da mesma maneira que uma série de manifestações populares, como o Carnaval – com seus impérios, reis, rainhas e enredos -, se nutre de cenas da monarquia.
Entre tantas “coroas e santos” não seria mesmo o caso de eleger uma interpretação fiel da realeza européia e de suas tradições, mas sobretudo de entender como nesse ambiente, ainda que com base em leituras diferentes, a hierarquia e a autoridade real eram retraduzidas e compreendidas.
É Gilberto Freyre, em seu texto “Dom PedroII, imperador cinzento de uma terra de sol tropical”, quem conclui que o monarca, apesar de sua alma protestante, adotou, em determinados períodos do Império, uma ritualística local. Com seu manto verde como a nação, a coroa e a murça de penas de papo de tucano, mais próprios a um “Luiz XIV dos trópicos”, d. Pedro II dialogava com seus súditos, assim como eles o reimaginavam valendo-se de leituras particulares.
Desse modo, sem esquecer a existência das relações de dominação, inegavelmente assimétricas entre senhores e escravos, é possível voltar os olhos para o diálogo entre categorias culturais distintas e perceber a presença de elementos comuns, se não em seu conteúdo ao menos em sua forma, que permitem entender o estabelecimento de um repertório local e particular de imagens da monarquia.
Para citar apenas alguns elementos isolados: o que significa inventar uma corte em território americano, buscar todas as regras na mais fiel tradição medieval européia, mas adotar nomes e títulos indígenas? Como explicar um príncipe que se veste com o rigor majestático das grandes cortes, porém introduz uma murça de penas de papo de tucano, tal qual um cacique, e um manto com ramos de café e tabaco? O que dizer da famosa Fazenda de Santa Cruz, tirada dos jesuítas quando de sua expulsão e protegida pelos monarcas portugueses aqui residentes, que agrupava um número elevado de escravos-cantores de música sacra? De que maneira entender um imperador que sentava na frente dos estandes brasileiros das exposições universais – verdadeiras festa de exibição dos feitos tecnológicos e industriais das nações capitalista – e exibia sua coroa ao lado de produtos indígenas e da arte popular?
Por outro lado, se for correta a versão que diz ser o termo império não só uma referência à extensão do território, ou uma homenagem de d. Pedro I a Napoleão – segundo seus biógrafos, sua maior influência -. Mas uma alusão ao imperador da festa do Divino, estaríamos diante de um regime que desde os momentos de fundação dialogava com as culturas locais, criando novos significados para tradições longínquas.
Cada um desses temas – que resultaram em capítulos específicos – fala em seu conjunto de uma “monarquia tropical”, entendida como uma exceção no contexto local e exótica diante dos exemplos europeus. Na verdade, no interior do continente americano. O Brasil era visto com desconfiança pelas demais republicas, para as quais era difícil entender a opção pelo regime monárquico e sua continuidade. Mesmo levando-se em conta o acalentado sonho de Bolívar – que não só se inclinou para a monarquia como se deparou com a fidelidade da maior parte da população à Coroa -. A experiência do general Iturbide no México em 1822, ou mesmo o frágil Império haitiano de Dessalines, que durou de 1804 a 1806, para não falar da dramática e breve experiência do arquiduque austríaco Maximiliano (primo de D.Pedro II, fuzilado em junho de 1867), o fato é que, como afirma Francisco Iglesias, todas as demais experiências monárquicas em território americano têm caráter “quase tribal e anedótico, quando não são farsas trágicas como no caso mexicano”. A partir da doutrina Monroe (1823) – mais conhecida por seu lema “A América para os americanos” – a imagem do regime monárquico ficou associada a alguns países europeus, ao passo que aumentou a ingerência norte-americana no sentido de coibir o surgimento de realezas nas Américas.
Cercado de repúblicas. O modelo monárquico brasileiro contava, portanto, com obstáculos adicionais para o seu reconhecimento: de um lado, o boicote das demais nações americanas; de outro, a difícil comunicação com os países europeus (desconfiados da relação estreita que o Estado imperial continuava mantendo com os países africanos e com o comércio negreiro).
Dessa forma, mesmo após o reconhecimento inglês e o português, parecia necessário a afirmação de uma imagem que distanciasse a monarquia brasileira da idéia de anarquia p tão comumente associada às repúblicas americanas -, do “comércio de almas” e de um sistema escravocrata persistente e difundido, sobre o qual se estruturavam a sociedade e a economia local. É justamente por isso que desde os primeiros anos de independência houve um investimento evidente na divulgação de uma representação ao mesmo tempo comum e peculiar desse longínquo império. Comum, na medida em que se procurou afirmar todo o tempo a feição européia de nossa monarquia – aparentada não só aos Bragança como aos Bourbon e Hadsburgo – e o caráter civilizacional do Império, afeito às novas tecnologias e idéias de progresso. Peculiar, já que havia o Atlântico a nos separar e toda uma realidade social e geográfica a nos distinguir. Velho conhecido dos viajantes, o Brasil foi sempre destacado como o local da “grande flora” – com sua vegetação edênica -, mas também como o país da miscigenação extremada, dos indígenas e da escravidão. Não havia, pois, como deixar de lado a faceta tropical do jovem Império.
Na tentativa de garantir e criar uma nova nação, desvinculada da “pátria”, que era ainda portuguesa, as elites do sul do país apostaram claramente, portanto, na monarquia e na conformação de uma ritualística local. A realeza aparecia, em tal contexto, como único sistema capaz de assegurar a unidade do vasto território e impedir o fantasma do desmembramento vivido pelas ex-colônias espanholas. É nesse sentido que a monarquia se transforma em um símbolo fundamental em face da fragilidade da situação. Transcendendo a figura humana do rei, as representações simbólicas do poder imperial evocavam elementos de “longa duração” que associavam o soberano à idéia de justiça, ordem, paz e equilíbrio. Afirmava José Bonifácio em Notas íntimas: “Acusam-me alguns de que plantei a Monarquia. Sim, por que vi que não podia ser de outro modo então; porque observava que os costumes e o caráter do povo eram eminentemente aristocráticos; porque era preciso interessar às antigas famílias e aos homens ricos que detestavam ou temiam os demagogos [...] Sem a monarquia não haveria um centro de força e união, e sem esta não se poderia resistir às corte de Portugal e adquirir a Independência Nacional”. Entre continuidades e rupturas dinásticas, persistências rituais e atualizações, misturaram-se valores seculares e profanos: não se abriu mão da origem européia, mas esta se combinou com um ambiente singular.
É, portanto, privilegiando essa dimensão simbólica da representação da realeza que se pode penetrar em facetas pouco estudadas, porém fundamentais na recuperação de modelos de sociabilidade até hoje presentes. Coube à monarquia brasileira seguir um trajeto ao mesmo tempo próprio e comum, que correspondeu à essência de uma cultura enxertada mas que acompanhou a diferenciação da sensibilidade local. Aí estaria “uma cópia bastante original”; uma cultura que se construiu com base em empréstimos ininterruptos, os quais, no entanto, incorporou, adaptou e redefiniu ao justapor elementos externos a um contexto novo.
Talvez seja essa a razão da pouca legitimidade inicial dos símbolos republicanos, em um país ainda atrelado à eficácia e à inserção alargada dos emblemas da realeza. O fato de os ícones da República mais bem-sucedidos – como o hino e a bandeira – estarem de alguma maneira ligados à simbologia monárquica evidencia não apenas o pequeno impacto da “invenção de tradições” republicanas, como sobretudo a penetração de uma simbologia imperial, para além dos marcos políticos oficiais.
José Murilo de Carvalho demonstrou como a mesma elite que ajudara a derrubar a monarquia lutava pela implantação de uma simbologia particular para o recém-instalado Estado republicano, sem conseguir, no entanto, impor um imaginário particular. A histótia da escolha do Hino Nacional, logo nos primórdios do novo regime, é significativa: a despeito do resultado final do apressado concurso, que já em 20 de janeiro de 1890 pretendia eleger uma nova composição para representar o país, acabou ganhando velho hino de Francisco Manuel da Silva, que nem ao menos havia entrado na competição. “Prefiro o velho!!!, teria dito o marechal Deodoro, deslocando o que ficara em primeiro lugar – o hino de Leopoldo Miguez, com letra de Medeiros e Albuquerque – e oficializando-o, no mesmo decreto, como Hino da Proclamação da República. O Hino Nacional continuava a ser o mesmo da monarquia, apesar da suspeita de que teria sido d.Pedro I seu compositor.
Mesmo a bandeira nacional, apesar das inúmeras explicações surgidas a posteriori (que falavam do verde de nossas matas e do amarelo das riquezas minerais), continuava a ostentar seus vínculos com a tradição imperial: o verde, cor heráldica da Casa Real Portuguesa de Bragança; o amarelo, cor da Casa Imperial Austríaca de Hadsburgo. Além disso, o desenho republicano reaproveitava o losango da bandeira imperial – que representava uma homenagem de d. Pedro I a Napoleão -, apenas retirando-se o brasão monárquico, com as armas imperiais aplicadas, para introduzir o lema positivista de “ordem e progresso”. Se essa versão é exata, estaríamos diante de um caso de redefinição, típico do nosso processo cultural: elementos tradicionais do armorial europeu, com seu significado preciso de homenagem aos soberanos da jovem nação, acrescidos de uma modalidade de distribuição do especo na bandeira francesa, passavam a representar nossa realidade física, destituídos de seu significado anterior. A fisionomia da bandeira republicana, considerada durante gerações como expressão autêntica de características da terra, “teria nascido de transposições, substituições e invenções, que deram ao brasileiro a idéia de simbolizar o que ele tem de mais específico”.
É certo que esses não são ícones escolhidos livremente – e nesse sentido populares – mas é certo, também, que sua recepção acaba gerando um consenso que encontra neles imagens ou representações do país. A questão seria, dessa maneira, entender não tanto o fracasso da simbologia republicana, tão bem analisado por José Murilo de Carvalho em A formação das almas, mas antes o impacto do imaginário monárquico, presente até hoje não apenas nesses elementos de retórica patriótica como em toda uma concepção de sociedade ainda impregnada da mística dos títulos de nobreza, das ordens honoríficas e dos rituais de consagração. Conforme afirma Sérgio Buarque de Holanda:A imagem de nosso país que vive como projeto e aspiração na consciência coletiva dos brasileiros não pôde, até hoje, desligar-se muito do espírito do Brasil imperial; a concepção de Estado figurada nesse ideal não somente é válida para a vida inteira da nacionalidade, como ainda não nos é possível conceber em sentido muito diverso nossa projeção maior na vida internacional”.
Nessa batalha simbólica, travada entre a República e Monarquia, melhor do que descobrir vencedores pé repensar a importância da dimensão cultural. Seguindo as pistas de Bronislaw Baczo, que aponta para a relevância do estudo de sistemas simbólicos de uma sociedade, percebemos como todo regime político estabelece em sua base um imaginário social constituído por utopias e ideologias mas também por mitos, símbolos e alegorias, elementos poderosos na conformação do poder político, especialmente quando adquirem aceitação popular.
A criação de símbolos, por sua vez, não é gratuita e arbitrária; não se faz no vazio social. Ao contrário, os símbolos são reelaborados em razão do contexto cultural em que se inserem, além de que o maior ou menor sucesso de sua manipulação encontra-se diretamente vinculado a uma “comunidade de sentidos”. Portanto, para compreendermos por que em momentos de mudança certos símbolos vingam e outros não, devemos atentar não só para a emissão como também para a recepção e divulgação, ou seja, para o consumo desses mesmos símbolos, que não é em si aleatório nem mero objeto de manipulação
Dessa maneira, se por parte das elites é possível perceber um uso quase instrumental da “figura do rei” – uma intenção muitas vezes abertamente expressa de construção de uma representação de porte nacional, por meio da oficialização e proliferação de rituais, da criação de monumentos e de um “passado” cuja continuidade temporal levaria ao Império -, já na releitura das festas populares o que está presente é a imagem mítica do rei, de um rei sagrado e religioso que nesse sentido não tem data nem lugar.
Colocar a questão nesses termos implica admitir que o significado se faz em contexto, mas também privilegiar certa singularidade cultural, uma análise sincrônica que se vale do repertório específico de cada cultura. Na fronteira entre a história e a antropologia, essa perspectiva permite pensar, ainda, em permanências e releituras – em “estruturas mentais” – e, desse modo, na razão da fortuna ou do fracasso de determinadas simbologias, igualmente manipuladas.
Muitos são os sinais do uso de uma farta simbologia por parte dessa monarquia tropical, mas é talvez na produção iconográfica e na originalidade dos rituais que se concentram, de forma mais evidente, os rastros de tal trajeto, os sinais do diálogo com a realidade externa, retraduzida em termos locais. Como veremos, essa história não começa com d. Pedro II, porém é sobre ele que incide uma quantidade maior de imagens e de representações, como se o “corpo do rei” mediatizasse essas duas instâncias: a criação política e institucional de realeza de um lado, a figura mítica, marca do imaginário popular, de outro.
Imperador de 1840 a 1889, D. Pedro II teve sua vida contada a partir de episódios repletos de dramaticidade e destacada com basse neles. Primeiro monarca nascido no Brasil, Pedro, Pedro de Alcântara foi comparado ao Menino Jesus na tradição portuguesa, revisto como Imperador do Divino na ladainha brasileira, entendido como um novo d. Sebastião pelos últimos fiéis das previsões de Vieira. Filho de Bragança, Hadsburgo e parente direto dos Bourbon, d. Pedro era reconhecido como um pequeno deus europeu, cercado por mestiços. Órfão de mãe com um ano, de pai aos dez, imperador aos catorze e exilado aos 64, no seu caminho é difícil notar onde se inicia a fala mítica da memória, quando acaba o discurso político e ideológico; onde começa a história, onde fica a metáfora.
A saída é acompanhar passo a passo as trajetórias que envolveram a figura de D. Pedro II, que de órfão da nação se transforma em rei majestático; de imperador tropical e mecenas do movimento romântico vira rei cidadão, para finalmente imortalizar-se no mártir exilado e em mito depois da morte, com vistas a recuperar não tanto a sua história, mas antes sua memória, ou melhor, a seleção de determinadas memórias nacionais. Esse é ao menos o percurso que as imagens convidam a seguir. Nesse processo, nem sempre o discurso institucional caminhou junto com a ideação mais popular do rei que dialogou com contextos ainda anteriores à independência do Brasil, ou da vinda de d. João. No entanto, durante o Segundo Reinado e mesmo na “retradução” do exílio do rei na Europa é possível perceber como o “corpo do rei” é suporte para batalhas simbólicas de ordem diversa.
É certo que d. Pedro II não centralizou todas as decisões do Império, tampouco tomou parte do conjunto de manobras. Muitas vezes foi inserido numa grande representação como parte e não como artífice. É por isso mesmo que pouco importa descobrir se o monarca foi mais ou menos culto, muito inteligente ou pouco dotado. Melhor do que personalizar é buscar os caminhos de construção desse mito de Estado, desse monarca tropical.
Portanto, é tendo como cenário o Segundo Reinado, momento fundador de um modelo de nacionalidade, que se buscará entender os mecanismos de construção simbólica da figura pública desse monarca, em suas associações com o fortalecimento do Estado. Fértil na produção de um amplo leque de imagens, o Império brasileiro se destacou em seu papel de criador de ícones nacionais – entre hinos, medalhas, emblemas, monumentos, dísticos e brasões -, assim como concentrou esforços na boa costura da imagem do monarca, que parecia simbolizar a pátria. A idéia é, portanto, recuperar meios e processos pelos quais toma forma uma grande representação de d. Pedro II e do Império brasileiro. Tendo por base uma visão alargada do processo que leva à consolidação da imagem do governante, se buscará não só as grandes instâncias de efetivação, como as pequenas e cotidianas medidas. Se o exame da iconografia oficial revela facetas das produções da elite carioca, já os rituais e comemorações indicam outras leituras, mais populares, da mesma monarquia.
A reflexão sobre a monarquia brasileira leva, assim, à reconstrução de um sistema político (ligado à elite carioca que cerca a realeza), mas também a um imaginário monárquico, percebido justamente por meio da análise de rituais, costumes e tradições. No caso, porém, é a figura do imperador que está colocada bem no meio das duas instâncias, e não há outra opção senão percorrer a sua biografia destacando, contudo, momentos e locais da edificação dessa história, quando privilegiadamente recontam-se certos episódios em detrimento de outros.
Os capítulos foram construídos, pois, com base em documentos inéditos, iconografia do período e uma vasta bibliografia sobre d. Pedro II. Se de um lado essa produção foi de grande serventia, de outro foi preciso “dribla-la”. Muitas vezes laudatórias e em alguns casos – logo após a proclamação da República – francamente contrárias, as biografias constroem uma personagem, pelo elogio ou pelo descaso, destacada de qualquer contexto. Nelas, também, é difícil entender onde começa a história, onde termina o mito. Feito mito ainda jovem, d. Pedro II nas imagens oficiais é sempre mais velho que seu pai, confusão que atrapalha até hoje as crianças na escola, mas fala igualmente de uma iconografia política que se constrói por meio da história, que lembra um pouco e esquece muito, guarda certas imagens na memória e apaga outras. [...]
É preciso entender o milagre com base no desejo do milagre, no fenômeno da crença em um poder diverso e superior à própria humanidade. O paralelo com o famoso texto de Lévi-Strauss sobre a eficácia do feiticeiro e, nesse sentido, evidente. Afinal, é essa mesma lógica que leva o autor a concluir que o que explica a cura não são os cânticos e poções do xamã, mas o fato de que um grande “xamã” é obra do consenso. “Quesalid não se tornou um grande feiticeiro porque curava seus doentes; ele curava seus doentes porque se tinha tornado um grande feiticeiro.” Dessa maneira, assim como não há por que duvidar da adesão dos monarcas – e/ou dos feiticeiros – à sua missão, é também claro que, em ambos os casos, a lógica da crença no milagre é anterior e mais forte do que o milagre em si, já que baseada em um consenso que é coletivo e simbólico. [...]
Com base em centenas de retratos da família imperial, em paisagens e imagens de instituições nacionais; no testemunho das viagens do imperador e da sua passagem por exposições universais ou visitas a estabelecimentos científicos; no registro de experimentos ou das marcas da Guerra do Paraguai, guardadas apenas nos uniformes militares... compõe-se um esforço de construção e de perpetuação de determinada memória nacional. Trata-se, portanto, não de um amontoado de imagens, mas de uma “coleção” feita de muitas lembranças e de várias lacunas. Se o Dicionário Aurélio tem razão em sua definição, estamos diante de um “conjunto ou [de uma] reunião de objetos da mesma natureza ou que têm qualquer relação entre si”. O seu coletivo revela como são pequenos os limites entre os poucos momentos de intimidade de um monarca e a sua feição oficial de estadista. Afinal, a coleção carrega não só as imagens do imperador e de sua família como os grandes temas do século XIX – as artes, o urbanismo, a arqueologia, a biologia, a botânica, a mineração, a saúde pública... – os eventos mais importantes da época e retratos de “nossa gente”.
A coleção mostra ainda o que o imperador vê e, pela falta, aquilo que não vê ou quer esquecer. É assim que, se os trópicos aparecem a todo momento, a escravidão está ausente, como figurante oculto das cenas. Com efeito, é uma certa civilização que aparece representada, selecionando uma memória e um tipo de lembrança.
Como qualquer coleção, a “de d. Pedro” guarda, também, um tipo de classificação. Não basta, porém, recuperar sua lógica original; é possível interpretar as alegorias, descobrir alterações e faze-las dialogar com os contextos a que dizem respeito. Como se verá, as imagens distinguem-se por sua técnica – xilogravura e litogravura, pinturas à óleo, aquarelas, nanquim e carvão, caricaturas e fotografias a partir dos anos 60 (entre daguerreótipos, ferrotipias ou ambrotipias) – e pelo momento a que se referem. No entanto, entre tantos retratos oficiais, imagens feitas para a divulgação no exterior, desenhos apenas rascunhados, ou as poucas cenas de maior intimidade, podemos encontrar regularidades dignas de destaque, referências que só o conjunto do material pode ofertar. Com efeito, são mais de seiscentos Pedros que nos observam, enquanto os observamos, como se pudéssemos ver não apenas o crescimento cronológico dessa personagem, mas momentos diversos de sua construção como símbolo do Estado.
Nesse processo selecionaram-se os momentos em que a atuação e presença de d. Pedro são mais evidentes. [...] Nesses momentos, fortemente pautada em uma agenda de festas, rituais e imagens, a monarquia brasileira se serviu à larga das representações simbólicas que envolvem o poder monárquico e que evocam elementos históricos de longa duração, associando o soberano à idéia de justiça, ordem, paz e equilíbrio. [...]
É assim, no privilégio à dimensão simbólica, aos mecanismos de construção da memória da monarquia brasileira, que se pode encontrar novidade nessa história tão conhecida e vasculhada pelas biografias. Tal recorte, se não permite elaborar um sistema total de explicação, introduz uma dimensão nova: o terreno mágico, sagrado e simbólico de uma realeza que, ao mesmo tempo que – nas mãos da elite local – atualizou a tradição, a fez dialogar com as representações locais – “aparatos intelectuais”, anteriores a seu estabelecimento.[...]
Como símbolo da união, a realeza parecia ser a melhor saída possível para evitar a autonomia e possível separação das províncias; sòmente a figura de um rei congregaria esse território gigantesco, marcado por profundas diferenças. É assim que as elites locais optam pela monarquia, na esperança de ver no jovem rei um belo fantoche. [...]
Frutos de muitos acordos, a originalidade e a garantia de uma emancipação monárquica, em pleno contexto americano e republicano, não eram tarefas fáceis, nem interna, nem externamente. Nesse sentido, foi fundamental a figura de José Bonifácio – futuro tutor dos filhos do monarca -, que juntamente com a elite do Centro-Sul, a qual gravitava em torno da nova corte, empenhou-se na manutenção da unidade territorial do Império brasileiro, impedindo que se repetisse o exemplo da América espanhola. Era assim que se tomavam na ex-América lusitana as medidas necessárias para que se evitasse a alternativa republicana, então considerada a “vocação natural das Américas”.
Foi por isso que, logo após a independência política de 1822, investiu-se muito no cerimonial da realeza e no estabelecimento de determinadas memórias. D. Pedro foi aclamado imperador em 12 de outubro de 1822 – data a princípio considerada mais importante que o próprio Sete de Setembro. Além disso, desejando romper com o costume português, de um lado, e influenciado pela sagração e coroação de Napoleão, em 1804, de outro, d. Pedro I envolve-se na realização de uma importante cerimônia religiosa, de origens bíblicas, e regida, com detalhes, pelo livro 1 do antigo Pontificial romano. Nesse documento estabelecia-se que os soberanos deveriam ser ungidos e sagrados no contexto solene da missa pontificial, costume que os reis portugueses haviam abolido fazia muito tempo. A cerimônia aconteceu no dia 1º de dezembro de 1822, na então Capela Imperial, sendo celebrada pelo capelão-mor d. José Caetano da Silva Coutinho, que sagrou o novo imperador e o coroou com óleo santo. Como testemunho do acontecimento ficou a grande tela de Jean Baptiste Debret, que retrata pormenorizadamente o caráter rigoroso e fiel do ritual. Por meio da alteralidade buscava-se destacar o surgimento de uma nova história, por suposto diferente da antiga metrópole portuguesa.
O novo império, contudo, não só dialogaria com a tradição: introduziria elementos da cultura local. Construía-se, a partir de então, uma cultura imperial pautada em dois elementos constitutivos da nacionalidade emergente: “o estado monárquico, portador e impulsionador do projeto civilizatório, e a natureza, como base territorial e material deste Estado”.
Com efeito, ainda em 1822, é elaborada pelo mesmo artista – que já fora responsável por criar todas as imagens oficiais do período de d. João VI – uma alegoria especialmente idealizada para o pano de boca de uma apresentação teatral que celebrava a coroação de D. Pedro primeiro imperador do Brasil. Debret, “um neoclássico de quatro costados” e discípulo direto de David, talvez em razão do sentimento social aguçado de sua escola, encontra empecilhos para dialogar com um contexto tão diverso de sua França revolucionária. Segundo Rodrigo Naves, o elogio da virtude e da exemplaridade deveria se mostrar por meio da forma ideal e da caracterização do herísmo neoclássico. No entanto, em face do cotidiano da escravidão e de uma corte transplantada, parecia difícil traduzir essas “idealidades formais para uma realidade totalmente estranha aos pressupostos”.
Nesse caso porém, a alegoria deveria agradar; nela o Império do Brasil apareceria com toda a sua pompa mas também originalidade. Além de estar confiado a Debret todo o programa de festas, ficou sob a responsabilidade do artista esse primeiro símbolo oficial da realeza brasileira. Diz Debret: “[...] Em tais circunstâncias, sentiu o diretor do teatro mais do que nunca a necessidade de substituir a pintura de seu antigo pano de boca representando um rei de Portugal cercado de súditos ajoelhados. Pintor de teatro, fui encarregado da nova tela, cujo bosquejo representava a fidelidade geral da população brasileira ao governo imperial, sentado em um trono coberto por uma rica tapeçaria estendida por cima de palmeiras”.
Tendo passado pela inspeção e aprovação do imperador e de José Bonifácio, a pintura sintetizava uma série de elementos dispersos da nova nacionalidade. Nada melhor do que dar voz à própria descrição reveladora do “discípulo de David”:
[...] O governo imperial é representado, nesse trono, por uma mulher sentada e coroada, vestindo uma túnica branca e o manto imperial brasileiro de fundo verde ricamente bordado a ouro; traz no braõ esquerdo um escudo com as armas do Imperador e com a espada na mão direita sustentando as tábuas da Constituição brasileira. Um grupo de fardos colocados no envasamento é em parte escondido por uma dobra do manto, e uma cornucópia derramando frutas do país ocupa um grande especo no centro dos degraus do trono. No primeiro plano, à esquerda vê-se uma barca amarrada e carregada de sacos de café e de maços de cana-de-açúcar. Ao lado, na praia, manifesta-se a fidelidade de uma família negra em que o negrinho armado de um instrumento agrícola acompanha a sua mãe, a qual, com a mão direita, segura vigorosamente o machado destinado a derrubar as árvores das florestas virgens e a defende-las contra a usurpação, enquanto com a mão esquerda, ao contrário, segura ao ombro o fuzil do marido arregimentado e pronto para partir [...] Não longe uma indígena branca, ajoelhada ao pé do trono e carregando à moda do país o mais velho de seus filhos, apresenta dois gêmeos recém-nascidos para os quais implora a assistência do governo [...] Do lado oposto, um oficial da marinha [...] No segundo plano um ancião paulista, apoiado a um de seus jovens filhos que carrega o fuzil a tiracolo, protesta fidelidade; atrás dele outros paulista e mineiros, igualmente dedicados e entusiasmados, exprimem seus sentimentos de sabre na mão. Logo após esse grupo, caboclos ajoelhados mostram com sua atitude respeitos o primeiro grau de civilização que os aproxima do soberano. As vagas do mar, quebrando-se ao pé do trono, indicam a posição geográfica do Império.
A alegoria de Debret representa, sem dúvida, “o Estado corporificado no trono imperial, que cumpria uma missão de submeter a seu domínio um outro diferente de si. Cumpria ainda uma missão civilizatória diante deste outro”. Mas não basta ficar na análise exclusivamente política dessa imagem. É possível dizer que estamos diante de uma “grande inauguração”: a de uma representação mais ou menos formalizada de uma monarquia que aqui se instala, buscando tradução em elementos tropicais.
Se o desenho já não fosse em si evidente, a descrição de Debret cuidaria do resto. Valendo-nos de ambos vemos como o pano de boca de Debret condensa, em uma só cena, elementos fundamentais da nova identidade. O trono, bem no centro da cena, garante o olhar em direção à representação do imperador – com o P e a coroa logo acima da figura: a imagem de uma mulher que carrega a Constituição, no caso o símbolo maior do progresso ocidental.
A tela é toda concebida com base na idéia de que uma nova civilização se montava, decididamente nos trópicos. Negros em atitude de fidelidade dividem a cena com uma indígena (uma autóctone) de pele branca mas que carrega os filhos “ao modo do país”. Selvagens ao fundo, com suas flechas, declaram lealdade ao lado dos paulistas, mineiros e da Marinha, em plano mais evidente. Caboclos recuperam, por meio da imagem, “o grau de civilização” a que podem chegar. As frutas, bem no centro, são todas tropicais, além das palmeiras e da vegetação, que compõem um quadro decididamente exótico. Por fim, as vagas do mar deságuam no grande trono, assim como o Atlântico, que nos separava e unia à “civilização”. Enfim, vindo de uma artista que se esmerou em elaborar uma série de símbolos para essa corte tão singular – entre retratos, uniformes e condecorações -, o pano de boca aparecia como um forte ícone de um Estado criado sob o signo da diferença.
Destacando a monarquia brasileira de sua matriz luzitana, os novos símbolos da terra ganham um caráter inaugural, como se toda a história começasse no ato que constituía a nação independente. Unidas e irmanadas por meio da realeza – representada pela figura da mulher sentada no trono com o texto da Lei nas mãos -, uma nação miscigenada arma-se para defender a monarquia constitucional, legitimada pela adesão de “seu povo”. No entanto, apesar dessa exuberância de detalhes, na imagem de Debret, como afirma Naves, “há uma rigidez mal resolvida, a produção de uma grandiosidade meio naif fiel talvez ao espírito acanhado da monarquia brasileira, mas muito limitada enquanto pintura”.
Não havia como esquecer a existência da escravidão, que por sua vez tornava a monarquia brasileira absolutamente singular. Na época, 45,6% de um total de 79.321 pessoas eram escravos no Rio de Janeiro, dando às ruas um colorido especial. Nesse Império, o universo do trabalho resumia-se ao mundo dos escravos. Vendedores ambulantes, negras quituteiras, negros de ganho oferecendo-se como pedreiros, barbeiros, alfaiates, funileiros e carpinteiros eram figuras obrigatórias nas ruas da cidade.
Mas a vivacidade das ruas não correspondia à estrutura da sociedade, hierarquizada, violenta e desigual. Aí se apresentava a grande contradição, que não se limitava ao traço de Debret; como afirmar a imagem civilizada e constitucional dessa monarquia ao lado da realidade escravocrata?
Não obstante, nas imagens oficiais era a mistura de elementos que dava colorido à jovem nação que se emancipava. Cem anos depois, um artista popular anônimo, mostrava como era forte o imaginário desses momentos inaugurais. No quadro a seguir, d.Pedro I aparece ao lado de José Bonifácio, o artista Debret logo atrás. Trata-se da elaboração dos emblemas do novo país, mas o que mais interessa é a união dos personagens. Perto das figuras oficiais uma negra escrava (ajoelhada) e um indígena com expressão pensativa observam a grande cena. Bela imagem de congraçamento, nessa releitura popular de inícios do século XX.
O ÓRFÃO DA NAÇÃO:
“O CÉU SABE O QUE FAZ”
Madrugada alta de 2 de dezembro de 1825. Nesse dia a corte do Rio de Janeiro acordou com o estrondo das salvas em fortalezas e navios. Nascera às duas e meia o príncipe herdeiro de todas as esperanças nacionais, ou ao menos das elites brasileiras, tão preocupadas com o fantasma do desmembramento do país.
Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga era um nome tão grande quanto as aspirações que giravam em torno desse “pequeno príncipe” de 58 centímetros: o primeiro a nascer em território nacional. O imperador vinha ao mundo antes do menino, ou parafraseando Roberto Da Matta: “d. Pedro II não nasceu, foi fundado; tornou-se patrimônio nacional”; já nasceu como “um rei autóctone”.
O jornalista Pedro Plancher, do Spectador Brasileiro, na ocasião, apressava-se em vincular a data de nascimento do príncipe-herdeiro à sorte eminente: “A anarquia morreu na França no dia 2 de dezembro; a coroa de Carlos Magno vingou nesse dia os atrozes insultos feitos aos netos de Henrique IV. O céu sabe o que faz”.
O herdeiro do trono trazia no nome, assim como seu pai, a homenagem ao santo padroeiro: Pedro de Alcântara. A Casa de Bragança era devota de certos santos e entre eles estava esse, um santo de origem espanhola, sempre associado aos doentes e canonizado logo após a Contra-Reforma.
Antes mesmo do nascimento de Pedro II, estavam dadas as ordens para os procedimentos que participariam e festejariam a encarnação do primeiro príncipe brasileiro. Três tiros de foguete anunciariam a chegada de um menino; fosse menina, apenas dois. E nos dias seguintes, até o batizado, se fariam demonstrações festivas com repiques de sinos, salvas e luminárias. Desse modo, seria impossível ignorar que a monarquia instalada pelos portugueses em terras tropicais – recém-libertas de seu jogo colonizador pelo próprio príncipe português – se revigorava, ressurgindo num ad eternum e dessa vez muito bem enraizada. E apesar de já nascer sob uma monarquia constitucional, o menino herdeiro da Coroa era apresentado à nação justificado pela ação divina de míticos anjinhos.
Com efeito, a imperatriz d. Maria Leopoldina de Hadsburgo (arquiduquesa da Áustria e filha de Francisco I, imperador da Áustria) e d. Pedro I (da Casa Real Portuguesa de Bragança) já tinham quatro filhas e “imploraram aos céus” para que daquela vez viesse o tão esperado varão. Depositavam-se nele as esperanças de continuidade do recém-fundado Império.
Não eram poucas, portanto, as promessas atribuídas a essa personagem que teria sua vida toda coberta por uma aura mística, resultado de uma concepção divina herdada da monarquia medieval européia, mas, sobretudo, do contexto político e cultural local. Pela linha paterna, o príncipe imperial descendia de reis e antepassados ilustres, imortalizados pela prosa portuguesa. D. Pedro era o oitavo duque de Bragança, cuja família estava entrelaçada com os Capetos da França.
Pela linha materna, d. Pedro era ligado ao imperador Francisco I, da Alemanha, da Áustria, da Hngris e da Boêmia, ele mesmo filho de Leopoldo II, imperador da Alemanha e irmão de Maria Antonieta, mulher de Luís XVI. Descendia também de Francisco José, duque de Toscana, marido de Maria Teresa, imperatriz da Alemanha, da Áustria e da Boêmia. Sua genealogia – como aliás a de todos os monarcas – ia longe: chegava a Santo Estevão, rei da Hungria; a Filipe II, a Filipe IV; aos reis de Aragão e Castela, e aos reis da França.
Carregando a criança imperial, portanto, a herança dos Bourbon, dos Hadsburgo e dos Bragança, seu batizado cercou-se de uma mística incomum. Os “fantasmas” de tantos reis, imperadores e aventureiros, príncipes ilustrados, românticos ou melancólicos, acompanhariam a vida desse príncipe de tanta tradição européia, aliados ao imaginário local, impregnado pela lógica das festas populares, em que a realeza era quase um emblema.
Mas, já na primeira infância, a representação do “órfão da nação” começa a se delinear. Na verdade, se nos meses seguintes à independência d. Pedro I foi aclamado por conta de sua alta linhagem, juventude (o rei fora elevado ao trono com 24 anos) e até em virtude da virilidade, comprovada por suas histórias amorosas, essa situação iria logo se modificar. O Império não andava nada bem, entre outros motivos, por causa do voluntarismo do jovem imperador d. Pedro I, pai de Pedro de Alcântara. Os reflexos da imposição da constituição de 1824 se faziam sentir, sobretudo em razão do artigo 98, que criava ao lado dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário um quarto poder: “O poder moderador é a chave de toda organização política, e é delegado privativamente ao imperador como chefe supremo da nação e seu primeiro representante, para que, incessantemente, vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos demais poderes políticos”. [...]
Por outro lado, em relação a d.Pedro, começava a ficção de um menino de seis anos que permanecia sob a orientação de dirigentes e tutores. Transformado mais uma vez em órfão, o “pupilo da nação” teve que ser colocado em uma pequena bancada para que, assustado, pudesse observar a multidão que o aclamava. [...]
Como em um passe de mágica, a realidade virava mito e o mito realidade. É isso que deixam transparecer as biografias mais tradicionais, que descrevem a partida de D. Pedro I envolta em um clima de grande emoção, além de destacarem frases de efeito da jovem madrasta, d. Amélia, que entre lágrimas pedia “às mães brasileiras que cuidassem de seu pequeno, assim como zelavam por seus próprios filhos”, ou declamava: “Adeus querido imperador, vítima da tua grandeza antes que a saibas conhecer” (carta de 25 de abril de 183l). [...]
[...] O imperador iniciava sua vida cívica envolto de um suntuoso teatro, o da sua precoce maturidade. As roupas de adulto, os gestos maduros, as lições avançadas, a fama de filósofo, tudo contribuía para fazer do monarca um personagem excepcional, estranho a si mesmo. Talvez o momento em que essa situação se evidenciou de forma mais clara tenha sido o ritual de sagração e coroação de d. Pedro II, em 1841. Um espetáculo jamais visto estava para acontecer. Este deveria ser mesmo “memorável”, no sentido de imprimir uma memória; fazer guardar, por meio do ritual, o novo início de uma história cívica nacional. Nele, duas dimensões se manifestariam: o caráter estratégico imposto pelas elites, o lado maravilhoso e sacro que envolve a coroação dos reis.
Os índios Jê-Timbira narram a origem do homem branco com base nas aventuras de Aukê:
Uma rapariga de pátio de nome Amcukwéi estava grávida. Certo dia, quando em companhia de muitas outras tomava banho, ouviu de repente o grito de “preá”. Admirada, olhou para todos os lados sem descobrir de onde o ruído partira. Logo depois escutou-o novamente. Voltando para casa, deitou-se na cama de varas, e o grito se fez ouvir pela terceira vez, reconhecendo ela, agora, que o som partira do interior do seu próprio corpo. Foi a criança quem falou: “Minha mãe, tu já estás cansada de me carregar?”. “Sim, meu filho”, respondeu ela, “saia [...]” Amchkwéi começou a sentir as dores de parto e foi só para o mato. Deitando folhas de pati no leito do chão prometeu: “Se fores menino eu te matarei, se fores menina eu te criarei [...]”. Nasceu um menino e Amcukwéi cumpriu sua palavra: cavou um buraco, sepultou seu filho, ainda vivo, e voltou para casa. Sua mãe, vendo-a chegar, perguntou pela criança e, quando se inteirou do sucedido, ralhou com a filha: que tivesse trazido o menino porque ela, a avó, o criaria. Não contente com isso, a mãe de Amcukwéi desenterrou a criança e depois de lava-la trouxe-a para casa. Amcukwéi não lhe quis dar de mamar, mas a avó o amamentou. Foi então que o pequeno Aukê levantou-se e disse:
“Então não me queres criar?”. Amcukwéi, muito assustada, respondeu: “Sim, eu te criarei”.
Aukê cresceu rapidamente. Ele possuía o dom de transformar-se em qualquer animal [...] Então, um dia, seu tio resolveu mata-lo. Estando o menino sentado no chão comendo bolo de carne, o tio bateu nele, forte e por trás, com um cassetete, enterrando-o atrás da morada. Na manhã seguinte, porém, o menino, cheio de terra, voltou [...] Seu tio resolveu desfazer-se dele de outra maneira: chamou-o para buscar mel [...] Chegando ao cume da terceira serra, o irmão de Amcukwéi agarrou o menino, atirando-o em seguida no abismo. Mas Aukê transformou-se em folha seca e desceu vagarosamente em espirais até o chão [...] O tio, no entanto, logo concebeu um novo plano para matar Aukê: sentando-o numa esteira, deu-lhe comida [...] Foi então que o abateu pelas costas, usando um cassetete, e queimou-lhe o corpo inteiro. Abandonaram em seguida a aldeia, mudando-se para um lugar bem longe.
Algum tempo depois Amcukwéi pediu aos chefes e conselheiros que mandassem buscar as cinzas de Aukê [...] Quando os dois chegaram ao lugar, descobriram que Aukê tinha se transformado em homem branco; construíra uma casa grande e agora criava negros [...] e cavalos de madeira do bacuri. O rapaz chamou os dois enviados e mostrou-lhes a sua fazenda. Depois mandou chamar Amcukwéi para que morasse com ele. Aukê é agora o Imperador d. Pedro II, pai dos brancos. [grifos meus].
Qualquer história permite, por certo, várias narrativas e inúmeras leituras. Neste caso, o mito de Aukê ajuda a entender a monarquia brasileira como uma experiência partilhada por diversas visões e sujeita a muitas recuperações. No caso, Aukê torna-se branco, o Branco por excelência, senhor e distribuidor de riquezas, identificado, por sua vez, com d. Pedro II. Assim, se o mito anuncia uma situação de desigualdade, remete também a uma sentido que lhe é anterior ao misturar cosmologias. Com efeito, o monarca parece aglutinar nesse contexto representações distintas. Pai de todos os brancos, na versão do mito jê; d. Sebastião nos trópicos, em um transplante do mito português introduzido por Bonifácio, que, leitor de Vieria, encarna em um Bragança o papel de “encoberto”; rei que divide a realeza com o príncipe Oba, o qual percorre as ruas do Rio; paródia do rei do Congo com sua rainha Ginga – d. Pedro II, por meio dessas releituras de época, é um “monarca com muitas coroas”. Homenageado em algumas festas, tal qual o rei dos reis, em outras é esquecido ou torna-se personagem subalterno. Às vezes o cortejo passa diretamente por d. Pedro, e desvia em sua homenagem; outras vezes a procissão segue longe e obriga o monarca a tomar parte dela como figurante quase secundário.
Imperador que empresta o nome à festa do Divino – na feliz tradução de José Bonifácio -, d. Pedro II compactuou com uma cultura que, ao mesmo tempo que se europeizou com sua presença, tornou-se mestiça, negra e indígena no convívio, por certo desigual, de tantas culturas. Na dinâmica interna entre estas vingaram a reelaboração e a criação de novas imagens e rituais.
Afinal, como explicar a permanência, por quase sessenta anos, de uma monarquia rodeada de repúblicas por todos os lados? Como entender o enraizamento de uma realeza Bragança, mas também Bourbon e Hadsburgo, em um ambiente tropical, cercado de indígenas, negros e mestiços? A resposta é estranhar o que parece tão natural em nossos compêndios de história. Longe das luxuosas cortes européias, a capital da monarquia brasileira, em 1838, possuía cerca de 37 mil escravos numa população total de 97 mil habitantes, e em 1849, em uma população de 206 mil pessoas, 79 mil cativos. Além disso, 75% dos escravos eram, em média, africanos, dado que indica a importância da população de cor na cidade do Rio de Janeiro. Por outro lado, os grupos indígenas, tão afastados da corte e dizimados de forma bastante sistemática, eram convertidos, porém, em símbolo da monarquia. Distantes enquanto realidade, ganhavam vida na representação; nos quadros e alegorias, nas esculturas e nos títulos de nobreza.
Nesse ambiente, a corte e os paços representavam ilhas com pretensões européias cercadas de mares tropicais, e sobretudo africanos, por todos os lados. Testemunhos de época falam de como as ruas eram tomadas pelos negros – escravos ou não - , que se dedicavam às mais diferentes ocupações e preenchiam os lugares com seus gestos, cores e expressões tão peculiares. “Se não soubesse que ela fica no Brasil poder-se-ia toma-la sem muita imaginação como uma capital africana, residência de poderoso príncipe negro, na qual passa inteiramente despercebida uma população de forasteiros brancos puros. Tudo parece negro [...]”, dizia Lallemant em 1859.
D. Pedro II era, portanto, imperador, o grande monarca e “pai dos brancos”, mas aparecia muitas vezes, em meio a outras divindades. Afinal, reis e príncipes africanos “pontilham a história dos escravos trazidos para a América” – com direito a beija-mão e salamaleques, como bem mostrou Debret em suas descrições de funerais de príncipes africanos no Rio de Janeiro.
Com efeito, as relações entre Brasil e África – oficiais ou não – caracterizaram-se, desde os tempos coloniais, por uma troca mais alargada do que se pode, à primeira vista, imaginar. Partes opostas do mesmo comércio negreiro de seres humanos, centralizado por Portugal, entre dois continentes desenvolveram-se ligações que excederam o aspecto exclusivamente econômico. Segundo Alberto da Costa e Silva, “a África recebeu e africanizou a rede, a mandioca e o milho, enquanto o Brasil fazia seus o dendê, a malagueta e a panaria da Costa”. Na verdade, as trocas se deram nas duas direções, e dos dois lados do Atlântico ficava-se sabendo o que acontecia. Não é à toa que foram dois reis africanos – Oba Psemwede, do Benim, e Ologum Ajan, de Eko, Onim ou Lagos – os primeiros a reconhecer a independência do Brasil.
É por isso mesmo que, em pleno território brasileiro, reis e nobres africanos, vendidos como escravos por motivos de guerra ou por simples desafetos, desterrados em função do “infame tráfico”, buscaram reconstruir estruturas políticas e religiosas de suas terras distantes. Caso famoso é o de Nan Agotiné, a mãe do rei Guezô, do Danxomé, Dangomé, Daomei ou Daomé,que, vendida por traficantes, teria refeito seus altares e sua corte na Casa das Minas, em São Luiz do Maranhão. Outros voltaram à terra, como o príncipe Fruku, que viveu no Brasil durante 24 anos e retrnou à Costa dos Escravos com o nome de d. Jerônimo. Lá chegando, disputou o trono do Danxomé e só por pouco perdeu para Agonglo. Como diz Verger, “africanos do Brasil e brasileiros da África [...] conseqüência imprevista do fluxo e refluxo do tráfico de escravos [...]”.
Além dos príncipes oriundos de elites dirigentes na África, habitaram no Brasil os reis alegóricos, das congadas, cavalhadas e batuques, que, no curto espaço das festas, representavam a autoridade máxima então constituída, isso para não falar das chefias tribais. Essa convivência entre tantos reis – imaginários ou não – permitia o surgimento de compreensões diferentes da realeza e mesmo de certa recepção positiva da monarquia. Escreve João José Reis: “Havia uma mentalidade monarquista, por assim dizer, circulando entre os negros, que parece ter sido recriação de concepções africanas de liderança, reforçadas em uma colônia, e depois um país, governado por cabeças coroadas. É aliás conhecida a popularidade de d. Pedro II entre os negros cariocas [...] A visão do rei como fonte de justiça [...] existia igualmente na América, inclusive entre os escravos”.
Por outro lado, na medida em que a realeza representava uma instância de poder comum a diferentes universos culturais, nos rituais várias monarquias se encontravam, a despeito da total ausência de liberdade nas esferas sociais e políticas. Os “reis” que habitavam o Brasil tinham uma convivência não democrática mas ao menos freqüente: “o rei Baltasar, o rei do Congo e o vice-rei de Portugal” iam homenagear o Imperador do Divino, fazendo o mesmo com os reis magos, no dia de Reis. Essas “majestades” também honraram o príncipe d. João VI na ocasião de sua coroação. Na Independência, o “rei Carlos Magno e seus doze pares de França” homenagearam o imperador Pedro I com espetáculos de cavalhadas. E que não se esqueça do rei Oba, que todo sábado se dirigia ao palácio a fim de beijar a mão do imperador Pedro II, nos últimos anos do Império.
Esses reis dialogavam não só entre si mas também com os santos. Com efeito, no Brasil religião e realeza estão ligadas de forma muito peculiar. Aqui não se atribui ao rei poderes mágicos ou transcedentais, como no caso clássico francês dos reis taumaturgos estudados por Bloch, porém de toda maneira o ritual local aprimora o “fraco” cerimonial dos Bragança. No Brasil, os imperadores passam a ser ungidos e sagrados, numa tentativa de dar sacralidade a uma tradição cuja inspiração ara antiga mas a realização datada. Nesse movimento, ao mesmo tempo que os monarcas ganham santidade, os santos, quando muito adorados, ganham realeza no Brasil. O Divino Espírito Santo recebe um império, o deus Momo vira, anos mais tarde, rei Momo. De qualquer modo, mantos imperiais convivem com mantos divinos, e o imaginário da realeza acaba permeando fortemente o catolicismo brasileiro, da mesma maneira que uma série de manifestações populares, como o Carnaval – com seus impérios, reis, rainhas e enredos -, se nutre de cenas da monarquia.
Entre tantas “coroas e santos” não seria mesmo o caso de eleger uma interpretação fiel da realeza européia e de suas tradições, mas sobretudo de entender como nesse ambiente, ainda que com base em leituras diferentes, a hierarquia e a autoridade real eram retraduzidas e compreendidas.
É Gilberto Freyre, em seu texto “Dom PedroII, imperador cinzento de uma terra de sol tropical”, quem conclui que o monarca, apesar de sua alma protestante, adotou, em determinados períodos do Império, uma ritualística local. Com seu manto verde como a nação, a coroa e a murça de penas de papo de tucano, mais próprios a um “Luiz XIV dos trópicos”, d. Pedro II dialogava com seus súditos, assim como eles o reimaginavam valendo-se de leituras particulares.
Desse modo, sem esquecer a existência das relações de dominação, inegavelmente assimétricas entre senhores e escravos, é possível voltar os olhos para o diálogo entre categorias culturais distintas e perceber a presença de elementos comuns, se não em seu conteúdo ao menos em sua forma, que permitem entender o estabelecimento de um repertório local e particular de imagens da monarquia.
Para citar apenas alguns elementos isolados: o que significa inventar uma corte em território americano, buscar todas as regras na mais fiel tradição medieval européia, mas adotar nomes e títulos indígenas? Como explicar um príncipe que se veste com o rigor majestático das grandes cortes, porém introduz uma murça de penas de papo de tucano, tal qual um cacique, e um manto com ramos de café e tabaco? O que dizer da famosa Fazenda de Santa Cruz, tirada dos jesuítas quando de sua expulsão e protegida pelos monarcas portugueses aqui residentes, que agrupava um número elevado de escravos-cantores de música sacra? De que maneira entender um imperador que sentava na frente dos estandes brasileiros das exposições universais – verdadeiras festa de exibição dos feitos tecnológicos e industriais das nações capitalista – e exibia sua coroa ao lado de produtos indígenas e da arte popular?
Por outro lado, se for correta a versão que diz ser o termo império não só uma referência à extensão do território, ou uma homenagem de d. Pedro I a Napoleão – segundo seus biógrafos, sua maior influência -. Mas uma alusão ao imperador da festa do Divino, estaríamos diante de um regime que desde os momentos de fundação dialogava com as culturas locais, criando novos significados para tradições longínquas.
Cada um desses temas – que resultaram em capítulos específicos – fala em seu conjunto de uma “monarquia tropical”, entendida como uma exceção no contexto local e exótica diante dos exemplos europeus. Na verdade, no interior do continente americano. O Brasil era visto com desconfiança pelas demais republicas, para as quais era difícil entender a opção pelo regime monárquico e sua continuidade. Mesmo levando-se em conta o acalentado sonho de Bolívar – que não só se inclinou para a monarquia como se deparou com a fidelidade da maior parte da população à Coroa -. A experiência do general Iturbide no México em 1822, ou mesmo o frágil Império haitiano de Dessalines, que durou de 1804 a 1806, para não falar da dramática e breve experiência do arquiduque austríaco Maximiliano (primo de D.Pedro II, fuzilado em junho de 1867), o fato é que, como afirma Francisco Iglesias, todas as demais experiências monárquicas em território americano têm caráter “quase tribal e anedótico, quando não são farsas trágicas como no caso mexicano”. A partir da doutrina Monroe (1823) – mais conhecida por seu lema “A América para os americanos” – a imagem do regime monárquico ficou associada a alguns países europeus, ao passo que aumentou a ingerência norte-americana no sentido de coibir o surgimento de realezas nas Américas.
Cercado de repúblicas. O modelo monárquico brasileiro contava, portanto, com obstáculos adicionais para o seu reconhecimento: de um lado, o boicote das demais nações americanas; de outro, a difícil comunicação com os países europeus (desconfiados da relação estreita que o Estado imperial continuava mantendo com os países africanos e com o comércio negreiro).
Dessa forma, mesmo após o reconhecimento inglês e o português, parecia necessário a afirmação de uma imagem que distanciasse a monarquia brasileira da idéia de anarquia p tão comumente associada às repúblicas americanas -, do “comércio de almas” e de um sistema escravocrata persistente e difundido, sobre o qual se estruturavam a sociedade e a economia local. É justamente por isso que desde os primeiros anos de independência houve um investimento evidente na divulgação de uma representação ao mesmo tempo comum e peculiar desse longínquo império. Comum, na medida em que se procurou afirmar todo o tempo a feição européia de nossa monarquia – aparentada não só aos Bragança como aos Bourbon e Hadsburgo – e o caráter civilizacional do Império, afeito às novas tecnologias e idéias de progresso. Peculiar, já que havia o Atlântico a nos separar e toda uma realidade social e geográfica a nos distinguir. Velho conhecido dos viajantes, o Brasil foi sempre destacado como o local da “grande flora” – com sua vegetação edênica -, mas também como o país da miscigenação extremada, dos indígenas e da escravidão. Não havia, pois, como deixar de lado a faceta tropical do jovem Império.
Na tentativa de garantir e criar uma nova nação, desvinculada da “pátria”, que era ainda portuguesa, as elites do sul do país apostaram claramente, portanto, na monarquia e na conformação de uma ritualística local. A realeza aparecia, em tal contexto, como único sistema capaz de assegurar a unidade do vasto território e impedir o fantasma do desmembramento vivido pelas ex-colônias espanholas. É nesse sentido que a monarquia se transforma em um símbolo fundamental em face da fragilidade da situação. Transcendendo a figura humana do rei, as representações simbólicas do poder imperial evocavam elementos de “longa duração” que associavam o soberano à idéia de justiça, ordem, paz e equilíbrio. Afirmava José Bonifácio em Notas íntimas: “Acusam-me alguns de que plantei a Monarquia. Sim, por que vi que não podia ser de outro modo então; porque observava que os costumes e o caráter do povo eram eminentemente aristocráticos; porque era preciso interessar às antigas famílias e aos homens ricos que detestavam ou temiam os demagogos [...] Sem a monarquia não haveria um centro de força e união, e sem esta não se poderia resistir às corte de Portugal e adquirir a Independência Nacional”. Entre continuidades e rupturas dinásticas, persistências rituais e atualizações, misturaram-se valores seculares e profanos: não se abriu mão da origem européia, mas esta se combinou com um ambiente singular.
É, portanto, privilegiando essa dimensão simbólica da representação da realeza que se pode penetrar em facetas pouco estudadas, porém fundamentais na recuperação de modelos de sociabilidade até hoje presentes. Coube à monarquia brasileira seguir um trajeto ao mesmo tempo próprio e comum, que correspondeu à essência de uma cultura enxertada mas que acompanhou a diferenciação da sensibilidade local. Aí estaria “uma cópia bastante original”; uma cultura que se construiu com base em empréstimos ininterruptos, os quais, no entanto, incorporou, adaptou e redefiniu ao justapor elementos externos a um contexto novo.
Talvez seja essa a razão da pouca legitimidade inicial dos símbolos republicanos, em um país ainda atrelado à eficácia e à inserção alargada dos emblemas da realeza. O fato de os ícones da República mais bem-sucedidos – como o hino e a bandeira – estarem de alguma maneira ligados à simbologia monárquica evidencia não apenas o pequeno impacto da “invenção de tradições” republicanas, como sobretudo a penetração de uma simbologia imperial, para além dos marcos políticos oficiais.
José Murilo de Carvalho demonstrou como a mesma elite que ajudara a derrubar a monarquia lutava pela implantação de uma simbologia particular para o recém-instalado Estado republicano, sem conseguir, no entanto, impor um imaginário particular. A histótia da escolha do Hino Nacional, logo nos primórdios do novo regime, é significativa: a despeito do resultado final do apressado concurso, que já em 20 de janeiro de 1890 pretendia eleger uma nova composição para representar o país, acabou ganhando velho hino de Francisco Manuel da Silva, que nem ao menos havia entrado na competição. “Prefiro o velho!!!, teria dito o marechal Deodoro, deslocando o que ficara em primeiro lugar – o hino de Leopoldo Miguez, com letra de Medeiros e Albuquerque – e oficializando-o, no mesmo decreto, como Hino da Proclamação da República. O Hino Nacional continuava a ser o mesmo da monarquia, apesar da suspeita de que teria sido d.Pedro I seu compositor.
Mesmo a bandeira nacional, apesar das inúmeras explicações surgidas a posteriori (que falavam do verde de nossas matas e do amarelo das riquezas minerais), continuava a ostentar seus vínculos com a tradição imperial: o verde, cor heráldica da Casa Real Portuguesa de Bragança; o amarelo, cor da Casa Imperial Austríaca de Hadsburgo. Além disso, o desenho republicano reaproveitava o losango da bandeira imperial – que representava uma homenagem de d. Pedro I a Napoleão -, apenas retirando-se o brasão monárquico, com as armas imperiais aplicadas, para introduzir o lema positivista de “ordem e progresso”. Se essa versão é exata, estaríamos diante de um caso de redefinição, típico do nosso processo cultural: elementos tradicionais do armorial europeu, com seu significado preciso de homenagem aos soberanos da jovem nação, acrescidos de uma modalidade de distribuição do especo na bandeira francesa, passavam a representar nossa realidade física, destituídos de seu significado anterior. A fisionomia da bandeira republicana, considerada durante gerações como expressão autêntica de características da terra, “teria nascido de transposições, substituições e invenções, que deram ao brasileiro a idéia de simbolizar o que ele tem de mais específico”.
É certo que esses não são ícones escolhidos livremente – e nesse sentido populares – mas é certo, também, que sua recepção acaba gerando um consenso que encontra neles imagens ou representações do país. A questão seria, dessa maneira, entender não tanto o fracasso da simbologia republicana, tão bem analisado por José Murilo de Carvalho em A formação das almas, mas antes o impacto do imaginário monárquico, presente até hoje não apenas nesses elementos de retórica patriótica como em toda uma concepção de sociedade ainda impregnada da mística dos títulos de nobreza, das ordens honoríficas e dos rituais de consagração. Conforme afirma Sérgio Buarque de Holanda:A imagem de nosso país que vive como projeto e aspiração na consciência coletiva dos brasileiros não pôde, até hoje, desligar-se muito do espírito do Brasil imperial; a concepção de Estado figurada nesse ideal não somente é válida para a vida inteira da nacionalidade, como ainda não nos é possível conceber em sentido muito diverso nossa projeção maior na vida internacional”.
Nessa batalha simbólica, travada entre a República e Monarquia, melhor do que descobrir vencedores pé repensar a importância da dimensão cultural. Seguindo as pistas de Bronislaw Baczo, que aponta para a relevância do estudo de sistemas simbólicos de uma sociedade, percebemos como todo regime político estabelece em sua base um imaginário social constituído por utopias e ideologias mas também por mitos, símbolos e alegorias, elementos poderosos na conformação do poder político, especialmente quando adquirem aceitação popular.
A criação de símbolos, por sua vez, não é gratuita e arbitrária; não se faz no vazio social. Ao contrário, os símbolos são reelaborados em razão do contexto cultural em que se inserem, além de que o maior ou menor sucesso de sua manipulação encontra-se diretamente vinculado a uma “comunidade de sentidos”. Portanto, para compreendermos por que em momentos de mudança certos símbolos vingam e outros não, devemos atentar não só para a emissão como também para a recepção e divulgação, ou seja, para o consumo desses mesmos símbolos, que não é em si aleatório nem mero objeto de manipulação
Dessa maneira, se por parte das elites é possível perceber um uso quase instrumental da “figura do rei” – uma intenção muitas vezes abertamente expressa de construção de uma representação de porte nacional, por meio da oficialização e proliferação de rituais, da criação de monumentos e de um “passado” cuja continuidade temporal levaria ao Império -, já na releitura das festas populares o que está presente é a imagem mítica do rei, de um rei sagrado e religioso que nesse sentido não tem data nem lugar.
Colocar a questão nesses termos implica admitir que o significado se faz em contexto, mas também privilegiar certa singularidade cultural, uma análise sincrônica que se vale do repertório específico de cada cultura. Na fronteira entre a história e a antropologia, essa perspectiva permite pensar, ainda, em permanências e releituras – em “estruturas mentais” – e, desse modo, na razão da fortuna ou do fracasso de determinadas simbologias, igualmente manipuladas.
Muitos são os sinais do uso de uma farta simbologia por parte dessa monarquia tropical, mas é talvez na produção iconográfica e na originalidade dos rituais que se concentram, de forma mais evidente, os rastros de tal trajeto, os sinais do diálogo com a realidade externa, retraduzida em termos locais. Como veremos, essa história não começa com d. Pedro II, porém é sobre ele que incide uma quantidade maior de imagens e de representações, como se o “corpo do rei” mediatizasse essas duas instâncias: a criação política e institucional de realeza de um lado, a figura mítica, marca do imaginário popular, de outro.
Imperador de 1840 a 1889, D. Pedro II teve sua vida contada a partir de episódios repletos de dramaticidade e destacada com basse neles. Primeiro monarca nascido no Brasil, Pedro, Pedro de Alcântara foi comparado ao Menino Jesus na tradição portuguesa, revisto como Imperador do Divino na ladainha brasileira, entendido como um novo d. Sebastião pelos últimos fiéis das previsões de Vieira. Filho de Bragança, Hadsburgo e parente direto dos Bourbon, d. Pedro era reconhecido como um pequeno deus europeu, cercado por mestiços. Órfão de mãe com um ano, de pai aos dez, imperador aos catorze e exilado aos 64, no seu caminho é difícil notar onde se inicia a fala mítica da memória, quando acaba o discurso político e ideológico; onde começa a história, onde fica a metáfora.
A saída é acompanhar passo a passo as trajetórias que envolveram a figura de D. Pedro II, que de órfão da nação se transforma em rei majestático; de imperador tropical e mecenas do movimento romântico vira rei cidadão, para finalmente imortalizar-se no mártir exilado e em mito depois da morte, com vistas a recuperar não tanto a sua história, mas antes sua memória, ou melhor, a seleção de determinadas memórias nacionais. Esse é ao menos o percurso que as imagens convidam a seguir. Nesse processo, nem sempre o discurso institucional caminhou junto com a ideação mais popular do rei que dialogou com contextos ainda anteriores à independência do Brasil, ou da vinda de d. João. No entanto, durante o Segundo Reinado e mesmo na “retradução” do exílio do rei na Europa é possível perceber como o “corpo do rei” é suporte para batalhas simbólicas de ordem diversa.
É certo que d. Pedro II não centralizou todas as decisões do Império, tampouco tomou parte do conjunto de manobras. Muitas vezes foi inserido numa grande representação como parte e não como artífice. É por isso mesmo que pouco importa descobrir se o monarca foi mais ou menos culto, muito inteligente ou pouco dotado. Melhor do que personalizar é buscar os caminhos de construção desse mito de Estado, desse monarca tropical.
Portanto, é tendo como cenário o Segundo Reinado, momento fundador de um modelo de nacionalidade, que se buscará entender os mecanismos de construção simbólica da figura pública desse monarca, em suas associações com o fortalecimento do Estado. Fértil na produção de um amplo leque de imagens, o Império brasileiro se destacou em seu papel de criador de ícones nacionais – entre hinos, medalhas, emblemas, monumentos, dísticos e brasões -, assim como concentrou esforços na boa costura da imagem do monarca, que parecia simbolizar a pátria. A idéia é, portanto, recuperar meios e processos pelos quais toma forma uma grande representação de d. Pedro II e do Império brasileiro. Tendo por base uma visão alargada do processo que leva à consolidação da imagem do governante, se buscará não só as grandes instâncias de efetivação, como as pequenas e cotidianas medidas. Se o exame da iconografia oficial revela facetas das produções da elite carioca, já os rituais e comemorações indicam outras leituras, mais populares, da mesma monarquia.
A reflexão sobre a monarquia brasileira leva, assim, à reconstrução de um sistema político (ligado à elite carioca que cerca a realeza), mas também a um imaginário monárquico, percebido justamente por meio da análise de rituais, costumes e tradições. No caso, porém, é a figura do imperador que está colocada bem no meio das duas instâncias, e não há outra opção senão percorrer a sua biografia destacando, contudo, momentos e locais da edificação dessa história, quando privilegiadamente recontam-se certos episódios em detrimento de outros.
Os capítulos foram construídos, pois, com base em documentos inéditos, iconografia do período e uma vasta bibliografia sobre d. Pedro II. Se de um lado essa produção foi de grande serventia, de outro foi preciso “dribla-la”. Muitas vezes laudatórias e em alguns casos – logo após a proclamação da República – francamente contrárias, as biografias constroem uma personagem, pelo elogio ou pelo descaso, destacada de qualquer contexto. Nelas, também, é difícil entender onde começa a história, onde termina o mito. Feito mito ainda jovem, d. Pedro II nas imagens oficiais é sempre mais velho que seu pai, confusão que atrapalha até hoje as crianças na escola, mas fala igualmente de uma iconografia política que se constrói por meio da história, que lembra um pouco e esquece muito, guarda certas imagens na memória e apaga outras. [...]
É preciso entender o milagre com base no desejo do milagre, no fenômeno da crença em um poder diverso e superior à própria humanidade. O paralelo com o famoso texto de Lévi-Strauss sobre a eficácia do feiticeiro e, nesse sentido, evidente. Afinal, é essa mesma lógica que leva o autor a concluir que o que explica a cura não são os cânticos e poções do xamã, mas o fato de que um grande “xamã” é obra do consenso. “Quesalid não se tornou um grande feiticeiro porque curava seus doentes; ele curava seus doentes porque se tinha tornado um grande feiticeiro.” Dessa maneira, assim como não há por que duvidar da adesão dos monarcas – e/ou dos feiticeiros – à sua missão, é também claro que, em ambos os casos, a lógica da crença no milagre é anterior e mais forte do que o milagre em si, já que baseada em um consenso que é coletivo e simbólico. [...]
Com base em centenas de retratos da família imperial, em paisagens e imagens de instituições nacionais; no testemunho das viagens do imperador e da sua passagem por exposições universais ou visitas a estabelecimentos científicos; no registro de experimentos ou das marcas da Guerra do Paraguai, guardadas apenas nos uniformes militares... compõe-se um esforço de construção e de perpetuação de determinada memória nacional. Trata-se, portanto, não de um amontoado de imagens, mas de uma “coleção” feita de muitas lembranças e de várias lacunas. Se o Dicionário Aurélio tem razão em sua definição, estamos diante de um “conjunto ou [de uma] reunião de objetos da mesma natureza ou que têm qualquer relação entre si”. O seu coletivo revela como são pequenos os limites entre os poucos momentos de intimidade de um monarca e a sua feição oficial de estadista. Afinal, a coleção carrega não só as imagens do imperador e de sua família como os grandes temas do século XIX – as artes, o urbanismo, a arqueologia, a biologia, a botânica, a mineração, a saúde pública... – os eventos mais importantes da época e retratos de “nossa gente”.
A coleção mostra ainda o que o imperador vê e, pela falta, aquilo que não vê ou quer esquecer. É assim que, se os trópicos aparecem a todo momento, a escravidão está ausente, como figurante oculto das cenas. Com efeito, é uma certa civilização que aparece representada, selecionando uma memória e um tipo de lembrança.
Como qualquer coleção, a “de d. Pedro” guarda, também, um tipo de classificação. Não basta, porém, recuperar sua lógica original; é possível interpretar as alegorias, descobrir alterações e faze-las dialogar com os contextos a que dizem respeito. Como se verá, as imagens distinguem-se por sua técnica – xilogravura e litogravura, pinturas à óleo, aquarelas, nanquim e carvão, caricaturas e fotografias a partir dos anos 60 (entre daguerreótipos, ferrotipias ou ambrotipias) – e pelo momento a que se referem. No entanto, entre tantos retratos oficiais, imagens feitas para a divulgação no exterior, desenhos apenas rascunhados, ou as poucas cenas de maior intimidade, podemos encontrar regularidades dignas de destaque, referências que só o conjunto do material pode ofertar. Com efeito, são mais de seiscentos Pedros que nos observam, enquanto os observamos, como se pudéssemos ver não apenas o crescimento cronológico dessa personagem, mas momentos diversos de sua construção como símbolo do Estado.
Nesse processo selecionaram-se os momentos em que a atuação e presença de d. Pedro são mais evidentes. [...] Nesses momentos, fortemente pautada em uma agenda de festas, rituais e imagens, a monarquia brasileira se serviu à larga das representações simbólicas que envolvem o poder monárquico e que evocam elementos históricos de longa duração, associando o soberano à idéia de justiça, ordem, paz e equilíbrio. [...]
É assim, no privilégio à dimensão simbólica, aos mecanismos de construção da memória da monarquia brasileira, que se pode encontrar novidade nessa história tão conhecida e vasculhada pelas biografias. Tal recorte, se não permite elaborar um sistema total de explicação, introduz uma dimensão nova: o terreno mágico, sagrado e simbólico de uma realeza que, ao mesmo tempo que – nas mãos da elite local – atualizou a tradição, a fez dialogar com as representações locais – “aparatos intelectuais”, anteriores a seu estabelecimento.[...]
Como símbolo da união, a realeza parecia ser a melhor saída possível para evitar a autonomia e possível separação das províncias; sòmente a figura de um rei congregaria esse território gigantesco, marcado por profundas diferenças. É assim que as elites locais optam pela monarquia, na esperança de ver no jovem rei um belo fantoche. [...]
Frutos de muitos acordos, a originalidade e a garantia de uma emancipação monárquica, em pleno contexto americano e republicano, não eram tarefas fáceis, nem interna, nem externamente. Nesse sentido, foi fundamental a figura de José Bonifácio – futuro tutor dos filhos do monarca -, que juntamente com a elite do Centro-Sul, a qual gravitava em torno da nova corte, empenhou-se na manutenção da unidade territorial do Império brasileiro, impedindo que se repetisse o exemplo da América espanhola. Era assim que se tomavam na ex-América lusitana as medidas necessárias para que se evitasse a alternativa republicana, então considerada a “vocação natural das Américas”.
Foi por isso que, logo após a independência política de 1822, investiu-se muito no cerimonial da realeza e no estabelecimento de determinadas memórias. D. Pedro foi aclamado imperador em 12 de outubro de 1822 – data a princípio considerada mais importante que o próprio Sete de Setembro. Além disso, desejando romper com o costume português, de um lado, e influenciado pela sagração e coroação de Napoleão, em 1804, de outro, d. Pedro I envolve-se na realização de uma importante cerimônia religiosa, de origens bíblicas, e regida, com detalhes, pelo livro 1 do antigo Pontificial romano. Nesse documento estabelecia-se que os soberanos deveriam ser ungidos e sagrados no contexto solene da missa pontificial, costume que os reis portugueses haviam abolido fazia muito tempo. A cerimônia aconteceu no dia 1º de dezembro de 1822, na então Capela Imperial, sendo celebrada pelo capelão-mor d. José Caetano da Silva Coutinho, que sagrou o novo imperador e o coroou com óleo santo. Como testemunho do acontecimento ficou a grande tela de Jean Baptiste Debret, que retrata pormenorizadamente o caráter rigoroso e fiel do ritual. Por meio da alteralidade buscava-se destacar o surgimento de uma nova história, por suposto diferente da antiga metrópole portuguesa.
O novo império, contudo, não só dialogaria com a tradição: introduziria elementos da cultura local. Construía-se, a partir de então, uma cultura imperial pautada em dois elementos constitutivos da nacionalidade emergente: “o estado monárquico, portador e impulsionador do projeto civilizatório, e a natureza, como base territorial e material deste Estado”.
Com efeito, ainda em 1822, é elaborada pelo mesmo artista – que já fora responsável por criar todas as imagens oficiais do período de d. João VI – uma alegoria especialmente idealizada para o pano de boca de uma apresentação teatral que celebrava a coroação de D. Pedro primeiro imperador do Brasil. Debret, “um neoclássico de quatro costados” e discípulo direto de David, talvez em razão do sentimento social aguçado de sua escola, encontra empecilhos para dialogar com um contexto tão diverso de sua França revolucionária. Segundo Rodrigo Naves, o elogio da virtude e da exemplaridade deveria se mostrar por meio da forma ideal e da caracterização do herísmo neoclássico. No entanto, em face do cotidiano da escravidão e de uma corte transplantada, parecia difícil traduzir essas “idealidades formais para uma realidade totalmente estranha aos pressupostos”.
Nesse caso porém, a alegoria deveria agradar; nela o Império do Brasil apareceria com toda a sua pompa mas também originalidade. Além de estar confiado a Debret todo o programa de festas, ficou sob a responsabilidade do artista esse primeiro símbolo oficial da realeza brasileira. Diz Debret: “[...] Em tais circunstâncias, sentiu o diretor do teatro mais do que nunca a necessidade de substituir a pintura de seu antigo pano de boca representando um rei de Portugal cercado de súditos ajoelhados. Pintor de teatro, fui encarregado da nova tela, cujo bosquejo representava a fidelidade geral da população brasileira ao governo imperial, sentado em um trono coberto por uma rica tapeçaria estendida por cima de palmeiras”.
Tendo passado pela inspeção e aprovação do imperador e de José Bonifácio, a pintura sintetizava uma série de elementos dispersos da nova nacionalidade. Nada melhor do que dar voz à própria descrição reveladora do “discípulo de David”:
[...] O governo imperial é representado, nesse trono, por uma mulher sentada e coroada, vestindo uma túnica branca e o manto imperial brasileiro de fundo verde ricamente bordado a ouro; traz no braõ esquerdo um escudo com as armas do Imperador e com a espada na mão direita sustentando as tábuas da Constituição brasileira. Um grupo de fardos colocados no envasamento é em parte escondido por uma dobra do manto, e uma cornucópia derramando frutas do país ocupa um grande especo no centro dos degraus do trono. No primeiro plano, à esquerda vê-se uma barca amarrada e carregada de sacos de café e de maços de cana-de-açúcar. Ao lado, na praia, manifesta-se a fidelidade de uma família negra em que o negrinho armado de um instrumento agrícola acompanha a sua mãe, a qual, com a mão direita, segura vigorosamente o machado destinado a derrubar as árvores das florestas virgens e a defende-las contra a usurpação, enquanto com a mão esquerda, ao contrário, segura ao ombro o fuzil do marido arregimentado e pronto para partir [...] Não longe uma indígena branca, ajoelhada ao pé do trono e carregando à moda do país o mais velho de seus filhos, apresenta dois gêmeos recém-nascidos para os quais implora a assistência do governo [...] Do lado oposto, um oficial da marinha [...] No segundo plano um ancião paulista, apoiado a um de seus jovens filhos que carrega o fuzil a tiracolo, protesta fidelidade; atrás dele outros paulista e mineiros, igualmente dedicados e entusiasmados, exprimem seus sentimentos de sabre na mão. Logo após esse grupo, caboclos ajoelhados mostram com sua atitude respeitos o primeiro grau de civilização que os aproxima do soberano. As vagas do mar, quebrando-se ao pé do trono, indicam a posição geográfica do Império.
A alegoria de Debret representa, sem dúvida, “o Estado corporificado no trono imperial, que cumpria uma missão de submeter a seu domínio um outro diferente de si. Cumpria ainda uma missão civilizatória diante deste outro”. Mas não basta ficar na análise exclusivamente política dessa imagem. É possível dizer que estamos diante de uma “grande inauguração”: a de uma representação mais ou menos formalizada de uma monarquia que aqui se instala, buscando tradução em elementos tropicais.
Se o desenho já não fosse em si evidente, a descrição de Debret cuidaria do resto. Valendo-nos de ambos vemos como o pano de boca de Debret condensa, em uma só cena, elementos fundamentais da nova identidade. O trono, bem no centro da cena, garante o olhar em direção à representação do imperador – com o P e a coroa logo acima da figura: a imagem de uma mulher que carrega a Constituição, no caso o símbolo maior do progresso ocidental.
A tela é toda concebida com base na idéia de que uma nova civilização se montava, decididamente nos trópicos. Negros em atitude de fidelidade dividem a cena com uma indígena (uma autóctone) de pele branca mas que carrega os filhos “ao modo do país”. Selvagens ao fundo, com suas flechas, declaram lealdade ao lado dos paulistas, mineiros e da Marinha, em plano mais evidente. Caboclos recuperam, por meio da imagem, “o grau de civilização” a que podem chegar. As frutas, bem no centro, são todas tropicais, além das palmeiras e da vegetação, que compõem um quadro decididamente exótico. Por fim, as vagas do mar deságuam no grande trono, assim como o Atlântico, que nos separava e unia à “civilização”. Enfim, vindo de uma artista que se esmerou em elaborar uma série de símbolos para essa corte tão singular – entre retratos, uniformes e condecorações -, o pano de boca aparecia como um forte ícone de um Estado criado sob o signo da diferença.
Destacando a monarquia brasileira de sua matriz luzitana, os novos símbolos da terra ganham um caráter inaugural, como se toda a história começasse no ato que constituía a nação independente. Unidas e irmanadas por meio da realeza – representada pela figura da mulher sentada no trono com o texto da Lei nas mãos -, uma nação miscigenada arma-se para defender a monarquia constitucional, legitimada pela adesão de “seu povo”. No entanto, apesar dessa exuberância de detalhes, na imagem de Debret, como afirma Naves, “há uma rigidez mal resolvida, a produção de uma grandiosidade meio naif fiel talvez ao espírito acanhado da monarquia brasileira, mas muito limitada enquanto pintura”.
Não havia como esquecer a existência da escravidão, que por sua vez tornava a monarquia brasileira absolutamente singular. Na época, 45,6% de um total de 79.321 pessoas eram escravos no Rio de Janeiro, dando às ruas um colorido especial. Nesse Império, o universo do trabalho resumia-se ao mundo dos escravos. Vendedores ambulantes, negras quituteiras, negros de ganho oferecendo-se como pedreiros, barbeiros, alfaiates, funileiros e carpinteiros eram figuras obrigatórias nas ruas da cidade.
Mas a vivacidade das ruas não correspondia à estrutura da sociedade, hierarquizada, violenta e desigual. Aí se apresentava a grande contradição, que não se limitava ao traço de Debret; como afirmar a imagem civilizada e constitucional dessa monarquia ao lado da realidade escravocrata?
Não obstante, nas imagens oficiais era a mistura de elementos que dava colorido à jovem nação que se emancipava. Cem anos depois, um artista popular anônimo, mostrava como era forte o imaginário desses momentos inaugurais. No quadro a seguir, d.Pedro I aparece ao lado de José Bonifácio, o artista Debret logo atrás. Trata-se da elaboração dos emblemas do novo país, mas o que mais interessa é a união dos personagens. Perto das figuras oficiais uma negra escrava (ajoelhada) e um indígena com expressão pensativa observam a grande cena. Bela imagem de congraçamento, nessa releitura popular de inícios do século XX.
O ÓRFÃO DA NAÇÃO:
“O CÉU SABE O QUE FAZ”
Madrugada alta de 2 de dezembro de 1825. Nesse dia a corte do Rio de Janeiro acordou com o estrondo das salvas em fortalezas e navios. Nascera às duas e meia o príncipe herdeiro de todas as esperanças nacionais, ou ao menos das elites brasileiras, tão preocupadas com o fantasma do desmembramento do país.
Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga era um nome tão grande quanto as aspirações que giravam em torno desse “pequeno príncipe” de 58 centímetros: o primeiro a nascer em território nacional. O imperador vinha ao mundo antes do menino, ou parafraseando Roberto Da Matta: “d. Pedro II não nasceu, foi fundado; tornou-se patrimônio nacional”; já nasceu como “um rei autóctone”.
O jornalista Pedro Plancher, do Spectador Brasileiro, na ocasião, apressava-se em vincular a data de nascimento do príncipe-herdeiro à sorte eminente: “A anarquia morreu na França no dia 2 de dezembro; a coroa de Carlos Magno vingou nesse dia os atrozes insultos feitos aos netos de Henrique IV. O céu sabe o que faz”.
O herdeiro do trono trazia no nome, assim como seu pai, a homenagem ao santo padroeiro: Pedro de Alcântara. A Casa de Bragança era devota de certos santos e entre eles estava esse, um santo de origem espanhola, sempre associado aos doentes e canonizado logo após a Contra-Reforma.
Antes mesmo do nascimento de Pedro II, estavam dadas as ordens para os procedimentos que participariam e festejariam a encarnação do primeiro príncipe brasileiro. Três tiros de foguete anunciariam a chegada de um menino; fosse menina, apenas dois. E nos dias seguintes, até o batizado, se fariam demonstrações festivas com repiques de sinos, salvas e luminárias. Desse modo, seria impossível ignorar que a monarquia instalada pelos portugueses em terras tropicais – recém-libertas de seu jogo colonizador pelo próprio príncipe português – se revigorava, ressurgindo num ad eternum e dessa vez muito bem enraizada. E apesar de já nascer sob uma monarquia constitucional, o menino herdeiro da Coroa era apresentado à nação justificado pela ação divina de míticos anjinhos.
Com efeito, a imperatriz d. Maria Leopoldina de Hadsburgo (arquiduquesa da Áustria e filha de Francisco I, imperador da Áustria) e d. Pedro I (da Casa Real Portuguesa de Bragança) já tinham quatro filhas e “imploraram aos céus” para que daquela vez viesse o tão esperado varão. Depositavam-se nele as esperanças de continuidade do recém-fundado Império.
Não eram poucas, portanto, as promessas atribuídas a essa personagem que teria sua vida toda coberta por uma aura mística, resultado de uma concepção divina herdada da monarquia medieval européia, mas, sobretudo, do contexto político e cultural local. Pela linha paterna, o príncipe imperial descendia de reis e antepassados ilustres, imortalizados pela prosa portuguesa. D. Pedro era o oitavo duque de Bragança, cuja família estava entrelaçada com os Capetos da França.
Pela linha materna, d. Pedro era ligado ao imperador Francisco I, da Alemanha, da Áustria, da Hngris e da Boêmia, ele mesmo filho de Leopoldo II, imperador da Alemanha e irmão de Maria Antonieta, mulher de Luís XVI. Descendia também de Francisco José, duque de Toscana, marido de Maria Teresa, imperatriz da Alemanha, da Áustria e da Boêmia. Sua genealogia – como aliás a de todos os monarcas – ia longe: chegava a Santo Estevão, rei da Hungria; a Filipe II, a Filipe IV; aos reis de Aragão e Castela, e aos reis da França.
Carregando a criança imperial, portanto, a herança dos Bourbon, dos Hadsburgo e dos Bragança, seu batizado cercou-se de uma mística incomum. Os “fantasmas” de tantos reis, imperadores e aventureiros, príncipes ilustrados, românticos ou melancólicos, acompanhariam a vida desse príncipe de tanta tradição européia, aliados ao imaginário local, impregnado pela lógica das festas populares, em que a realeza era quase um emblema.
Mas, já na primeira infância, a representação do “órfão da nação” começa a se delinear. Na verdade, se nos meses seguintes à independência d. Pedro I foi aclamado por conta de sua alta linhagem, juventude (o rei fora elevado ao trono com 24 anos) e até em virtude da virilidade, comprovada por suas histórias amorosas, essa situação iria logo se modificar. O Império não andava nada bem, entre outros motivos, por causa do voluntarismo do jovem imperador d. Pedro I, pai de Pedro de Alcântara. Os reflexos da imposição da constituição de 1824 se faziam sentir, sobretudo em razão do artigo 98, que criava ao lado dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário um quarto poder: “O poder moderador é a chave de toda organização política, e é delegado privativamente ao imperador como chefe supremo da nação e seu primeiro representante, para que, incessantemente, vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos demais poderes políticos”. [...]
Por outro lado, em relação a d.Pedro, começava a ficção de um menino de seis anos que permanecia sob a orientação de dirigentes e tutores. Transformado mais uma vez em órfão, o “pupilo da nação” teve que ser colocado em uma pequena bancada para que, assustado, pudesse observar a multidão que o aclamava. [...]
Como em um passe de mágica, a realidade virava mito e o mito realidade. É isso que deixam transparecer as biografias mais tradicionais, que descrevem a partida de D. Pedro I envolta em um clima de grande emoção, além de destacarem frases de efeito da jovem madrasta, d. Amélia, que entre lágrimas pedia “às mães brasileiras que cuidassem de seu pequeno, assim como zelavam por seus próprios filhos”, ou declamava: “Adeus querido imperador, vítima da tua grandeza antes que a saibas conhecer” (carta de 25 de abril de 183l). [...]
[...] O imperador iniciava sua vida cívica envolto de um suntuoso teatro, o da sua precoce maturidade. As roupas de adulto, os gestos maduros, as lições avançadas, a fama de filósofo, tudo contribuía para fazer do monarca um personagem excepcional, estranho a si mesmo. Talvez o momento em que essa situação se evidenciou de forma mais clara tenha sido o ritual de sagração e coroação de d. Pedro II, em 1841. Um espetáculo jamais visto estava para acontecer. Este deveria ser mesmo “memorável”, no sentido de imprimir uma memória; fazer guardar, por meio do ritual, o novo início de uma história cívica nacional. Nele, duas dimensões se manifestariam: o caráter estratégico imposto pelas elites, o lado maravilhoso e sacro que envolve a coroação dos reis.
24.5.11
HISTÓRIA DA UMBANDA - CAPÍTULO III
LIVRO UMBANDA - A PROTO-SÍNTESE CÓSMICA
F. RIVAS NETO (Arapiaga)
2ª edição revista
Editora Ícone
CAPITULO X
O MOVIMENTO UMBANDISTA – RESSURGIMENTO DO VOCÁBULO UMBANDA NO SOLO BRASILEIRO – MOVIMENTO ASTRAL – OS TUPY-NAMBÁ E SEU REENCONTRO KÁRMICO COM OS TUPY-GUARANY – OS TUBAGUAÇUS – O EGITO – A ÍNDIA
O VOCÁBULO TRINO-SAGRADO AUM-BAN-DAN, QUE FOI REVELADO À POSSANTE Raça Vermelha através de seus Condutores Kármicos (Pais de Raça, TUBAGUAÇUS), designava a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, na qual está implícita a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA. Claro está que, naqueles idos tempos, tínhamos o CONHECIMENTO UNO, indivisível, que abrangia o que hoje conhecemos como RELIGIÃO, FILOSOFIA, CIÊNCIA E ARTE. Como já também explicamos, o AUMBANDAN foi sendo revelado gradativamente, para, na 3ª Raça Raiz, a Raça Lemuriana, alcançar seu apogeu, isto é, ser o CONHECIMENTO TOTAL, integral, que abrangia conhecimentos do Reino Natural e conhecimentos das Coisas Divinas num único bloco. Não se poderia entender a PHYSIS (assim fonetizaram muito mais tarde, milhares de anos depois, os gregos), isto é, a Natureza e tudo que dela fazia parte, sem se entender a Divindade e seus atributos; tudo isso era pois o AUMBANDAN – 1ª SÍNTESE ou a SÍNTESE DAS SÍNTESES, a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA. Infelizmente, em virtude de várias cisões, iniciadas na 4ª Raça Raiz (na metade de sua passagem pelo planeta), a Raça Atlante, houve degenerações, interpolações e inversões de valores, fazendo com que o AUMBANDAN fosse se apagando e finalmente acabasse esquecido pela grande maioria da humanidade. Mesmo as disciplinas que constituem o atual conhecimento, já fragmentado, desassociado, segundo os métodos cartesianos, desconhecem por completo a forte TRADIÇÃO DO SABER que representava o AUMBANDAN, embora não raras vezes reencarnem no meio científico abnegados emissários da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” que de todos os meios tentam incrementar e direcionar as Ciências para rumos mais justos e seguros. Alguns resultados, ainda imperceptíveis, já foram conseguidos. Aguardemos... Mas dizíamos que o AUMBANDAN, pelos motivos já expostos, foi sendo esquecido pela maior parte, ou melhor, por quase toda a humanidade, só sendo relembrado, onde aliás nunca foi esquecido, no interior de raríssimos SANTUÁRIOS ou ACADEMIAS DIVINAS, os quais tinham velado e fechado a 7 chaves ao olhar de profanos e aproveitadores vários, todo o CONHECIMENTO INTEGRAL – o AUMBANDAN. Esses MAGOS DA LUZ, os Sacerdotes dos Santuários, que velaram o AUMBANDAN, como já visto em outro capítulo, deram-lhe vários sinônimos que se adaptavam à SONÂNCIA SAGRADA dos vários locais do planeta, adaptando-se aos processos lingüísticos de cada povo, mas que em uma análise quantitativa e qualitativa, através de pequenas chaves de interpretação, retornavam ao possante, trino, vibrado e Sagrado vocábulo – AUMBANDAN. Assim, todas as Escolas Iniciáticas de Tradição no passado guardaram seus ensinamentos que, como dissemos, já haviam sido adulterados no seio da grande massa humana, para depois também sofrer severas e cruéis perseguições, traições, etc., no interior dos TEMPLOS ou ORDENS INICIÁTICAS. Dessa forma iniciou-se a dissolução do PRINCÍPIO ESPIRITUAL, a queda do TEMPLO DA RELIGIÃO CÓSMICA e com ele seus Sacerdotes e seus CONHECIMENTOS consubstanciados no PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA. Salvo raríssimas exceções, a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA foi cultuada e velada, mesmo já disfarçada e modificada, adaptando-se através do MITO, ao conhecimento ainda fragmentado de muitos tidos e havidos como Iniciados. Bem, Filho de Fé, sucintamente avivamos sua memória. Fizemo-lo desde as sub-raças atlantes, faltando citar os tempos mais modernos, isto é, de 60 a 100 séculos até os dias atuais.
Antes de recuarmos perto de 8.000 anos em nossa viagem que respeitosamente devassa o tempo, não podemos deixar de reavivar a memória do leitor amigo sobre o surgimento do AUMBANDAN, em pleno solo do planalto central brasileiro, nas terras do BARATZIL, no seio da possante Raça Vermelha, desde a 2ª Raça Raiz, a Adâmica, alcançando o apogeu na 3ª Raça Raiz, a Lemuriana, indo se extinguir, por motivos já aludidos, no final da 4ª Raça, a Raça Atlante. Claro está que mesmo após a 4ª Raça, a sua sucessora, a 5ª Raça, a atual Raça Ariana, guardou resquícios da GRANDE SÍNTESE, do AUMBANDAN, o qual, desde o seu esquecimento, tende a ser relembrado através de Emissários da Luz ou Guardiões da Tradição, que ao encarnar deixam fortes mensagens e vislumbres à grande massa humana que ainda anda perambulando sem rumos certos e seguros. Vejamos pois como iniciou-se seu RESSURGIMENTO. Digo INICIOU-SE, pois ainda estamos em fases iniciais do processo. Mas algo é certo: se tínhamos descido até os últimos degraus na queda que tivemos, hoje, lentamente, estamos subindo degrau por degrau, e com determinação no Bem e na Luz conseguiremos retornar ao “PARAÍSO PERDIDO” – a TERRA DAS ESTRELAS ou da LUZ; o BARATZIL-MUNDO; o BARATZIL-PLANETA. Caminhemos sem esmorecer.
Antes de citarmos e vivermos as fases do ressurgimento do vocábulo AUMBANDAN, vejamos como estava a humanidade há 8.000 anos, e como se entrosavam as deturpações e cisões da SOMBRA com o esclarecimento e a reunião do CONHECIMENTO DA LUZ.
Por volta de oito a dez milênios atrás, segundo os arquivos do Astral Superior, na Babilônia, tentava-se reunir as várias Sínteses, as concepções filorreligiosas de todos os povos. Em realidade, o Conhecimento, que já estava adulterado, adulterou-se ainda mais, em virtude de nehuma das partes integrantes ter cabedal tradicional-moral para tomar a dianteira e sanear e separar o joio do trigo. Viu-se pois o embaralhamento ainda maior do Conhecimento Integral. Esse movimento, o da TORRE DE BABEL, na verdade foi uma investida muito séria das hostes do submundo, tanto encarnado como desencarnado, pois, como devemos nos lembrar, nesta época o mediunismo já era vigente e os médiuns eram “pontes vivas” entre os plano astral e o plano físico. Se eram “pontes vivas”, segundo suas afinidades e evolução conseguidas, ligavam-se através da sintonia vibratória e moral à Luz ou às Sombras. Muitos deles eram “pontes vivas” entre o plano físico e o plano astral inferior, quando não das Zonas Abismais, com seus ataques vorazes através de seus MAGOS-NEGROS que de todas as formas não queriam, como não querem, a reconstrução da Síntese, pois com Ela não haverá mais ignorância, ódio, competição, poder, que são os alimentos indispensáveis aos MAGOS DA FACE NEGRA.
Então, como dizíamos, BABEL, é claro, não foi uma TORRE que ligaria a Terra aos Céus, no sentido de “ter sido construída uma Torre”. Visava sim ligar o plano inferior ao superior, mas por motivos já aludidos fracassou fragorosamente. Assim, desde aquelas épocas, ficou Babel como sinônimo de anarquia, deturpação, confusão, militarismo, poder, etc. Era a desorganização total. Assim se arrastava naqueles tempos, a humanidade, embora no interior dos Templos Sagrados, orientados por portentosos enviados da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS”, a TRADIÇÃO era velada e cultuada.
Neste momento pode perguntar o Filho de Fé ou leitor amigo: Mas para que deixar-se um CONHECIMENTO INTEGRAL no interior dos Templos, se a humanidade está se digladiando e triturando? Afinal, a LEI DIVINA É PARA UMA PEQUENA MINORIA ELITIZADA OU É PARA TODOS? Ou nesta LEI DIVINA HÁ OS PRIVILEGIADOS?
Bem, Filho de Fé, já disse que a humanidade estava se arrastando e se enlameando cada vez mais nos seus próprios erros, que vinham desde as grandes cisões e desde o surgimento das reencarnações dos “Marginais do Universo” de todos os tempos. Mais uma vez pedimos que redobre sua atenção, Filho de Fé.
Ao permitir que descessem (encarnassem no Planeta Terra) muitos Seres Espirituais delinqüentes, as CORTES DE OXALÁ visavam novos prenúncios a vários Seres Espirituais encarnantes, os quais, através de seus próprios erros, teriam que se soerguer. Para que isso não ficasse tão difícil ou impossível, gerando um círculo vicioso em que novos débitos sempre seriam contraídos, impulsionando-os para maiores cobranças, é que no seio deles surgiram sempre e de maneira muito oportuna os vários “Enviados das Cortes de Oxalá”, os quais procuravam, segundo o alcance médio de entendimento das humanas criaturas, lançar o esclarecimento, a evolução e a Luz para níveis de entendimentos mais refinados, dando-lhes condições para subir novos degraus. Mas se alguns quiseram subir os degraus do entendimento que os libertou, outros, por sua vez, se enlearam ainda mais nos desmandos e desatinos que suas mentes e concepções estreitas ainda pediam, tornando-se joguetes de forças inferiores com as quais se afinizavam e se prendiam em verdadeiras algemas cativas. Enfim, eram escravos de si mesmos, pois a quem vamos culpar por nossos próprios erros?
Mas dizíamos dos “Emissários ou Enviados das Cortes de Jesus ou Oxalá”, que eram por sua vez, a maior parte deles, originários da pura Raça Vermelha, estando radicados na “Confraria dos Espíritos Ancestrais”. Quando encarnados, embora se ligassem aos Templos Iniciáticos, velando a Tradição, também saiam para pregar e ensinar a grande massa humana, e é claro que seus ensinamentos não poderiam ser de pronto sobre a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, sobre o CONHECIMENTO TOTAL. O povo, a grande massa, estava faminta e sedenta de Luzes, mas não se poderia dar a Luz sem os véus, pois a mesma poderia cega-la ou enlouquecê-la. E assim foram feitas adaptações e mais adaptações, visando incrementar a evolução das grandes massas populares nos 4 cantos do orbe terreno. O terráqueo se ergueria, como se erguerá, mas de forma bem suava, que não venha ferir seu conscencional, o que sem dúvida traria graves conseqüências aos seus Organismos mais sutis. Vimos, pois, os Iniciados saírem do Templo; aliás, só tinham entrado para preservar a própria humanidade e não a Tradição, pois a mesma existe em toda a sua pureza e originalidade nos planos mais elevados do Universo Astral, bem distante do ataque ou saque das Forças Negras ou dos Magos-Negros de todos os tempos e locais. Em verdade, os Templos Iniciáticos guardam, velam a Tradição e não escondem para si como monopólio divino ou intelectual, e sim para que não seja adulterada, como já foi quando eram seus fundamentos abertos a todos. As ORDENS INICIÁTICAS ou os TEMPLOS INICIATICOS, portanto, são fiéis depositários da LEI CÓSMICA ou PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, até o momento em que a humanidade, como um todo, esteja preparada e queira evoluir mediante esta. Voltando, dizíamos que muitos INICIADOS saíram do Templo Sagrado, e o ensinamento que deveriam transmitir à grande massa popular carente em todos os setores deveria ser o mais próximo do Real, sendo inteligível a todos os graus de Consciência, tomando-se por base a média de maior ou menor aprofundamento nos ensinamentos. Quando se depararam com Seres Espirituais que entendiam bem o que ministravam, e que perguntavam se não havia algo mais fundo atrás daquelas Verdades, eles, os Iniciados, encaminhavam esses Seres Espirituais ao Templo Iniciático, onde poderiam ser Iniciados dentro de seus graus afins e tornarem-se, em futuro, novos pontas-de-lança das VERDADES IMUTÁVEIS para a grande massa popular. Realmente assim era feito, através de um rigoroso selecionamento. O Iniciando era aceito no Templo e dava curso a sua Iniciação. Observaremos que a finalidade primeira dos TEMPLOS INICIÁTICOS ou ORDENS INICIÁTICAS era e é preparar, através da Iniciação, numa primeira instância, Iniciados que levem à grande massa popular a Luz do esclarecimento, a Luz do Entendimento. Esse ensinamento só pode ser de caráter moral, impulsionando-os ao domínio das torpes paixões e vis sentimentos, que aliás são os responsáveis diretos pelos desatinos e desequilíbrios em que se arrasta a nossa humanidade.
Após a catástrofe da Raça Atlante, os “SENHORES DA CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” incrementaram a evolução através de seus membros integrantes agora encarnados no planeta como verdadeira CONSTELAÇÃO DA LUZ a iluminar e abranger a fúria das Sombras, a aplacar a ignorância que infelizmente assola a humanidade.
Ao aprenderem os aspectos morais que devem ser alcançados, eles se livram das garras dos Seres das Sombras, cortam-se ou anulam-se os “EFEITOS-PONTES” pela falta de sintonia moral e mentovibratória, pela mudança de atitudes e pensamentos. Como os Filhos de Fé podem ver, tudo era feito através de uma profunda ação psicológica e muito mais COSMOLÓGICA. Sim, pois visamos à melhora moral do planeta Terra, nosso COSMO momentâneo. Visa-se acabar com o intercâmbio clandestino das Sombras, que se utiliza de Seres Espirituais carentes e que infelizmente se encontram ignorantes diante desses fatos. Essa ação da Luz nas Sombras não acontece apenas aqui no plano físico, mas muito mais no plano astral, onde ajustam-se e inclinam-se mentes deturpadas para o reequilíbrio e reajuste. Conseguindo-se isto, a reencarnação é o próximo passo, que seguramente será dado.
Então, Filho de Fé, entendeu como a LEI DIVINA ajusta seus filhos caídos? Percebeu que não há privilégios e nem privilegiados? Existem sim a justiça e a misericórdia, aplicadas nas suas mais puras essências.
Assim, caro Filho de Fé, é que desde os tempos longínquos existem as ORDENS INICIÁTICAS, os TEMPLOS, as ACADEMIAS DE DEUS, os SANTUÁRIOS, todos visando incrementar a LEI perdida e de há muito esquecida. Entendemos agora o porquê do ensinamento velado no interior do Templo, o ensinamento HERMÉTICO ou ESOTÉRICO, e o ensinamento MÍTICO ou popular, que como vimos visa atingir as grandes massas, o povo, preparando-o para o futuro não distante em que as REALIDADES se reapresentarão, e todos precisarão estar preparados. É do preparo e das condições desse preparo que se preocupam os “CONDUTORES RACIAIS” ou kármicos da atual humanidade. Para isso, de todas as formas, a LEI tem sido levada às grandes massas populares, tal qual o MOVIMENTO UMBANDISTA DA ATUALIDADE.
Vejamos como desde os mais remotos tempos tem sido tentada e executada a reimplantação da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA no seio das massas populares e quais os entraves de vários matizes que surgiram e surgem para que o processo encontre pleno êxito.
Após a catástrofe da Raça Atlante, os “SENHORES DA CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” incrementam a evolução através de seus membros integrantes agora encarnados no planeta como verdadeira CONSTELAÇÃO DE LUZ a iluminar e abrandar a fúria das Sombras, a aplacar a ignorância que infelizmente assola a humanidade.
Vamos ver nos 4 cantos do planeta, como estrelas cintilantes, os Emissários da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” tentando iluminar os entendimentos rudimentares e embaralhados da humanidade já corrompida e corroída pelas paixões e bárbaros costumes, os quais cada vez mais faziam com que o planeta abrisse brechas enormes e incontroláveis ao ataque das Trevas. Nesse ciclo vicioso, víamos nossa “casa planetária” transformada em “casa planetária” degenerada, pois às finalidades, às quais se propunha, as de albergar todos os filhos desgarrados do Universo, já não mais estava se prestando, em virtude da grande saturação fluídico-mental, que ocasionaria, como ocasionou, verdadeiras hecatombes e mortes em massa. Era o desatino do homem pagando seu tributo segundo a LEI, que embora seja misericordiosa é limpidamente justa. Foi diante dessas convulsões que vários povos, não mais os Vermelhos, se sucederam no domínio do planeta sempre assaltado pelo terror e discriminações várias, que culminavam sempre em injustas sanções. Entre dominadores e dominados é que veremos surgir GRANDES CONDUTORES, PATRIARCAS, TAUMATURGOS, enfim, GRANDES REFORMADORES, como RAMA, CRISHNA, SIDARTA GAUTAMA (O BUDA), JETRO, ZOROASTRO, LAO-TSÉ, FO-HI, MOISÉS e tantos outros, que vieram preparar a descida de OXALÁ – o CRISTO JESUS. E o que ensinavam todos eles? Ensinavam o BEM como único caminho para a humanidade sofrida e corrompida. E como conseguir este BEM? Com AMOR. E como conseguir o AMOR? Com a educação sobre as COISAS DIVINAS, com a certeza da existência da DIVINDADE, que precisou ser travestida de várias formas para ser aceita pelos diversos graus consciencionais, que ainda hoje em verdade se encontram no planeta.
Nessas fases evolutivas de nossa humanidade, já havia florescido o povo de cútis branca na Europa, bem como todo o Oriente já se saturava de cisões e deturpações várias, o mesmo acontecendo no continente africano.
No continente africano, tínhamos os egípcios, povo remanescente dos atlantes, os quais iluminavam com sua cultura todo o Oriente, para não dizermos todo o mundo. Tinham também, por sua vez, recebido grandes acréscimos dos caldeus, embora não tivessem o alto padrão moral que predominava nos egípcios. Os egípcios tinham no seio de seu povo, como Seres Espirituais encarnados, os Tupy-nambá da pura Raça Vermelha, os quais tinham-lhes transmitido a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA. Os SACERDOTES DE OSIRIS e mesmo os de ÍSIS, com seus Templos famosos, velavam e transmitiam a Tradição ocultada que, como vimos, para eles foi chamada de ITARAÔ ou TARÔ. Foi no seio da civilização egípcia que um de seus iniciados, cujo nome era ASSARSIF, reuniu várias tribos cativas para formar o povo hebreu. E quais eram os ensinamentos de Moisés? Os mesmos de Rama, já que Rama tinha deixado seus fundamentos no Egito, nos Templos de ÍSIS ou YOSHI e nos de OSÍRIS ou YOSHIRÁ. Venerava-se o VERBO DIVINO através do CARNEIRO (AMON-RÁ). Assim, a Tradição no Egito havia sido implantada pelos Tupy-nambá reencarnados, os quais também já tinham reencarnado na Índia e na Europa. O próprio Rama era um enviado da pura Raça Vermelha, haja vista que sua pregação foi toda calcada nas Sínteses ou na Proto-Síntese Religio-Científica, através de seu “LIVRO ESTRELADO”, que velava o AUMBANDAN, que entre os egípcios era o dito TARÔ.
Nesse instante, queremos que os Filhos de Fé vão entendendo como aconteceu o RESSURGIMENTO DO AUMBANDAN. Assim, resumamos esse importante fato.
Na África, encontraremos os egípcios com todo seu acervo religioso-científico calcado na transmissão de seus altos Sacerdotes, que eram reencarnações dos Tupy-nambá (no seio da civilização egípcia). No próprio Egito encontraremos um Alto Sacerdote que aparentemente tinha sido revolucionário, pois reuniu várias tribos e retirou-se para o deserto. Claro que estamos falando de ASSARSSIF, MOISÉS, o qual implantaria a LEI DIVINA a esses povos que mais tarde se espalhariam por toda a Europa, também levando a PALAVRA DIVINA, a LEI – o TORAH.
Anteriormente, na Ásia, Rama já havia firmado uma sólida Tradição que se fundamentaria nas Leis Divinas. Tínhamos pois um movimento que visava ao restabelecimento do AUMBANDAN, ainda velado. Os ensinamentos de Rama eram os mesmos dos egípcios, os quais foram levados à Ásia e também a toda a África. Somos sabedores que a Tradição do Conhecimento – via Tupy-guarany – havia chegado à Índia e às plagas tibetanas, e lá, através das migrações espirituais, refletir-se-ia para o Ocidente, onde em verdade havia surgido. Ensina-se que o povo himalaio refletiu essa Síntese do Conhecimento, isso em sentido figurado, em virtude da “cor branca” do “LAR DAS NEVES” (HYMALAIA) ser refletora da Luz, o que de fato aconteceu através das migrações espirituais para o Egito. Perguntará o leitor atento: - Mas o Egito já não era Guardião da Lei Divina, do AUMBANDAN? Respondemos:
- Sim. Toda a TRADIÇÃO DO SABER, do CONHECIMENTO TOTAL, estava velada, como vimos, nas 78 lâminas Sagradas que compunham o TARÔ, e esse CONHECIMENTO era de curso único e exclusivo aos Iniciados mais graduados ou MAGOS. Rama, por sua vez, além de conhecer em sua pureza a TRADIÇÃO DO SABER, também velou-a através de seu “Livro Estrelado”, de um ensinamento exotérico, público, que atendesse ao entendimento das massas populares. Assim, divulgou um Conhecimento calcado na mais forte e pura TRADIÇÃO DO SABER, que já conjugava as Ciência, Artes, Filosofia e Religiões. Divulgou esse Conhecimento a raríssimos Iniciados, nas ditas “ACADEMIAS DO CORDEIRO OU CARNEIRO”. Assim, tínhamos os LAMAS OU RAMAS como sacerdotes do Cordeiro, precursores do advento do Cristo Jesus e da restauração da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, através de seus discípulos nos mais variados locais do Universo. Além desse Conhecimento que ficou concentrado nos COLÉGIOS DE DEUS (ORDENS INICIÁTICAS), tivemos uma popularização desses mesmos Conhecimentos através de CRISHNA, o qual transmitiu as grandes verdades de forma alegórica, para que atingissem mais o coração e os atos das massas populares. A par disso, tivemos grandes variedades de cultos com seus panteões de deuses e deusas, tão bem retratados nas diversas mitologias.
As Ordens Sagradas seriam as formadoras do sacerdócio organizado e fonte de conhecimentos em que a humanidade beberia, segundo as épocas e os diversos graus de entendimento ou consciencionais. Nessas épocas, as filiações templárias eram as guardiães do Saber, principalmente na ORDEM DE MELCHISEDEC, a qual era também denominada a ORDEM DE RAMA, e seus sucessores e adeptos.
Dizemos das filiações, pois muitos filiados Iniciados da Ordem é que foram os vanguardeiros dessa Tradição do Saber nos 4 cantos do Universo. Era a ORDEM DE MELCHISEDEC que reunia as várias Sínteses que havia no Oriente, na África, etc. Na Europa, ficaria conhecida como ORDEM DÓRICA, a ORDEM DO PRINCÍPIO UNO – DA UNIDADE DO CONHECIMENTO – DO ESPÍRITO DE TODAS AS COISAS. Por isso chamam-na de ORDEM DO PRINCÍPIO ESPIRITUAL, SOLAR, DIREITO, MASCULINO, SINÁRQUICO, DA NÃO VIOLÊNCIA, etc., ao contrário da ORDEM YÔNICA, que combateu a ferro e a fogo a Ordem Dórica, muito principalmente através do CISMA DE IRHSU, na Índia, há 60 séculos mais ou menos. Combateu e aparentemente destruiu a Ordem de Melchisedec, ou Ordem Dórica. A Ordem Yônica pregava o contrário da Ordem Dórica, isto é, seu princípio era o NATURAL ou do CONHECIMENTO FRAGMENTADO, da HETEROGENEIDADE e DESTRUIÇÃO DO CONHECIMENTO. Por isso foi chamada de Ordem que venerava a Natureza e repudiava o Espiritual. Necessário que fique bem claro que, a princípio, eles repudiavam o Conhecimento Integral, a Síntese do Conhecimento, sendo que posteriormente começaram a repudiar o Princípio Espiritual. Temos assim que a Ordem Yônica de YONÁ (POMBA – representação da natureza feminina) – pregava o PRINCÍPIO DA NATUREZA como princípio de tudo. Era pois LUNAR, FEMININA, ESQUERDA, ANÁRQUICA E MILITARISTA. Fica claro que a Ordem preconizada por Rama era Dórica, ou seja, a mesma da pura Raça Vermelha, da qual encontramos vestígios nas construções arquitetônicas do BARATZIL e de outros locais em que a Raça Vermelha também firmou seu conhecimento, tal como os quíchuas, maias e mesmo no Egito. Era uma Ordem essencialmente teocrática, ao contrário da Yônica, que era essencialmente “naturocrática”. Rama e sua Ordem, firmada em toda a sua pureza no Egito, era essencialmente MONOTEÍSTA, como era MONÍSTA a Síntese de seu Conhecimento. A Ordem Iônica era POLITEÍSTA, PANTEÍSTA, e já NÃO MAIS MONISTA, pregando a diversidade e separação do Saber. Bem, acreditamos que o caminho que traçamos até agora nos levará aonde queremos chegar. Queremos chegar ao RESSURGIMENTO DO VOCÁBULO AUMBANDAN e ao SURGIMENTO DO MOVIMENTO QUE VISA A RESTAURAÇÃO, em sua totalidade, da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA – a TRADIÇÃO DO SABER INTEGRAL – a RELIGIO VERA. Para delinearmos a trajetória final de nosso caminho, precisamos remontar a Moisés e dele partir com clareza ao encontro do Movimento Umbandista.
Dizíamos que Rama havia velado no Templo a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, enquanto Crishna velava a PROTO-SÍNTESE, mas dava um ensinamento popular através do mito e do véu deliberadamente colocado sobre certos pontos-chave. Moisés também fé-lo da mesma forma, só que popularizou certos aspectos da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, transmitindo-a através de um inflexível MONOTEÍSMO. A Divindade Suprema em verdade não era pronunciada, e somente muito tarde é que denominaram-lhe de YEOVAH ou JEOVAH. Em verdade, o que Moisés velava no seu YEOVAH (babilônico) ou YAHUAH (sânscrito bramânico) eram os quatro pilares em que se apoiava o Conhecimento Humano; era o seu Tetragrama Sagrado EVE-I, que também pódia ser representado pelo X algébrico, ou segundo o alfabeto vatânico ou devanagárico (alfabeto originado do Abanheenga, que como vimos grafava a fonetização dos objetos e seus fenômenos, ou seus sons, através da onomatopéia) pelo K (qualitativo e quantitativo – o que acoberta, o que vela – o numeral 20).
Assim, o EVE-I de Moisés era a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA, era o MONISMO DO CONHECIMENTO, o dito depois MONOTEÍSMO. EVE-I era e é a CIÊNCIA, a FILOSOFIA, a ARTE e a RELIGIÃO. Moisés preparou uma nova fase para o planeta. Preparou, sem dúvida, o advento do MAGO DOS MAGOS, do REI DOS REIS – o SENHOR E AUGUSTO OXALÁ – O CRISTO JESUS.
A vinda de JESUS, sem dúvida, foi um grande marco evolutivo para o planeta Terra. A sua vinda foi preparada durante milênios. Assim como outros da HIERARQUIA CRÍSTICA, sua descida foi marcada por grandes convulsões mesológicas, além das de caráter moral e essencialmente espiritual. JÁ DISSEMOS QUE O CRISTO CÓSMICO É O VERBO DIVINO EM QUALQUER PLANO OU “CASA CÓSMICA” NO REINO NATURAL OU UNIVERSO ASTRAL. ESSE CRISTO CÓSMICO, ATRAVÉS DE SUA HIERARQUIA, ENVIOU-NOS O CRISTO JESUS COMO SENHOR DO PLANETA TERRA, como tutor máximo de nossa “casa planetária”, a qual guarda nos Céus o Símbolo Cosmogônico de sua missão e compromisso redentor sobre o planeta e sua humanidade cósmica. Assim, o Cristo Jesus nasceu no seio do povo hebreu, pois havia sido o único a levar em caráter popular o MONOTEÍSMO, um grando avanço para a humanidade que vivia se arrastando e subjugando-se a deuses sanguinários e inimigos do homem, bem como de outros seus iguais – (outros deuses). Deveu-se também o nascimento de Cristo Jesus – YOSHI (YESHUA) ou YOSHILA – NO SEIO DO POVO HEBREU POIS O MESMO CUMPRIA FORTE Tradição, começando pelo seu nome, que era diferente do preconizado pelos sucessores de Moisés (EMANUEL), os quais já também achavam-se o povo escolhido de Jeovah ou da Divindade Suprema, sendo possuidores de feroz orgulho, vaidade e egoísmo destruidor, que infelizmente até hoje se estendem no seio desses amados Filhos de Fé tidos como judeus – semíticos. “Judeus” sim, mas “semíticos” é inverídico, pois o povo que saiu com Moisés do Egito era descendente dos Celtas. Em boa hora é bom que frisemos que quando Moisés esteve no Monte Sinai, em verdade transcreveu a Tradição em placas, em petróglifos, de forma a oculta-la.
Mais tarde, conforme consta de forma alegórica nas ditas Sagradas Escrituras, essas placas foram destruídas, e Moisés transmitiu às massas populares o ensinamento de caráter externo, exotérico, na forma dos chamados 10 MANDAMENTOS. Claro está que o que era guardado na ARCA eram as 78 placas já escritas em Aramaico. Tanto é verdade que a dita Arca era cercada por verdadeiros elementos naturais que produziam elementos ígneos, os quais contundiam os usurpadores com curiosos encantos 0 o fenômeno era o da eletricidade estato-dinâmica, que por Moisés era conhecida. Após citarmos o GRANDE REFORMADOR e CONDUTOR DO POVO HEBRAICO, retornemos ao apostolado do Senhor Jesus, nosso Oxalá, o qual não mediu esforços para que a Religio Vera fosse reimplantada, pois o Augusto Senhor disse em voz lirial e humilde – “EU NÃO VIM DESTRUIR A LEI E NEM OS PROFETAS, MAS SIM CIMPRI-LOS”. Com isso afirmava-nos o Mestre Jesus, “Pai Oxalá”, que desde há muito Seus “Enviados” já tinham preconizado a LEI DIVINA, e Ele só vinha cumpri-la, já que a mesma, na época, havia sido postergada em seus valores morais-espirituais, ficando ao bel-prazer dos Sacerdotes politiqueiros e interessados em projetos pessoais e na ganância do vil metal. Já haviam sido e ainda seriam “pontes vivas” dos mais baixos e torpes desejos, tãop comuns aos Seres Espirituais ligados ao submundo astral ou ZONAS CONDENADAS ABISMAIS, os quais, através da cristalização no MAL, não reconhecem o Cordeiro Divino como o Verbo Sagrado, e sim o DRAGÃO como seu Mestre. Por tudo isso é que o Mestre Jesus, Pai Oxalá, O Verbo Divino simbolizado pelo Sol, vei resgatar as deturpações, cisões e amalgamações que já estavam cristalizadas no Planeta Terra. Com a passagem vibratória de Oxalá pelo planeta Terra, inclusive em suas Zonas Subcrostais, há mais ou menos 2.000 anos, deu-se forte influxo para a mudança da mentalidade do homem futuro. A PAZ, o AMOR, a JUSTIÇA, a VERDADE, o PERDÃO, a FRATERNIDADE e a IGUALDADE, são os portentosos VOCÁBULOS-LUZ que iluminariam e iluminarão a humanidade. Bem poucos de seus ensinamentos foram aprendidos, e infelizmente quase todos esquecidos. Passaram-se os tempos e os mesmos desvios de sempre, o orgulho, a vaidade e o egoísmo continuaram fazendo do homem um ser primitivo, distanciado da “COROA DIVINA”. Impérios e mais Impéros surgiram e surgem. Os ROMANOS, antes de Cristo e após, tiveram tudo para unificar o mundo, mas perderam a oportunidade, calcados que estavam no orgulho e egoísmo destruidor que lhes trouxe a morte e a destruição de sua civilização. No pensamento helênico tivemos grandes Almas, mas que não encontraram eco num povo que estava mais interessado nas guerras fratricidas entre espartanos e atenienses e na sua pseudocultura. A Ásia desarticulada desde o CISMA DE IRSHU não foi diferente dos povos latinos e gregos, encolhendo-se na sua dor e passando a viver de per si.
Os africanos, completamente dominados, encontravam-se já em plena e total decadência, mormente os povos de pele negra, cuja origem sem dúvida é a Ásia. Incursionaram para a África, onde foram poderosos em suas civilizações, adiantadíssimos em plena Era da Raça Vermelha. Pregaram a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA que haviam recebido dos povos de pele vermelha, através dos egípcios. Quando receberam esses Conhecimentos, muitos de seus Sacerdotes velaram e guardaram a Tradição, e para os que entravam em processos iniciáticos era Ela proferida ORALMENTE. Com o decorrer do tempo foi corrompida, deturpada e completamente esquecida. Para que fique bem claro, mais avante em nossos apontamentos diremos que os BANTOS atuais foram os que tiveram contato com os egípcios, sendo que os YORUBANOS ou SUDANESES tiveram contatos também, mas muito mais com povos iranianos – e já MUÇULMANOS.
Sua teogonia não é original, é um totemismo calcado em mitos milenares dos egípcios, caldeus, hindus e outros povos. Não vejamos aqui algo de inferior ou “retaliações”. Podemos entender como uma tentativa de reencontrar a Síntese perdida, o que é verdade, pois os grandes condutores da Raça Negra de há muito vêm lutando para incrementar em seu povo um sentimentos de unidade e reconstrução do Conhecimento, que por ora está no CULTO DO ORIXÁ, no CULTO DOS ANCESTRAIS (Eguns) e na ilusão de ligarem-se à ESSÊNCIA DO ORIXÁ, nas ditas “feituras de cabeça”, com seus rituais ainda que simples, mas perigosos por se aproveitarem de “entidades inferiores do Astral”, que ficam como que vampirizando o dito “Filho de Santo” ou “Yaô” que passou pelo ritual de um simples OGBORY ou BORY, ou seja, a “FEITURA TOTAL DA CABEÇA”, termo inapropriado pelo menos para os rituais que se fazem na atualidade. Sobre isso falaremos pormenorizadamente no capítulo “Umbanda e suas ramificações atuais”. Aliás, fazem parte do abarcamento que o Movimento Umbandista irá processar. Bem, após citarmos por alto o povo africano, citemos o povo amarelo, o qual tem fortes Tradições filoespirituais, mas que atendem ao estreitismo racial que lhes é peculiar. Não olvidamos a Sabedoria de um FO-HI, de um LAO-TSÉ, a pureza de SIDARTA GAUTAMA – o BUDA – e nem também o VEDANTISMO, o BRAMANISMO e as fontes YOGUES. Todas, sem exceção de uma sequer, são merecedoras de nossa mais alta estima e compreensão, e muito estamos fazendo nós, Seres Espirituais astralizados, para que o povo amarelo reencontre a Síntese, e reencontrará, pois seus condutores no Astral já se filiaram às “ORDENS DAS SANTAS ALMAS DO CRUZEIRO DIVINO”, onde renasceu o possante VERBO-LUZ, a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA – o AUMBANDAN. Aguardemos e vibremos por todos. A Raça Branca, dita CRISTÃ, ainda se arrasta no convencionalismo do CULTO EXTERIOR, em desacordo com os ensinamentos de Oxalá, o Cristo Jesus. Os desregramentos iniciaram-se quando houve a separação judeu-cristã. Ainda hoje vemos vários cultos, alguns não conscientes de seus compromissos para com seus fiéis, dizerem-se cristãos e atacarem-se uns aos outros. Ficamos a pensar se o Cristo Jesus, nosso Oxalá, traria realmente a ESPADA e a DISSENÇÃO, pois é isso que exemplificam a todos esses pobres Filhos de Fé. Um dia eles amadurecerão, a morte tirar-lhe-á os véus. Sabe Deus quantas mortes despertadoras precisarão? Sabe quantos nascimentos necessitarão para acordar? Que misericórdia do Senhor Jesus, Oxalá, abençoe-os e nos dê forças para guia-los na linha justa do verdadeiro cristão.
Se a Igreja Católica Apostólica Romana se propuser a ser Católica Universal, que o seja, lidere e pastoreie seu rebanho, que infelizmente está “doente”. No entanto, infelizmente, seus pastores também foram infectados pelas doenças, tornando-se os mais necessitados de auxílio e medicação espiritual. Assim, o grande rebanho católico está acéfalo, em virtude da contaminação de seus pastores com as doenças de seus rebanhos. Ergamos o católico, é nosso Filho de Fé, é irmão em Oxalá. Vibremos por novos dias mais límpidos e brilhantes para o clero romano e seus rebanhos.
Se citamos o católico romano, que é merecedor de nossa simpatia e afeto, não poderíamos deixar de citar as “religiões de cultos reformados”, o PROTESTANTISMO, em toda a gama de cultos que o compõem. O grande Lutero, assim como Calvino, foram espíritos abnegados, que de forma contundente dissociaram e cindiram a Igreja Católica, sendo fundadores de cultos cristãos melhorados, embora distantes, da real pureza do primitivo cristianismo. Todas as demais derivadas cristãs, ligadas ao ensino da Bíblia, tanto no Velho como do Novo Testamento, não cogitam e até discutem sério quando lhes falam de reencarnações e de outros fenômenos que para muito breve serão explicados pela Ciência oficial. No século XIX, sem dúvida, tivemos uma grande revolução nos cultos ou seitas tidas como cristãs. Veio-nos da Europa, da França, a “CODIFICAÇÃO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS”, através das IRMÃS CROOKES, por ALLAN KARDEC. Interessante que, segundo nossa humilde contribuição à coletividade umbandista da atualidade, já expusemos que o poderio da Raça Vermelha tinha se estendido à Índia através das migrações espirituais dos Tupy-Guarany, o que dá a pensar do porquê do pseudônimo “ALLAN KARDEC”, que é de origem hindu. Claro que Allan Kardec, assim como disse Jesus, “não veio destruir a LEI e nem os profetas, mas sim cumpri-los”. E foi o que fez, através de um trabalho de compilação e de caráter externo, visando o soerguimento moral da grande massa que se arrastava presa a conceitos estáticos sobre nascimento e morte, reencarnação, mediunismo, planos de evolução e Lei Kármica (por ele chamada de causa e efeito). O Corpo Astral foi identificado para esses cristãos novos e outros que se diziam cristãos. Chamam o Corpo Astral de PERISPÍRITO. A Lei das Conseqüências, a Lei das vidas sucessivas para evoluirmos, a negação da condenação eterna, a infinita misericórdia dos Prepostos de Jesus e a aplicação correta dos Evangelhos de Jesus formam a base de todo esse sistema filorreligioso-científico chamado KARDECISMO. No GOVERNO DO MUNDO surgiu o Kardecismo, não como uma nova revelação, mas sim como uma compilação popular, para a grande massa, dos conceitos que acima expusemos.
Faz parte dele, assim como outros, pregar com veemência e cristalinamente que a MORTE NÃO EXISTE. Viver, nascer e morrer são fenômenos tão necessários quanto salutares ao Espírito, que necessita evoluir, caminhar para novos rumos.
Claro que os “SENHORES D’ARUANDA” não iriam abrir espaço vibratório para mais um inócuo e inprofícuo sistema filorreligioso. Esse sistema, na verdade, vislumbrou de forma ainda empírica a necessidade da PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA, veio preparar o advento do AUMBANDAN na TERRA DA LUZ – o BARATZIL. Assim, vimos que o Kardecismo veio despertar a Alma indolente para as realidades da vida que a aguarda, relembrando-lhe que a vida é eterna e que cada um colhe o que semeia. Iniciou-se o RELIGARE VERDADEIRO. Esse movimento teve e tem o controle direto da “CORRENTE DAS SANTAS ALMAS DO CRUZEIRO DIVINO”. Bem, Filho de Fé, estamos bem no âmago de nosso caminho, através do qual chegaremos frente a frente com a SAGRADA CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA, através de seu Movimento e do ressurgimento do vocábulo sagrado AUMBANDAN..
Estamos no final do século XV e no limiar do século XVI. A possante Europa da época era dominada por dois grandes povos da PENÍNSULA IBÉRICA – Portugal e Espanha.
Na época, tanto os lusitanos como os espanhóis disputavam a hegemonia nas grandes conquistas, fazendo-se exímios comerciantes, tal qual eram em tempos idos os fenícios, os quais estavam reencarnados no seio das nações portuguesa e espanhola. Visando a uma expansão marítima, claro que orientada por digníssimos e elevados mentores da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS”, os portugueses alcançaram em 1500 as costas brasileiras. Deu-se nesse instante um verdadeiro “balanço cósmico”, em que se reuniram novamente os povos. O BARATZIL seria um mini-Universo, albergaria brancos, negros, vermelhos e amarelos, e assim aconteceu. Não demorou quase nada para que muitos cativos em suas próprias Pátrias fossem trazidos até nós, como os africanos – negros escravos. O branco tinha domínio sobre o negro e sobre o índio degenerado, e através de algemas pesadíssimas, do ponto de vista astral, negros e vermelhos se reuniram, visando opor resistência ao agressor, ao algoz, ao povo da Raça Branca. Em favor da monocultura do café, da cana-de-açúcar, nos ditos engenhos, o branco sacrifica e animaliza seus irmãos de pele negra, passando a vê-los e trata-los como subhumanos. Momentos terríveis viveu a Terra da Cruz. Dores atrozes, sentimentos destruídos, sangue derramado, ódio consubstanciado na agressão de todas as formas.
O ressurgimento do vocábulo AUMBANDAN estava prestes a eclodir. Antes vejamos como foi precipitado esse momento em sua acepção externa.
Na tormentosa escravatura, em pleno século XVI, neste BARATZIL, Terra da Cruz, os africanos aportados aqui, em comunhão com o indígena nativo (degenerações dos Tupy-nambá e Tupy-Guarany), firmaram na luta pela liberdade os seus sentimentos e desejos, através de seus ritos religiosos-mágicos degenerados.
Dessa fusão surgiram e permanecem até os nossos dias os mais variados ritos, os quais refletem os sentimentos e ideais de seus “fundadores” na época. Nem todos com ideais e sentimentos nobres. Muitos deles com sentimentos de ódio e vingança, que se consubstanciaram em rituais pesados, com um baixíssimo sistema de oferendas (solidificação de elementos vibratórios para que seja movimentada a magia).
Esse sistemático conflito racial, que perdurou até no Astral, fez com que os TRIBUNAIS PLANETÁRIOS resolvessem incrementar sobre essa coletividade em litígio um Conjunto de Leis Regulativas que viriam discliplinar os rituais nefandos e retrógrados que eram vigentes na época. Em poucas palavras, assim surgiu o Movimento Umbandista.
Neste momento, queremos frisar que o escravagismo, bem como o massacre aos indíginas não foi somente praticado no Brasil. Interessante ressaltar que nos EUA, Cuba, Haiti e outros, também tivemos a escravatura, e por essas plagas o vocábulo UMBANDA não surgiu. Como se explica esse fato? É o que tentamos explicar até agora em nosso humilde trabalho. Isso se deveu à supremacia da Raça Vermelha, a qual tinha se radicado no astral brasileiro, onde teve início o processo reencarnatório no planeta Terra. Como o vocábulo AUMBANDAN, ou seja, a PROTO-CSÍNTESE CÓSMICA, aqui tinha sido revelado, aqui mesmo ressurgiria, e ao ressurgir teria de vir como sendo bandeira, a priori, de um movimento que atingisse as grandes massas populares que aqui no Brasil, por motivos vários, se encontravam em litígio. A oportunidade era inadiável. Aproveitar-se-ia para lanças no seio da grande massa o vocábulo AUMBANDAN, que serviria de escopo para a formação de um sentimento inter-racial uno, acabando com os conflitos entre Seres Espirituais irmãos, independentemente da vestimenta cutânea que usassem. Outrossim, o Baratzil, como vimos, é a Terra predestinada a ser o celeiro espiritual do mundo, a Pátria Universal, a Pátria Uma, onde todos os povos se reuniriam. Também seria o local onde a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA ressurgiria, aproveitando-se da ocasião de discórdias raciais tanto no plano físico, como no astral inferior. Assim somos forçados, desde já, a entender o que se pratica hoje, generalizado como UMBANDA (AUMBANDAN – nem se cogita do termo, a não ser raríssimos Filhos de Fé Iniciados), seria melhor denominado MOVIMENTO UMBANDISTA, O QUAL VISA FAZER RESSURGIR OU RESTAURAR O AUMBANDAN. Mas, para que isso seja conseguido, tem e terá de fazer a união racial em nossa terra, a qual é predestinada a ser o CORAÇÃO ESPIRITUAL DO MUNDO.
Estamos muito longe do AUMBANDAN revelado aos Seres terrenos pelos Condutores da pura Raça Vermelha, a qual ainda hoje, no Astral, detém esse direito que através do Movimento Umbandista é exercido de fato, em participação com Seres Espirituais que se radicaram nas Raças Negra, Amarela e Branca. É A CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA UMA CONFRARIA QUE REÚNE OS ANCESTRAIS DO PLANETA TERRA, SERES ESPIRITUAIS QUE, EM PRIMITIVAS ERAS, FORAM OS GRANDES CONDUTORES DAS RAÇAS QUE POR AQUI PASSARAM, EM ESPECIAL DA RAÇA VERMELHA E DOS TRONCOS RACIAIS DELA ORIGINADOS. Tal é o estágio evolutivo em que se encontram, que hoje muitos desses Seres Espirituais formam uma Corrente diretamente ligada às Cortes de Oxalá, o Cristo Jesus, constituindo o GOVERNO OCULTO DO PLANETA TERRA. Ela própria, a UMBANDA, encerra a Verdade Universal sintetizada na PROTO-SÍNTESE CÓSMICA. Muitos de seus mais altos expoentes e militantes são ligados à “CORRENTE DAS SANTAS ALMAS”, a qual é de ação e execução das LEIS DIVINAS no Planeta Terra. A própria palavra UMBANDA, como ficou conhecido o AUMBANDAN, pode ser traduzida como “CONJUNTO DAS LEIS DE DEUS”. Portanto, em sentido oculto, a UMBANDA não é apenas um sistema religioso, mas sim a própria LEI DIVINA, origem de todos os sistemas religiosos, filosóficos, científicos e artísticos de todos os tempos, motivo pelo qual, como já dissemos e repetimos, é a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, que encerra em si a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA.
Reavivando a memória dos Filhos de Fé e dos leitores amigos, resumamos: Em primitivas eras, os conhecimentos e concepções que direcionavam a vida e a evolução da humanidade eram plenamente integrados entre si e consoantes à LEI DIVINA, constituindo a dita PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CINETÍFICA. No entento, através dos tempos, esses conceitos foram fragmentados, deturpados e perdidos, permanecendo vivos apenas no seio das Confrarias Espirituais do mundo astral, ou seja, no seio da própria Corrente Astral de Umbanda, e também em raríssimos Templos ou Ordens. Eis o porquê de dizermos que essa Corrente é a Guardiã dos Mistérios que encerram a VERDADE UNIVERSAL. Como dissemos, a CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA constitui o GOVERNO OCULTO DO PLANETA TERRA. Dessa forma, ela achou por bem lançar mão de um Movimento que viesse restaurar gradativamente esses conceitos, fazendo a humanidade retomar um caminho evolutivo o mais reto e seguro possível. Assim, tivemos o ressurgimento do vocábulo AUMBANDAN, adaptado como UMBANDA, e o surgimento do Movimento Umbandista, ocorrendo o mesmo no Brasil.
O surgimento da Umbanda ou Movimento Umbandista em terras brasileira certamente não se deve ao acaso. Vimos que o Brasil é o berço da primitiva Síntese. Logo, nada mais natural que seu ressurgimento ocorra no local de sua origem, principalmente porque aqui se encontram plasmadas as condições astrais mais propícias para tal. Assim, as Entidades integrantes da Corrente Astral de Umbanda foram, aqui e ali, através de seus veículos mediúnicos (médiuns), lançando as bases do MOVIMENTO UMBANDISTA, QUE NUMA PRIMEIRA FASE VISA ABARCAR O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS NO MENOR ESPAÇO DE TEMPO POSSÍVEL DEVIDO AO RÁPIDO CRESCIMENTO DO MOVIMENTO, O QUE REALMENTE ERA ESPERADO, O MESMO SE DEU DE FORMA APARENTEMENTE DESORDENADA, ORIGINANDO CERTAS CONFUSÕES QUE DEVEM SER CONSIDERADAS ATÉ CERTO PONTO NATURAIS E MESMO NECESSÁRIAS, DEVIDO À NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO AOS DIFERENTES GRAUS DE ENTENDIMENTO QUE O MOVIMENTO UMBANDISTA PRETENDE ABARCAR. Outros fatores também colaboram para que ocorra essa desorganização, sendo alguns deles bastante perniciosos, originários da atuação das correntes do baixo mundo astral que, como vimos, pretende criar uma forte oposição ao ressurgimento da UMBANDA.
Após essas ligeiras elucidações, queremos citar como na realidade humana aconteceu o Movimento Umbandista, já que de ordem astral já explicamos. Aqui nas terras brasileiras, tínhamos observado a miscigenação de cultos, que atendiam aos anseios raciais afins. Já vimos como e por que tivemos a união de cultos e ritos, e nessa mistura, embora aparentemente deturpada, estávamos nos aproximando do surgimentio do Movimento Umbandista. A par da miscigenação entre “vermelhos” e “negros”, ou melhor de seus resquícios religiosos e místicos, tivemos a influência do branco através do catolicismo e logo a seguir do Kardecismo.
Note, Filho de Fé e leitor estudioso, que a miscigenação de cultos propiciou uma miscigenação cultural e até racial, também prenunciando a RAÇA UNIVERSAL FUTURA. Essa é uma das funções primeiras da CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA, através de seu Movimento atual, o qual abarca a todos independentemente da cor, credo ou raça. Com as raças já delineadas, dentro do Movimento Umbandista, não podemos nos esquecer de nossos Filhos de Fé ligados aos cultos de nação africana, vulgarmente chamados CANDOMBLECISTAS, ou seja, adeptos dos Candomblés. Todos esses Filhos de Fé são merecedores de nossas mais altas expressões de carinho e respeito, mas devem procurar suas verdadeiras raízes, pois tanto falam em manter a Tradição e a cultura negra, que se fizerem uma pesquisa aberta e honesta, com toda isenção de ânimo, verão que de há muito seus fundamentos já estão deturpados, sendo que os mesmos, em sua total pureza, já eram de conhecimento de caldeus, egípcios e hindus, esses principalmente no que se refere ao mito e fetichismo que ficou arraigado nesses Filhos de Fé ligados aos cultos de nação africana. Isso para não irmos mais longe, pois em verdade beberam um dia as Verdades Universais reveladas pela Raça Vermelha, para depois, assim como outras raças, deturparem completamente os fundamentos verdadeiros da PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA.
Assim, precisamos muito lentamente orientar esses Filhos para alcançarem novos patamares da evolução e afasta-los do atavismo espirítico que os persegue há milênios.
No capítulo “UMBANDA E SUAS RAMIFICAÇÕES ATUAIS”, mostraremos como podem esses Filhos de Fé, que mais uma vez afirmamos – não estamos criticando, e sim buscando ajuda-los – erguerem-se cada vez mais. Faremos no capítulo dito acima um completo apanhado de um culto que se adapta muito positivamente aos filhos ligados aos cultos de nação africana em suas várias nações. Assim, o Movimento Umbandista da atualidade se preocupa com todos os filhos terrenos, e muito especialmente com os Filhos de Fé ditos como adeptos dos CULTOS AFRO-BRASILEIROS. Em uma fase futura do Movimentos Umbandista, buscaremos novos objetivos que, não obstante, hoje já são supervisionados por Seres da CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA.
Dando seqüência a nossa conversa, falaremos como realmente surgiu o Movimento Umbandista. Por ordens das Cortes de Jesus, através de Seus Prepostos, o mediunismo já invadira os cultos deturpados e miscigenados entre os indígenas e escravos africanos, quando por volta de 1889, aproveitando-se de uma forma de governo mais justa, que iniciava sua peregrinação no Brasil, o vocábulo UMBANDA foi lançado em vários pontos do país. Foram pontos luminosos que, nas Sombras em que estavam, logo chamaram a atenção, e sem perda de tempo iniciaram a árdua tarefa.
A princípio, usamos médiuns que foram nossos discípulos em longínquos tempos, ainda aqui no Brasil, fato que hoje, embora raríssimo, ainda ocorre. Assim, iniciamos com o poderoso vocábulo UMBANDA, que hose serve de Movimento abarcador a milhares de Consciências. Amanhã o Movimento Umbandista há de restaurar o AUMBANDAN – a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, que sem dúvida trará à toda humanidade terrena a Evolução Cósmica semelhante a outras “casas planetárias” felizes e luminosas.
Continuando nossa conversa, dizíamos que vários pontas-de-lança do Astral e mesmo encarnados lançaram o vocábulo UMBANDA em torno de 1889 e vale ressaltar que esse vocábulo foi lançado, em geral, em locais pouco freqüentados. Quando não, diziam as Entidades atuantes que Umbanda era um Movimento novo que iria se espalhar por todo o Brasil,
trazendo esperança, secando as lágrimas, espargindo compreensão e amor, acendendo a Fé, centelha divina que de há muito se apagara em muitas infelizes criaturas humanas. Aí iniciou-se o Movimento silencioso mas contínuo da LUZ contra as SOMBRAS, dos MAGOS DA FACE BRANCA contra os MAGOS DA FACE NEGRA. O Mal já tinha encontrado o Bem, e com o mesmo disputava a supremacia das Almas. Ontem como hoje vem perdendo terreno; a Luz chegando, obviamente, dissipa as Sobras e as Trevas.
Foi assim que, desde 1889, Falanges e mais Falanges de integrantes da Corrente Astral de Umbanda começaram a tarefa saneadora. Como veremos no próximo capítulo, quando citarmos as 7 VIBRAÇÕES ou LINHAS DE FORÇA ESPIRITUAIS que compõem a UMBANDA, valorosos e indômitos GUERREIROS CÓSMICOS em favor da Paz já haviam soado seus clarins, anunciando a todos sua chegada, bem como convidado a todos para a grande tarefa regeneradora que se faria no planeta Terra, iniciando-se pelo mini-Universo, o BARATZIL. Estamos falando da 1ª VIBRAÇÃO ESPIRITUAL a descer do Astral em seus “cavalos” (médiuns), a Vibração de OGUM, que trazia em seu termo de identificação, que é VIBRADO e SAGRADO, no sufixo, o fonema “UM”, de UMBANDA. Assim as Vibrações harmoniosas de OGUM e sua corrente contagiosa de fé, pelos novos conceitos vieram derramar-se sobre toda a coletividade afim aos cultos ditos e havidos como afro-brasileiros. Citando-se OGUM, não poderíamos deixar de citar um grande enviado de OGUM, a Entidade CABOCLO CURUGUÇU, que preparou vários e vários anos o advento primeiro do CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS, também da Vibratória de OGUM, que atuaria nas grandes massas populares visando tornar popular o termo UMBANDA e o culto apregoado por esse portentoso enviado de OGUM. Também o CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS veio trazer aos humildes do corpo e da alma um ritual de fácil assimilação, e que de alguma forma os fizesse ascender os degraus evolutivos. Muito lutou com seu “cavalo” exemplar, o filho ZÉLIO FERNANDINO DE MORAIS, para implantar já naquela época, 1908, a UMBANDA sem as deturpações dos Filhos de Fé arraigados a níveis vibratórios inferiores, que estavam ligados ao hábito infeliz do sacrifício de animais de duas ou quatro patas, para homenagear ou mesmo ritualisticamente saudar seus Orixás. CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS lançou a semente, ajudado por ORIXÁ-MALÊ, outro portentoso emissário da Luz para as Sombras da Faixa Vibratória de OGUM, já no plano mais terra-a-terra. Não poderíamos esquecer do poderosíssimo e sumamente sábio, mas não menos humilde, PAI ANTÕNIO. Não queremos citar outros nomes, pois não seria justo esquecermos uma plêiade de colaboradores, tanto do nosso lado como do lado dos Filhos de Fé encarnados. Nosso sincero e profundo respeito ao CABOCLO CURUGUÇU e sua portentosa Corrente Cósmica. Nosso Sarava à Falange do CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS, que preparou por cima vários médiuns que seriam vanguardeiros das Verdades Imutáveis que seriam trazidas como chaves de doutrina e manancial filosófico, científico, religioso e artístico, onde a UMBANDA, em sua parte Iniciática, beberia de seus Fundamentos, transmitindo-os futuramente a outros. Dizemos assim que CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS preparou por cima, no Astral, o advento do PAI GUINÉ, sapientíssimo e poderoso MAGO DA LUZ, que junto com seu aparelho mediúnico, o filho W.W.DA MATTA E SILVA, remodelaram os conceitos sobre o MOVIMENTO UMBANDISTA, bem como lançaram sementes riquíssimas em sua essência, a qual visa ao ressurgimento do AUMBANDAN – a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA. Nas obras escritas pelo PAI GUINÉ, encontramos não sòmente o lado popular da Umbanda; nelas, encontraremos também o lado esotérico, iniciático, selecionado, que sem dúvida há de preparar Sacerdotes conscientes, bem como dirigentes de verdadeiras Casas de Umbanda. Muitos Filhos de Fé perguntarão: Há alguém que ainda siga os ensinamentos do CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS?
Responderemos que, na sua pureza, não. Isso porque nada na Umbanda, ou melhor, no Movimento Umbandista, é definitivo. Sempre há novos véus a serem desvelados. Assim, diremos que, se o CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS baixasse hoje em algum médium, daria como fundamentos os mesmos dados pelo PAI GUINÉ, e só.
Ao término de nossa conversa com você, Filho de Fé e leitor amigo, queremos que fique registrado em sua Alma nossa vibração de PAZ e AMIZADE ETERNA.
É, Filho de Fé e leitor amigo, a amizade é uma bênção que “CABOCLO” gosta sempre de cultivar, e somente pela amizade sincera, Filho de Fé, você terá para sempre seu mentor espiritual. Mediunidade talvez seja aquilo que costumamos falar com nosso “cavalo”: DIMENSÃO-AMIZADE !
Continua
F. RIVAS NETO (Arapiaga)
2ª edição revista
Editora Ícone
CAPITULO X
O MOVIMENTO UMBANDISTA – RESSURGIMENTO DO VOCÁBULO UMBANDA NO SOLO BRASILEIRO – MOVIMENTO ASTRAL – OS TUPY-NAMBÁ E SEU REENCONTRO KÁRMICO COM OS TUPY-GUARANY – OS TUBAGUAÇUS – O EGITO – A ÍNDIA
O VOCÁBULO TRINO-SAGRADO AUM-BAN-DAN, QUE FOI REVELADO À POSSANTE Raça Vermelha através de seus Condutores Kármicos (Pais de Raça, TUBAGUAÇUS), designava a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, na qual está implícita a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA. Claro está que, naqueles idos tempos, tínhamos o CONHECIMENTO UNO, indivisível, que abrangia o que hoje conhecemos como RELIGIÃO, FILOSOFIA, CIÊNCIA E ARTE. Como já também explicamos, o AUMBANDAN foi sendo revelado gradativamente, para, na 3ª Raça Raiz, a Raça Lemuriana, alcançar seu apogeu, isto é, ser o CONHECIMENTO TOTAL, integral, que abrangia conhecimentos do Reino Natural e conhecimentos das Coisas Divinas num único bloco. Não se poderia entender a PHYSIS (assim fonetizaram muito mais tarde, milhares de anos depois, os gregos), isto é, a Natureza e tudo que dela fazia parte, sem se entender a Divindade e seus atributos; tudo isso era pois o AUMBANDAN – 1ª SÍNTESE ou a SÍNTESE DAS SÍNTESES, a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA. Infelizmente, em virtude de várias cisões, iniciadas na 4ª Raça Raiz (na metade de sua passagem pelo planeta), a Raça Atlante, houve degenerações, interpolações e inversões de valores, fazendo com que o AUMBANDAN fosse se apagando e finalmente acabasse esquecido pela grande maioria da humanidade. Mesmo as disciplinas que constituem o atual conhecimento, já fragmentado, desassociado, segundo os métodos cartesianos, desconhecem por completo a forte TRADIÇÃO DO SABER que representava o AUMBANDAN, embora não raras vezes reencarnem no meio científico abnegados emissários da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” que de todos os meios tentam incrementar e direcionar as Ciências para rumos mais justos e seguros. Alguns resultados, ainda imperceptíveis, já foram conseguidos. Aguardemos... Mas dizíamos que o AUMBANDAN, pelos motivos já expostos, foi sendo esquecido pela maior parte, ou melhor, por quase toda a humanidade, só sendo relembrado, onde aliás nunca foi esquecido, no interior de raríssimos SANTUÁRIOS ou ACADEMIAS DIVINAS, os quais tinham velado e fechado a 7 chaves ao olhar de profanos e aproveitadores vários, todo o CONHECIMENTO INTEGRAL – o AUMBANDAN. Esses MAGOS DA LUZ, os Sacerdotes dos Santuários, que velaram o AUMBANDAN, como já visto em outro capítulo, deram-lhe vários sinônimos que se adaptavam à SONÂNCIA SAGRADA dos vários locais do planeta, adaptando-se aos processos lingüísticos de cada povo, mas que em uma análise quantitativa e qualitativa, através de pequenas chaves de interpretação, retornavam ao possante, trino, vibrado e Sagrado vocábulo – AUMBANDAN. Assim, todas as Escolas Iniciáticas de Tradição no passado guardaram seus ensinamentos que, como dissemos, já haviam sido adulterados no seio da grande massa humana, para depois também sofrer severas e cruéis perseguições, traições, etc., no interior dos TEMPLOS ou ORDENS INICIÁTICAS. Dessa forma iniciou-se a dissolução do PRINCÍPIO ESPIRITUAL, a queda do TEMPLO DA RELIGIÃO CÓSMICA e com ele seus Sacerdotes e seus CONHECIMENTOS consubstanciados no PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA. Salvo raríssimas exceções, a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA foi cultuada e velada, mesmo já disfarçada e modificada, adaptando-se através do MITO, ao conhecimento ainda fragmentado de muitos tidos e havidos como Iniciados. Bem, Filho de Fé, sucintamente avivamos sua memória. Fizemo-lo desde as sub-raças atlantes, faltando citar os tempos mais modernos, isto é, de 60 a 100 séculos até os dias atuais.
Antes de recuarmos perto de 8.000 anos em nossa viagem que respeitosamente devassa o tempo, não podemos deixar de reavivar a memória do leitor amigo sobre o surgimento do AUMBANDAN, em pleno solo do planalto central brasileiro, nas terras do BARATZIL, no seio da possante Raça Vermelha, desde a 2ª Raça Raiz, a Adâmica, alcançando o apogeu na 3ª Raça Raiz, a Lemuriana, indo se extinguir, por motivos já aludidos, no final da 4ª Raça, a Raça Atlante. Claro está que mesmo após a 4ª Raça, a sua sucessora, a 5ª Raça, a atual Raça Ariana, guardou resquícios da GRANDE SÍNTESE, do AUMBANDAN, o qual, desde o seu esquecimento, tende a ser relembrado através de Emissários da Luz ou Guardiões da Tradição, que ao encarnar deixam fortes mensagens e vislumbres à grande massa humana que ainda anda perambulando sem rumos certos e seguros. Vejamos pois como iniciou-se seu RESSURGIMENTO. Digo INICIOU-SE, pois ainda estamos em fases iniciais do processo. Mas algo é certo: se tínhamos descido até os últimos degraus na queda que tivemos, hoje, lentamente, estamos subindo degrau por degrau, e com determinação no Bem e na Luz conseguiremos retornar ao “PARAÍSO PERDIDO” – a TERRA DAS ESTRELAS ou da LUZ; o BARATZIL-MUNDO; o BARATZIL-PLANETA. Caminhemos sem esmorecer.
Antes de citarmos e vivermos as fases do ressurgimento do vocábulo AUMBANDAN, vejamos como estava a humanidade há 8.000 anos, e como se entrosavam as deturpações e cisões da SOMBRA com o esclarecimento e a reunião do CONHECIMENTO DA LUZ.
Por volta de oito a dez milênios atrás, segundo os arquivos do Astral Superior, na Babilônia, tentava-se reunir as várias Sínteses, as concepções filorreligiosas de todos os povos. Em realidade, o Conhecimento, que já estava adulterado, adulterou-se ainda mais, em virtude de nehuma das partes integrantes ter cabedal tradicional-moral para tomar a dianteira e sanear e separar o joio do trigo. Viu-se pois o embaralhamento ainda maior do Conhecimento Integral. Esse movimento, o da TORRE DE BABEL, na verdade foi uma investida muito séria das hostes do submundo, tanto encarnado como desencarnado, pois, como devemos nos lembrar, nesta época o mediunismo já era vigente e os médiuns eram “pontes vivas” entre os plano astral e o plano físico. Se eram “pontes vivas”, segundo suas afinidades e evolução conseguidas, ligavam-se através da sintonia vibratória e moral à Luz ou às Sombras. Muitos deles eram “pontes vivas” entre o plano físico e o plano astral inferior, quando não das Zonas Abismais, com seus ataques vorazes através de seus MAGOS-NEGROS que de todas as formas não queriam, como não querem, a reconstrução da Síntese, pois com Ela não haverá mais ignorância, ódio, competição, poder, que são os alimentos indispensáveis aos MAGOS DA FACE NEGRA.
Então, como dizíamos, BABEL, é claro, não foi uma TORRE que ligaria a Terra aos Céus, no sentido de “ter sido construída uma Torre”. Visava sim ligar o plano inferior ao superior, mas por motivos já aludidos fracassou fragorosamente. Assim, desde aquelas épocas, ficou Babel como sinônimo de anarquia, deturpação, confusão, militarismo, poder, etc. Era a desorganização total. Assim se arrastava naqueles tempos, a humanidade, embora no interior dos Templos Sagrados, orientados por portentosos enviados da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS”, a TRADIÇÃO era velada e cultuada.
Neste momento pode perguntar o Filho de Fé ou leitor amigo: Mas para que deixar-se um CONHECIMENTO INTEGRAL no interior dos Templos, se a humanidade está se digladiando e triturando? Afinal, a LEI DIVINA É PARA UMA PEQUENA MINORIA ELITIZADA OU É PARA TODOS? Ou nesta LEI DIVINA HÁ OS PRIVILEGIADOS?
Bem, Filho de Fé, já disse que a humanidade estava se arrastando e se enlameando cada vez mais nos seus próprios erros, que vinham desde as grandes cisões e desde o surgimento das reencarnações dos “Marginais do Universo” de todos os tempos. Mais uma vez pedimos que redobre sua atenção, Filho de Fé.
Ao permitir que descessem (encarnassem no Planeta Terra) muitos Seres Espirituais delinqüentes, as CORTES DE OXALÁ visavam novos prenúncios a vários Seres Espirituais encarnantes, os quais, através de seus próprios erros, teriam que se soerguer. Para que isso não ficasse tão difícil ou impossível, gerando um círculo vicioso em que novos débitos sempre seriam contraídos, impulsionando-os para maiores cobranças, é que no seio deles surgiram sempre e de maneira muito oportuna os vários “Enviados das Cortes de Oxalá”, os quais procuravam, segundo o alcance médio de entendimento das humanas criaturas, lançar o esclarecimento, a evolução e a Luz para níveis de entendimentos mais refinados, dando-lhes condições para subir novos degraus. Mas se alguns quiseram subir os degraus do entendimento que os libertou, outros, por sua vez, se enlearam ainda mais nos desmandos e desatinos que suas mentes e concepções estreitas ainda pediam, tornando-se joguetes de forças inferiores com as quais se afinizavam e se prendiam em verdadeiras algemas cativas. Enfim, eram escravos de si mesmos, pois a quem vamos culpar por nossos próprios erros?
Mas dizíamos dos “Emissários ou Enviados das Cortes de Jesus ou Oxalá”, que eram por sua vez, a maior parte deles, originários da pura Raça Vermelha, estando radicados na “Confraria dos Espíritos Ancestrais”. Quando encarnados, embora se ligassem aos Templos Iniciáticos, velando a Tradição, também saiam para pregar e ensinar a grande massa humana, e é claro que seus ensinamentos não poderiam ser de pronto sobre a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, sobre o CONHECIMENTO TOTAL. O povo, a grande massa, estava faminta e sedenta de Luzes, mas não se poderia dar a Luz sem os véus, pois a mesma poderia cega-la ou enlouquecê-la. E assim foram feitas adaptações e mais adaptações, visando incrementar a evolução das grandes massas populares nos 4 cantos do orbe terreno. O terráqueo se ergueria, como se erguerá, mas de forma bem suava, que não venha ferir seu conscencional, o que sem dúvida traria graves conseqüências aos seus Organismos mais sutis. Vimos, pois, os Iniciados saírem do Templo; aliás, só tinham entrado para preservar a própria humanidade e não a Tradição, pois a mesma existe em toda a sua pureza e originalidade nos planos mais elevados do Universo Astral, bem distante do ataque ou saque das Forças Negras ou dos Magos-Negros de todos os tempos e locais. Em verdade, os Templos Iniciáticos guardam, velam a Tradição e não escondem para si como monopólio divino ou intelectual, e sim para que não seja adulterada, como já foi quando eram seus fundamentos abertos a todos. As ORDENS INICIÁTICAS ou os TEMPLOS INICIATICOS, portanto, são fiéis depositários da LEI CÓSMICA ou PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, até o momento em que a humanidade, como um todo, esteja preparada e queira evoluir mediante esta. Voltando, dizíamos que muitos INICIADOS saíram do Templo Sagrado, e o ensinamento que deveriam transmitir à grande massa popular carente em todos os setores deveria ser o mais próximo do Real, sendo inteligível a todos os graus de Consciência, tomando-se por base a média de maior ou menor aprofundamento nos ensinamentos. Quando se depararam com Seres Espirituais que entendiam bem o que ministravam, e que perguntavam se não havia algo mais fundo atrás daquelas Verdades, eles, os Iniciados, encaminhavam esses Seres Espirituais ao Templo Iniciático, onde poderiam ser Iniciados dentro de seus graus afins e tornarem-se, em futuro, novos pontas-de-lança das VERDADES IMUTÁVEIS para a grande massa popular. Realmente assim era feito, através de um rigoroso selecionamento. O Iniciando era aceito no Templo e dava curso a sua Iniciação. Observaremos que a finalidade primeira dos TEMPLOS INICIÁTICOS ou ORDENS INICIÁTICAS era e é preparar, através da Iniciação, numa primeira instância, Iniciados que levem à grande massa popular a Luz do esclarecimento, a Luz do Entendimento. Esse ensinamento só pode ser de caráter moral, impulsionando-os ao domínio das torpes paixões e vis sentimentos, que aliás são os responsáveis diretos pelos desatinos e desequilíbrios em que se arrasta a nossa humanidade.
Após a catástrofe da Raça Atlante, os “SENHORES DA CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” incrementaram a evolução através de seus membros integrantes agora encarnados no planeta como verdadeira CONSTELAÇÃO DA LUZ a iluminar e abranger a fúria das Sombras, a aplacar a ignorância que infelizmente assola a humanidade.
Ao aprenderem os aspectos morais que devem ser alcançados, eles se livram das garras dos Seres das Sombras, cortam-se ou anulam-se os “EFEITOS-PONTES” pela falta de sintonia moral e mentovibratória, pela mudança de atitudes e pensamentos. Como os Filhos de Fé podem ver, tudo era feito através de uma profunda ação psicológica e muito mais COSMOLÓGICA. Sim, pois visamos à melhora moral do planeta Terra, nosso COSMO momentâneo. Visa-se acabar com o intercâmbio clandestino das Sombras, que se utiliza de Seres Espirituais carentes e que infelizmente se encontram ignorantes diante desses fatos. Essa ação da Luz nas Sombras não acontece apenas aqui no plano físico, mas muito mais no plano astral, onde ajustam-se e inclinam-se mentes deturpadas para o reequilíbrio e reajuste. Conseguindo-se isto, a reencarnação é o próximo passo, que seguramente será dado.
Então, Filho de Fé, entendeu como a LEI DIVINA ajusta seus filhos caídos? Percebeu que não há privilégios e nem privilegiados? Existem sim a justiça e a misericórdia, aplicadas nas suas mais puras essências.
Assim, caro Filho de Fé, é que desde os tempos longínquos existem as ORDENS INICIÁTICAS, os TEMPLOS, as ACADEMIAS DE DEUS, os SANTUÁRIOS, todos visando incrementar a LEI perdida e de há muito esquecida. Entendemos agora o porquê do ensinamento velado no interior do Templo, o ensinamento HERMÉTICO ou ESOTÉRICO, e o ensinamento MÍTICO ou popular, que como vimos visa atingir as grandes massas, o povo, preparando-o para o futuro não distante em que as REALIDADES se reapresentarão, e todos precisarão estar preparados. É do preparo e das condições desse preparo que se preocupam os “CONDUTORES RACIAIS” ou kármicos da atual humanidade. Para isso, de todas as formas, a LEI tem sido levada às grandes massas populares, tal qual o MOVIMENTO UMBANDISTA DA ATUALIDADE.
Vejamos como desde os mais remotos tempos tem sido tentada e executada a reimplantação da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA no seio das massas populares e quais os entraves de vários matizes que surgiram e surgem para que o processo encontre pleno êxito.
Após a catástrofe da Raça Atlante, os “SENHORES DA CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” incrementam a evolução através de seus membros integrantes agora encarnados no planeta como verdadeira CONSTELAÇÃO DE LUZ a iluminar e abrandar a fúria das Sombras, a aplacar a ignorância que infelizmente assola a humanidade.
Vamos ver nos 4 cantos do planeta, como estrelas cintilantes, os Emissários da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS” tentando iluminar os entendimentos rudimentares e embaralhados da humanidade já corrompida e corroída pelas paixões e bárbaros costumes, os quais cada vez mais faziam com que o planeta abrisse brechas enormes e incontroláveis ao ataque das Trevas. Nesse ciclo vicioso, víamos nossa “casa planetária” transformada em “casa planetária” degenerada, pois às finalidades, às quais se propunha, as de albergar todos os filhos desgarrados do Universo, já não mais estava se prestando, em virtude da grande saturação fluídico-mental, que ocasionaria, como ocasionou, verdadeiras hecatombes e mortes em massa. Era o desatino do homem pagando seu tributo segundo a LEI, que embora seja misericordiosa é limpidamente justa. Foi diante dessas convulsões que vários povos, não mais os Vermelhos, se sucederam no domínio do planeta sempre assaltado pelo terror e discriminações várias, que culminavam sempre em injustas sanções. Entre dominadores e dominados é que veremos surgir GRANDES CONDUTORES, PATRIARCAS, TAUMATURGOS, enfim, GRANDES REFORMADORES, como RAMA, CRISHNA, SIDARTA GAUTAMA (O BUDA), JETRO, ZOROASTRO, LAO-TSÉ, FO-HI, MOISÉS e tantos outros, que vieram preparar a descida de OXALÁ – o CRISTO JESUS. E o que ensinavam todos eles? Ensinavam o BEM como único caminho para a humanidade sofrida e corrompida. E como conseguir este BEM? Com AMOR. E como conseguir o AMOR? Com a educação sobre as COISAS DIVINAS, com a certeza da existência da DIVINDADE, que precisou ser travestida de várias formas para ser aceita pelos diversos graus consciencionais, que ainda hoje em verdade se encontram no planeta.
Nessas fases evolutivas de nossa humanidade, já havia florescido o povo de cútis branca na Europa, bem como todo o Oriente já se saturava de cisões e deturpações várias, o mesmo acontecendo no continente africano.
No continente africano, tínhamos os egípcios, povo remanescente dos atlantes, os quais iluminavam com sua cultura todo o Oriente, para não dizermos todo o mundo. Tinham também, por sua vez, recebido grandes acréscimos dos caldeus, embora não tivessem o alto padrão moral que predominava nos egípcios. Os egípcios tinham no seio de seu povo, como Seres Espirituais encarnados, os Tupy-nambá da pura Raça Vermelha, os quais tinham-lhes transmitido a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA. Os SACERDOTES DE OSIRIS e mesmo os de ÍSIS, com seus Templos famosos, velavam e transmitiam a Tradição ocultada que, como vimos, para eles foi chamada de ITARAÔ ou TARÔ. Foi no seio da civilização egípcia que um de seus iniciados, cujo nome era ASSARSIF, reuniu várias tribos cativas para formar o povo hebreu. E quais eram os ensinamentos de Moisés? Os mesmos de Rama, já que Rama tinha deixado seus fundamentos no Egito, nos Templos de ÍSIS ou YOSHI e nos de OSÍRIS ou YOSHIRÁ. Venerava-se o VERBO DIVINO através do CARNEIRO (AMON-RÁ). Assim, a Tradição no Egito havia sido implantada pelos Tupy-nambá reencarnados, os quais também já tinham reencarnado na Índia e na Europa. O próprio Rama era um enviado da pura Raça Vermelha, haja vista que sua pregação foi toda calcada nas Sínteses ou na Proto-Síntese Religio-Científica, através de seu “LIVRO ESTRELADO”, que velava o AUMBANDAN, que entre os egípcios era o dito TARÔ.
Nesse instante, queremos que os Filhos de Fé vão entendendo como aconteceu o RESSURGIMENTO DO AUMBANDAN. Assim, resumamos esse importante fato.
Na África, encontraremos os egípcios com todo seu acervo religioso-científico calcado na transmissão de seus altos Sacerdotes, que eram reencarnações dos Tupy-nambá (no seio da civilização egípcia). No próprio Egito encontraremos um Alto Sacerdote que aparentemente tinha sido revolucionário, pois reuniu várias tribos e retirou-se para o deserto. Claro que estamos falando de ASSARSSIF, MOISÉS, o qual implantaria a LEI DIVINA a esses povos que mais tarde se espalhariam por toda a Europa, também levando a PALAVRA DIVINA, a LEI – o TORAH.
Anteriormente, na Ásia, Rama já havia firmado uma sólida Tradição que se fundamentaria nas Leis Divinas. Tínhamos pois um movimento que visava ao restabelecimento do AUMBANDAN, ainda velado. Os ensinamentos de Rama eram os mesmos dos egípcios, os quais foram levados à Ásia e também a toda a África. Somos sabedores que a Tradição do Conhecimento – via Tupy-guarany – havia chegado à Índia e às plagas tibetanas, e lá, através das migrações espirituais, refletir-se-ia para o Ocidente, onde em verdade havia surgido. Ensina-se que o povo himalaio refletiu essa Síntese do Conhecimento, isso em sentido figurado, em virtude da “cor branca” do “LAR DAS NEVES” (HYMALAIA) ser refletora da Luz, o que de fato aconteceu através das migrações espirituais para o Egito. Perguntará o leitor atento: - Mas o Egito já não era Guardião da Lei Divina, do AUMBANDAN? Respondemos:
- Sim. Toda a TRADIÇÃO DO SABER, do CONHECIMENTO TOTAL, estava velada, como vimos, nas 78 lâminas Sagradas que compunham o TARÔ, e esse CONHECIMENTO era de curso único e exclusivo aos Iniciados mais graduados ou MAGOS. Rama, por sua vez, além de conhecer em sua pureza a TRADIÇÃO DO SABER, também velou-a através de seu “Livro Estrelado”, de um ensinamento exotérico, público, que atendesse ao entendimento das massas populares. Assim, divulgou um Conhecimento calcado na mais forte e pura TRADIÇÃO DO SABER, que já conjugava as Ciência, Artes, Filosofia e Religiões. Divulgou esse Conhecimento a raríssimos Iniciados, nas ditas “ACADEMIAS DO CORDEIRO OU CARNEIRO”. Assim, tínhamos os LAMAS OU RAMAS como sacerdotes do Cordeiro, precursores do advento do Cristo Jesus e da restauração da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, através de seus discípulos nos mais variados locais do Universo. Além desse Conhecimento que ficou concentrado nos COLÉGIOS DE DEUS (ORDENS INICIÁTICAS), tivemos uma popularização desses mesmos Conhecimentos através de CRISHNA, o qual transmitiu as grandes verdades de forma alegórica, para que atingissem mais o coração e os atos das massas populares. A par disso, tivemos grandes variedades de cultos com seus panteões de deuses e deusas, tão bem retratados nas diversas mitologias.
As Ordens Sagradas seriam as formadoras do sacerdócio organizado e fonte de conhecimentos em que a humanidade beberia, segundo as épocas e os diversos graus de entendimento ou consciencionais. Nessas épocas, as filiações templárias eram as guardiães do Saber, principalmente na ORDEM DE MELCHISEDEC, a qual era também denominada a ORDEM DE RAMA, e seus sucessores e adeptos.
Dizemos das filiações, pois muitos filiados Iniciados da Ordem é que foram os vanguardeiros dessa Tradição do Saber nos 4 cantos do Universo. Era a ORDEM DE MELCHISEDEC que reunia as várias Sínteses que havia no Oriente, na África, etc. Na Europa, ficaria conhecida como ORDEM DÓRICA, a ORDEM DO PRINCÍPIO UNO – DA UNIDADE DO CONHECIMENTO – DO ESPÍRITO DE TODAS AS COISAS. Por isso chamam-na de ORDEM DO PRINCÍPIO ESPIRITUAL, SOLAR, DIREITO, MASCULINO, SINÁRQUICO, DA NÃO VIOLÊNCIA, etc., ao contrário da ORDEM YÔNICA, que combateu a ferro e a fogo a Ordem Dórica, muito principalmente através do CISMA DE IRHSU, na Índia, há 60 séculos mais ou menos. Combateu e aparentemente destruiu a Ordem de Melchisedec, ou Ordem Dórica. A Ordem Yônica pregava o contrário da Ordem Dórica, isto é, seu princípio era o NATURAL ou do CONHECIMENTO FRAGMENTADO, da HETEROGENEIDADE e DESTRUIÇÃO DO CONHECIMENTO. Por isso foi chamada de Ordem que venerava a Natureza e repudiava o Espiritual. Necessário que fique bem claro que, a princípio, eles repudiavam o Conhecimento Integral, a Síntese do Conhecimento, sendo que posteriormente começaram a repudiar o Princípio Espiritual. Temos assim que a Ordem Yônica de YONÁ (POMBA – representação da natureza feminina) – pregava o PRINCÍPIO DA NATUREZA como princípio de tudo. Era pois LUNAR, FEMININA, ESQUERDA, ANÁRQUICA E MILITARISTA. Fica claro que a Ordem preconizada por Rama era Dórica, ou seja, a mesma da pura Raça Vermelha, da qual encontramos vestígios nas construções arquitetônicas do BARATZIL e de outros locais em que a Raça Vermelha também firmou seu conhecimento, tal como os quíchuas, maias e mesmo no Egito. Era uma Ordem essencialmente teocrática, ao contrário da Yônica, que era essencialmente “naturocrática”. Rama e sua Ordem, firmada em toda a sua pureza no Egito, era essencialmente MONOTEÍSTA, como era MONÍSTA a Síntese de seu Conhecimento. A Ordem Iônica era POLITEÍSTA, PANTEÍSTA, e já NÃO MAIS MONISTA, pregando a diversidade e separação do Saber. Bem, acreditamos que o caminho que traçamos até agora nos levará aonde queremos chegar. Queremos chegar ao RESSURGIMENTO DO VOCÁBULO AUMBANDAN e ao SURGIMENTO DO MOVIMENTO QUE VISA A RESTAURAÇÃO, em sua totalidade, da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA – a TRADIÇÃO DO SABER INTEGRAL – a RELIGIO VERA. Para delinearmos a trajetória final de nosso caminho, precisamos remontar a Moisés e dele partir com clareza ao encontro do Movimento Umbandista.
Dizíamos que Rama havia velado no Templo a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, enquanto Crishna velava a PROTO-SÍNTESE, mas dava um ensinamento popular através do mito e do véu deliberadamente colocado sobre certos pontos-chave. Moisés também fé-lo da mesma forma, só que popularizou certos aspectos da PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, transmitindo-a através de um inflexível MONOTEÍSMO. A Divindade Suprema em verdade não era pronunciada, e somente muito tarde é que denominaram-lhe de YEOVAH ou JEOVAH. Em verdade, o que Moisés velava no seu YEOVAH (babilônico) ou YAHUAH (sânscrito bramânico) eram os quatro pilares em que se apoiava o Conhecimento Humano; era o seu Tetragrama Sagrado EVE-I, que também pódia ser representado pelo X algébrico, ou segundo o alfabeto vatânico ou devanagárico (alfabeto originado do Abanheenga, que como vimos grafava a fonetização dos objetos e seus fenômenos, ou seus sons, através da onomatopéia) pelo K (qualitativo e quantitativo – o que acoberta, o que vela – o numeral 20).
Assim, o EVE-I de Moisés era a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA, era o MONISMO DO CONHECIMENTO, o dito depois MONOTEÍSMO. EVE-I era e é a CIÊNCIA, a FILOSOFIA, a ARTE e a RELIGIÃO. Moisés preparou uma nova fase para o planeta. Preparou, sem dúvida, o advento do MAGO DOS MAGOS, do REI DOS REIS – o SENHOR E AUGUSTO OXALÁ – O CRISTO JESUS.
A vinda de JESUS, sem dúvida, foi um grande marco evolutivo para o planeta Terra. A sua vinda foi preparada durante milênios. Assim como outros da HIERARQUIA CRÍSTICA, sua descida foi marcada por grandes convulsões mesológicas, além das de caráter moral e essencialmente espiritual. JÁ DISSEMOS QUE O CRISTO CÓSMICO É O VERBO DIVINO EM QUALQUER PLANO OU “CASA CÓSMICA” NO REINO NATURAL OU UNIVERSO ASTRAL. ESSE CRISTO CÓSMICO, ATRAVÉS DE SUA HIERARQUIA, ENVIOU-NOS O CRISTO JESUS COMO SENHOR DO PLANETA TERRA, como tutor máximo de nossa “casa planetária”, a qual guarda nos Céus o Símbolo Cosmogônico de sua missão e compromisso redentor sobre o planeta e sua humanidade cósmica. Assim, o Cristo Jesus nasceu no seio do povo hebreu, pois havia sido o único a levar em caráter popular o MONOTEÍSMO, um grando avanço para a humanidade que vivia se arrastando e subjugando-se a deuses sanguinários e inimigos do homem, bem como de outros seus iguais – (outros deuses). Deveu-se também o nascimento de Cristo Jesus – YOSHI (YESHUA) ou YOSHILA – NO SEIO DO POVO HEBREU POIS O MESMO CUMPRIA FORTE Tradição, começando pelo seu nome, que era diferente do preconizado pelos sucessores de Moisés (EMANUEL), os quais já também achavam-se o povo escolhido de Jeovah ou da Divindade Suprema, sendo possuidores de feroz orgulho, vaidade e egoísmo destruidor, que infelizmente até hoje se estendem no seio desses amados Filhos de Fé tidos como judeus – semíticos. “Judeus” sim, mas “semíticos” é inverídico, pois o povo que saiu com Moisés do Egito era descendente dos Celtas. Em boa hora é bom que frisemos que quando Moisés esteve no Monte Sinai, em verdade transcreveu a Tradição em placas, em petróglifos, de forma a oculta-la.
Mais tarde, conforme consta de forma alegórica nas ditas Sagradas Escrituras, essas placas foram destruídas, e Moisés transmitiu às massas populares o ensinamento de caráter externo, exotérico, na forma dos chamados 10 MANDAMENTOS. Claro está que o que era guardado na ARCA eram as 78 placas já escritas em Aramaico. Tanto é verdade que a dita Arca era cercada por verdadeiros elementos naturais que produziam elementos ígneos, os quais contundiam os usurpadores com curiosos encantos 0 o fenômeno era o da eletricidade estato-dinâmica, que por Moisés era conhecida. Após citarmos o GRANDE REFORMADOR e CONDUTOR DO POVO HEBRAICO, retornemos ao apostolado do Senhor Jesus, nosso Oxalá, o qual não mediu esforços para que a Religio Vera fosse reimplantada, pois o Augusto Senhor disse em voz lirial e humilde – “EU NÃO VIM DESTRUIR A LEI E NEM OS PROFETAS, MAS SIM CIMPRI-LOS”. Com isso afirmava-nos o Mestre Jesus, “Pai Oxalá”, que desde há muito Seus “Enviados” já tinham preconizado a LEI DIVINA, e Ele só vinha cumpri-la, já que a mesma, na época, havia sido postergada em seus valores morais-espirituais, ficando ao bel-prazer dos Sacerdotes politiqueiros e interessados em projetos pessoais e na ganância do vil metal. Já haviam sido e ainda seriam “pontes vivas” dos mais baixos e torpes desejos, tãop comuns aos Seres Espirituais ligados ao submundo astral ou ZONAS CONDENADAS ABISMAIS, os quais, através da cristalização no MAL, não reconhecem o Cordeiro Divino como o Verbo Sagrado, e sim o DRAGÃO como seu Mestre. Por tudo isso é que o Mestre Jesus, Pai Oxalá, O Verbo Divino simbolizado pelo Sol, vei resgatar as deturpações, cisões e amalgamações que já estavam cristalizadas no Planeta Terra. Com a passagem vibratória de Oxalá pelo planeta Terra, inclusive em suas Zonas Subcrostais, há mais ou menos 2.000 anos, deu-se forte influxo para a mudança da mentalidade do homem futuro. A PAZ, o AMOR, a JUSTIÇA, a VERDADE, o PERDÃO, a FRATERNIDADE e a IGUALDADE, são os portentosos VOCÁBULOS-LUZ que iluminariam e iluminarão a humanidade. Bem poucos de seus ensinamentos foram aprendidos, e infelizmente quase todos esquecidos. Passaram-se os tempos e os mesmos desvios de sempre, o orgulho, a vaidade e o egoísmo continuaram fazendo do homem um ser primitivo, distanciado da “COROA DIVINA”. Impérios e mais Impéros surgiram e surgem. Os ROMANOS, antes de Cristo e após, tiveram tudo para unificar o mundo, mas perderam a oportunidade, calcados que estavam no orgulho e egoísmo destruidor que lhes trouxe a morte e a destruição de sua civilização. No pensamento helênico tivemos grandes Almas, mas que não encontraram eco num povo que estava mais interessado nas guerras fratricidas entre espartanos e atenienses e na sua pseudocultura. A Ásia desarticulada desde o CISMA DE IRSHU não foi diferente dos povos latinos e gregos, encolhendo-se na sua dor e passando a viver de per si.
Os africanos, completamente dominados, encontravam-se já em plena e total decadência, mormente os povos de pele negra, cuja origem sem dúvida é a Ásia. Incursionaram para a África, onde foram poderosos em suas civilizações, adiantadíssimos em plena Era da Raça Vermelha. Pregaram a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA que haviam recebido dos povos de pele vermelha, através dos egípcios. Quando receberam esses Conhecimentos, muitos de seus Sacerdotes velaram e guardaram a Tradição, e para os que entravam em processos iniciáticos era Ela proferida ORALMENTE. Com o decorrer do tempo foi corrompida, deturpada e completamente esquecida. Para que fique bem claro, mais avante em nossos apontamentos diremos que os BANTOS atuais foram os que tiveram contato com os egípcios, sendo que os YORUBANOS ou SUDANESES tiveram contatos também, mas muito mais com povos iranianos – e já MUÇULMANOS.
Sua teogonia não é original, é um totemismo calcado em mitos milenares dos egípcios, caldeus, hindus e outros povos. Não vejamos aqui algo de inferior ou “retaliações”. Podemos entender como uma tentativa de reencontrar a Síntese perdida, o que é verdade, pois os grandes condutores da Raça Negra de há muito vêm lutando para incrementar em seu povo um sentimentos de unidade e reconstrução do Conhecimento, que por ora está no CULTO DO ORIXÁ, no CULTO DOS ANCESTRAIS (Eguns) e na ilusão de ligarem-se à ESSÊNCIA DO ORIXÁ, nas ditas “feituras de cabeça”, com seus rituais ainda que simples, mas perigosos por se aproveitarem de “entidades inferiores do Astral”, que ficam como que vampirizando o dito “Filho de Santo” ou “Yaô” que passou pelo ritual de um simples OGBORY ou BORY, ou seja, a “FEITURA TOTAL DA CABEÇA”, termo inapropriado pelo menos para os rituais que se fazem na atualidade. Sobre isso falaremos pormenorizadamente no capítulo “Umbanda e suas ramificações atuais”. Aliás, fazem parte do abarcamento que o Movimento Umbandista irá processar. Bem, após citarmos por alto o povo africano, citemos o povo amarelo, o qual tem fortes Tradições filoespirituais, mas que atendem ao estreitismo racial que lhes é peculiar. Não olvidamos a Sabedoria de um FO-HI, de um LAO-TSÉ, a pureza de SIDARTA GAUTAMA – o BUDA – e nem também o VEDANTISMO, o BRAMANISMO e as fontes YOGUES. Todas, sem exceção de uma sequer, são merecedoras de nossa mais alta estima e compreensão, e muito estamos fazendo nós, Seres Espirituais astralizados, para que o povo amarelo reencontre a Síntese, e reencontrará, pois seus condutores no Astral já se filiaram às “ORDENS DAS SANTAS ALMAS DO CRUZEIRO DIVINO”, onde renasceu o possante VERBO-LUZ, a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA – o AUMBANDAN. Aguardemos e vibremos por todos. A Raça Branca, dita CRISTÃ, ainda se arrasta no convencionalismo do CULTO EXTERIOR, em desacordo com os ensinamentos de Oxalá, o Cristo Jesus. Os desregramentos iniciaram-se quando houve a separação judeu-cristã. Ainda hoje vemos vários cultos, alguns não conscientes de seus compromissos para com seus fiéis, dizerem-se cristãos e atacarem-se uns aos outros. Ficamos a pensar se o Cristo Jesus, nosso Oxalá, traria realmente a ESPADA e a DISSENÇÃO, pois é isso que exemplificam a todos esses pobres Filhos de Fé. Um dia eles amadurecerão, a morte tirar-lhe-á os véus. Sabe Deus quantas mortes despertadoras precisarão? Sabe quantos nascimentos necessitarão para acordar? Que misericórdia do Senhor Jesus, Oxalá, abençoe-os e nos dê forças para guia-los na linha justa do verdadeiro cristão.
Se a Igreja Católica Apostólica Romana se propuser a ser Católica Universal, que o seja, lidere e pastoreie seu rebanho, que infelizmente está “doente”. No entanto, infelizmente, seus pastores também foram infectados pelas doenças, tornando-se os mais necessitados de auxílio e medicação espiritual. Assim, o grande rebanho católico está acéfalo, em virtude da contaminação de seus pastores com as doenças de seus rebanhos. Ergamos o católico, é nosso Filho de Fé, é irmão em Oxalá. Vibremos por novos dias mais límpidos e brilhantes para o clero romano e seus rebanhos.
Se citamos o católico romano, que é merecedor de nossa simpatia e afeto, não poderíamos deixar de citar as “religiões de cultos reformados”, o PROTESTANTISMO, em toda a gama de cultos que o compõem. O grande Lutero, assim como Calvino, foram espíritos abnegados, que de forma contundente dissociaram e cindiram a Igreja Católica, sendo fundadores de cultos cristãos melhorados, embora distantes, da real pureza do primitivo cristianismo. Todas as demais derivadas cristãs, ligadas ao ensino da Bíblia, tanto no Velho como do Novo Testamento, não cogitam e até discutem sério quando lhes falam de reencarnações e de outros fenômenos que para muito breve serão explicados pela Ciência oficial. No século XIX, sem dúvida, tivemos uma grande revolução nos cultos ou seitas tidas como cristãs. Veio-nos da Europa, da França, a “CODIFICAÇÃO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS”, através das IRMÃS CROOKES, por ALLAN KARDEC. Interessante que, segundo nossa humilde contribuição à coletividade umbandista da atualidade, já expusemos que o poderio da Raça Vermelha tinha se estendido à Índia através das migrações espirituais dos Tupy-Guarany, o que dá a pensar do porquê do pseudônimo “ALLAN KARDEC”, que é de origem hindu. Claro que Allan Kardec, assim como disse Jesus, “não veio destruir a LEI e nem os profetas, mas sim cumpri-los”. E foi o que fez, através de um trabalho de compilação e de caráter externo, visando o soerguimento moral da grande massa que se arrastava presa a conceitos estáticos sobre nascimento e morte, reencarnação, mediunismo, planos de evolução e Lei Kármica (por ele chamada de causa e efeito). O Corpo Astral foi identificado para esses cristãos novos e outros que se diziam cristãos. Chamam o Corpo Astral de PERISPÍRITO. A Lei das Conseqüências, a Lei das vidas sucessivas para evoluirmos, a negação da condenação eterna, a infinita misericórdia dos Prepostos de Jesus e a aplicação correta dos Evangelhos de Jesus formam a base de todo esse sistema filorreligioso-científico chamado KARDECISMO. No GOVERNO DO MUNDO surgiu o Kardecismo, não como uma nova revelação, mas sim como uma compilação popular, para a grande massa, dos conceitos que acima expusemos.
Faz parte dele, assim como outros, pregar com veemência e cristalinamente que a MORTE NÃO EXISTE. Viver, nascer e morrer são fenômenos tão necessários quanto salutares ao Espírito, que necessita evoluir, caminhar para novos rumos.
Claro que os “SENHORES D’ARUANDA” não iriam abrir espaço vibratório para mais um inócuo e inprofícuo sistema filorreligioso. Esse sistema, na verdade, vislumbrou de forma ainda empírica a necessidade da PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA, veio preparar o advento do AUMBANDAN na TERRA DA LUZ – o BARATZIL. Assim, vimos que o Kardecismo veio despertar a Alma indolente para as realidades da vida que a aguarda, relembrando-lhe que a vida é eterna e que cada um colhe o que semeia. Iniciou-se o RELIGARE VERDADEIRO. Esse movimento teve e tem o controle direto da “CORRENTE DAS SANTAS ALMAS DO CRUZEIRO DIVINO”. Bem, Filho de Fé, estamos bem no âmago de nosso caminho, através do qual chegaremos frente a frente com a SAGRADA CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA, através de seu Movimento e do ressurgimento do vocábulo sagrado AUMBANDAN..
Estamos no final do século XV e no limiar do século XVI. A possante Europa da época era dominada por dois grandes povos da PENÍNSULA IBÉRICA – Portugal e Espanha.
Na época, tanto os lusitanos como os espanhóis disputavam a hegemonia nas grandes conquistas, fazendo-se exímios comerciantes, tal qual eram em tempos idos os fenícios, os quais estavam reencarnados no seio das nações portuguesa e espanhola. Visando a uma expansão marítima, claro que orientada por digníssimos e elevados mentores da “CONFRARIA DOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS”, os portugueses alcançaram em 1500 as costas brasileiras. Deu-se nesse instante um verdadeiro “balanço cósmico”, em que se reuniram novamente os povos. O BARATZIL seria um mini-Universo, albergaria brancos, negros, vermelhos e amarelos, e assim aconteceu. Não demorou quase nada para que muitos cativos em suas próprias Pátrias fossem trazidos até nós, como os africanos – negros escravos. O branco tinha domínio sobre o negro e sobre o índio degenerado, e através de algemas pesadíssimas, do ponto de vista astral, negros e vermelhos se reuniram, visando opor resistência ao agressor, ao algoz, ao povo da Raça Branca. Em favor da monocultura do café, da cana-de-açúcar, nos ditos engenhos, o branco sacrifica e animaliza seus irmãos de pele negra, passando a vê-los e trata-los como subhumanos. Momentos terríveis viveu a Terra da Cruz. Dores atrozes, sentimentos destruídos, sangue derramado, ódio consubstanciado na agressão de todas as formas.
O ressurgimento do vocábulo AUMBANDAN estava prestes a eclodir. Antes vejamos como foi precipitado esse momento em sua acepção externa.
Na tormentosa escravatura, em pleno século XVI, neste BARATZIL, Terra da Cruz, os africanos aportados aqui, em comunhão com o indígena nativo (degenerações dos Tupy-nambá e Tupy-Guarany), firmaram na luta pela liberdade os seus sentimentos e desejos, através de seus ritos religiosos-mágicos degenerados.
Dessa fusão surgiram e permanecem até os nossos dias os mais variados ritos, os quais refletem os sentimentos e ideais de seus “fundadores” na época. Nem todos com ideais e sentimentos nobres. Muitos deles com sentimentos de ódio e vingança, que se consubstanciaram em rituais pesados, com um baixíssimo sistema de oferendas (solidificação de elementos vibratórios para que seja movimentada a magia).
Esse sistemático conflito racial, que perdurou até no Astral, fez com que os TRIBUNAIS PLANETÁRIOS resolvessem incrementar sobre essa coletividade em litígio um Conjunto de Leis Regulativas que viriam discliplinar os rituais nefandos e retrógrados que eram vigentes na época. Em poucas palavras, assim surgiu o Movimento Umbandista.
Neste momento, queremos frisar que o escravagismo, bem como o massacre aos indíginas não foi somente praticado no Brasil. Interessante ressaltar que nos EUA, Cuba, Haiti e outros, também tivemos a escravatura, e por essas plagas o vocábulo UMBANDA não surgiu. Como se explica esse fato? É o que tentamos explicar até agora em nosso humilde trabalho. Isso se deveu à supremacia da Raça Vermelha, a qual tinha se radicado no astral brasileiro, onde teve início o processo reencarnatório no planeta Terra. Como o vocábulo AUMBANDAN, ou seja, a PROTO-CSÍNTESE CÓSMICA, aqui tinha sido revelado, aqui mesmo ressurgiria, e ao ressurgir teria de vir como sendo bandeira, a priori, de um movimento que atingisse as grandes massas populares que aqui no Brasil, por motivos vários, se encontravam em litígio. A oportunidade era inadiável. Aproveitar-se-ia para lanças no seio da grande massa o vocábulo AUMBANDAN, que serviria de escopo para a formação de um sentimento inter-racial uno, acabando com os conflitos entre Seres Espirituais irmãos, independentemente da vestimenta cutânea que usassem. Outrossim, o Baratzil, como vimos, é a Terra predestinada a ser o celeiro espiritual do mundo, a Pátria Universal, a Pátria Uma, onde todos os povos se reuniriam. Também seria o local onde a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA ressurgiria, aproveitando-se da ocasião de discórdias raciais tanto no plano físico, como no astral inferior. Assim somos forçados, desde já, a entender o que se pratica hoje, generalizado como UMBANDA (AUMBANDAN – nem se cogita do termo, a não ser raríssimos Filhos de Fé Iniciados), seria melhor denominado MOVIMENTO UMBANDISTA, O QUAL VISA FAZER RESSURGIR OU RESTAURAR O AUMBANDAN. Mas, para que isso seja conseguido, tem e terá de fazer a união racial em nossa terra, a qual é predestinada a ser o CORAÇÃO ESPIRITUAL DO MUNDO.
Estamos muito longe do AUMBANDAN revelado aos Seres terrenos pelos Condutores da pura Raça Vermelha, a qual ainda hoje, no Astral, detém esse direito que através do Movimento Umbandista é exercido de fato, em participação com Seres Espirituais que se radicaram nas Raças Negra, Amarela e Branca. É A CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA UMA CONFRARIA QUE REÚNE OS ANCESTRAIS DO PLANETA TERRA, SERES ESPIRITUAIS QUE, EM PRIMITIVAS ERAS, FORAM OS GRANDES CONDUTORES DAS RAÇAS QUE POR AQUI PASSARAM, EM ESPECIAL DA RAÇA VERMELHA E DOS TRONCOS RACIAIS DELA ORIGINADOS. Tal é o estágio evolutivo em que se encontram, que hoje muitos desses Seres Espirituais formam uma Corrente diretamente ligada às Cortes de Oxalá, o Cristo Jesus, constituindo o GOVERNO OCULTO DO PLANETA TERRA. Ela própria, a UMBANDA, encerra a Verdade Universal sintetizada na PROTO-SÍNTESE CÓSMICA. Muitos de seus mais altos expoentes e militantes são ligados à “CORRENTE DAS SANTAS ALMAS”, a qual é de ação e execução das LEIS DIVINAS no Planeta Terra. A própria palavra UMBANDA, como ficou conhecido o AUMBANDAN, pode ser traduzida como “CONJUNTO DAS LEIS DE DEUS”. Portanto, em sentido oculto, a UMBANDA não é apenas um sistema religioso, mas sim a própria LEI DIVINA, origem de todos os sistemas religiosos, filosóficos, científicos e artísticos de todos os tempos, motivo pelo qual, como já dissemos e repetimos, é a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, que encerra em si a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA.
Reavivando a memória dos Filhos de Fé e dos leitores amigos, resumamos: Em primitivas eras, os conhecimentos e concepções que direcionavam a vida e a evolução da humanidade eram plenamente integrados entre si e consoantes à LEI DIVINA, constituindo a dita PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CINETÍFICA. No entento, através dos tempos, esses conceitos foram fragmentados, deturpados e perdidos, permanecendo vivos apenas no seio das Confrarias Espirituais do mundo astral, ou seja, no seio da própria Corrente Astral de Umbanda, e também em raríssimos Templos ou Ordens. Eis o porquê de dizermos que essa Corrente é a Guardiã dos Mistérios que encerram a VERDADE UNIVERSAL. Como dissemos, a CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA constitui o GOVERNO OCULTO DO PLANETA TERRA. Dessa forma, ela achou por bem lançar mão de um Movimento que viesse restaurar gradativamente esses conceitos, fazendo a humanidade retomar um caminho evolutivo o mais reto e seguro possível. Assim, tivemos o ressurgimento do vocábulo AUMBANDAN, adaptado como UMBANDA, e o surgimento do Movimento Umbandista, ocorrendo o mesmo no Brasil.
O surgimento da Umbanda ou Movimento Umbandista em terras brasileira certamente não se deve ao acaso. Vimos que o Brasil é o berço da primitiva Síntese. Logo, nada mais natural que seu ressurgimento ocorra no local de sua origem, principalmente porque aqui se encontram plasmadas as condições astrais mais propícias para tal. Assim, as Entidades integrantes da Corrente Astral de Umbanda foram, aqui e ali, através de seus veículos mediúnicos (médiuns), lançando as bases do MOVIMENTO UMBANDISTA, QUE NUMA PRIMEIRA FASE VISA ABARCAR O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS NO MENOR ESPAÇO DE TEMPO POSSÍVEL DEVIDO AO RÁPIDO CRESCIMENTO DO MOVIMENTO, O QUE REALMENTE ERA ESPERADO, O MESMO SE DEU DE FORMA APARENTEMENTE DESORDENADA, ORIGINANDO CERTAS CONFUSÕES QUE DEVEM SER CONSIDERADAS ATÉ CERTO PONTO NATURAIS E MESMO NECESSÁRIAS, DEVIDO À NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO AOS DIFERENTES GRAUS DE ENTENDIMENTO QUE O MOVIMENTO UMBANDISTA PRETENDE ABARCAR. Outros fatores também colaboram para que ocorra essa desorganização, sendo alguns deles bastante perniciosos, originários da atuação das correntes do baixo mundo astral que, como vimos, pretende criar uma forte oposição ao ressurgimento da UMBANDA.
Após essas ligeiras elucidações, queremos citar como na realidade humana aconteceu o Movimento Umbandista, já que de ordem astral já explicamos. Aqui nas terras brasileiras, tínhamos observado a miscigenação de cultos, que atendiam aos anseios raciais afins. Já vimos como e por que tivemos a união de cultos e ritos, e nessa mistura, embora aparentemente deturpada, estávamos nos aproximando do surgimentio do Movimento Umbandista. A par da miscigenação entre “vermelhos” e “negros”, ou melhor de seus resquícios religiosos e místicos, tivemos a influência do branco através do catolicismo e logo a seguir do Kardecismo.
Note, Filho de Fé e leitor estudioso, que a miscigenação de cultos propiciou uma miscigenação cultural e até racial, também prenunciando a RAÇA UNIVERSAL FUTURA. Essa é uma das funções primeiras da CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA, através de seu Movimento atual, o qual abarca a todos independentemente da cor, credo ou raça. Com as raças já delineadas, dentro do Movimento Umbandista, não podemos nos esquecer de nossos Filhos de Fé ligados aos cultos de nação africana, vulgarmente chamados CANDOMBLECISTAS, ou seja, adeptos dos Candomblés. Todos esses Filhos de Fé são merecedores de nossas mais altas expressões de carinho e respeito, mas devem procurar suas verdadeiras raízes, pois tanto falam em manter a Tradição e a cultura negra, que se fizerem uma pesquisa aberta e honesta, com toda isenção de ânimo, verão que de há muito seus fundamentos já estão deturpados, sendo que os mesmos, em sua total pureza, já eram de conhecimento de caldeus, egípcios e hindus, esses principalmente no que se refere ao mito e fetichismo que ficou arraigado nesses Filhos de Fé ligados aos cultos de nação africana. Isso para não irmos mais longe, pois em verdade beberam um dia as Verdades Universais reveladas pela Raça Vermelha, para depois, assim como outras raças, deturparem completamente os fundamentos verdadeiros da PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA.
Assim, precisamos muito lentamente orientar esses Filhos para alcançarem novos patamares da evolução e afasta-los do atavismo espirítico que os persegue há milênios.
No capítulo “UMBANDA E SUAS RAMIFICAÇÕES ATUAIS”, mostraremos como podem esses Filhos de Fé, que mais uma vez afirmamos – não estamos criticando, e sim buscando ajuda-los – erguerem-se cada vez mais. Faremos no capítulo dito acima um completo apanhado de um culto que se adapta muito positivamente aos filhos ligados aos cultos de nação africana em suas várias nações. Assim, o Movimento Umbandista da atualidade se preocupa com todos os filhos terrenos, e muito especialmente com os Filhos de Fé ditos como adeptos dos CULTOS AFRO-BRASILEIROS. Em uma fase futura do Movimentos Umbandista, buscaremos novos objetivos que, não obstante, hoje já são supervisionados por Seres da CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA.
Dando seqüência a nossa conversa, falaremos como realmente surgiu o Movimento Umbandista. Por ordens das Cortes de Jesus, através de Seus Prepostos, o mediunismo já invadira os cultos deturpados e miscigenados entre os indígenas e escravos africanos, quando por volta de 1889, aproveitando-se de uma forma de governo mais justa, que iniciava sua peregrinação no Brasil, o vocábulo UMBANDA foi lançado em vários pontos do país. Foram pontos luminosos que, nas Sombras em que estavam, logo chamaram a atenção, e sem perda de tempo iniciaram a árdua tarefa.
A princípio, usamos médiuns que foram nossos discípulos em longínquos tempos, ainda aqui no Brasil, fato que hoje, embora raríssimo, ainda ocorre. Assim, iniciamos com o poderoso vocábulo UMBANDA, que hose serve de Movimento abarcador a milhares de Consciências. Amanhã o Movimento Umbandista há de restaurar o AUMBANDAN – a PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, que sem dúvida trará à toda humanidade terrena a Evolução Cósmica semelhante a outras “casas planetárias” felizes e luminosas.
Continuando nossa conversa, dizíamos que vários pontas-de-lança do Astral e mesmo encarnados lançaram o vocábulo UMBANDA em torno de 1889 e vale ressaltar que esse vocábulo foi lançado, em geral, em locais pouco freqüentados. Quando não, diziam as Entidades atuantes que Umbanda era um Movimento novo que iria se espalhar por todo o Brasil,
trazendo esperança, secando as lágrimas, espargindo compreensão e amor, acendendo a Fé, centelha divina que de há muito se apagara em muitas infelizes criaturas humanas. Aí iniciou-se o Movimento silencioso mas contínuo da LUZ contra as SOMBRAS, dos MAGOS DA FACE BRANCA contra os MAGOS DA FACE NEGRA. O Mal já tinha encontrado o Bem, e com o mesmo disputava a supremacia das Almas. Ontem como hoje vem perdendo terreno; a Luz chegando, obviamente, dissipa as Sobras e as Trevas.
Foi assim que, desde 1889, Falanges e mais Falanges de integrantes da Corrente Astral de Umbanda começaram a tarefa saneadora. Como veremos no próximo capítulo, quando citarmos as 7 VIBRAÇÕES ou LINHAS DE FORÇA ESPIRITUAIS que compõem a UMBANDA, valorosos e indômitos GUERREIROS CÓSMICOS em favor da Paz já haviam soado seus clarins, anunciando a todos sua chegada, bem como convidado a todos para a grande tarefa regeneradora que se faria no planeta Terra, iniciando-se pelo mini-Universo, o BARATZIL. Estamos falando da 1ª VIBRAÇÃO ESPIRITUAL a descer do Astral em seus “cavalos” (médiuns), a Vibração de OGUM, que trazia em seu termo de identificação, que é VIBRADO e SAGRADO, no sufixo, o fonema “UM”, de UMBANDA. Assim as Vibrações harmoniosas de OGUM e sua corrente contagiosa de fé, pelos novos conceitos vieram derramar-se sobre toda a coletividade afim aos cultos ditos e havidos como afro-brasileiros. Citando-se OGUM, não poderíamos deixar de citar um grande enviado de OGUM, a Entidade CABOCLO CURUGUÇU, que preparou vários e vários anos o advento primeiro do CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS, também da Vibratória de OGUM, que atuaria nas grandes massas populares visando tornar popular o termo UMBANDA e o culto apregoado por esse portentoso enviado de OGUM. Também o CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS veio trazer aos humildes do corpo e da alma um ritual de fácil assimilação, e que de alguma forma os fizesse ascender os degraus evolutivos. Muito lutou com seu “cavalo” exemplar, o filho ZÉLIO FERNANDINO DE MORAIS, para implantar já naquela época, 1908, a UMBANDA sem as deturpações dos Filhos de Fé arraigados a níveis vibratórios inferiores, que estavam ligados ao hábito infeliz do sacrifício de animais de duas ou quatro patas, para homenagear ou mesmo ritualisticamente saudar seus Orixás. CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS lançou a semente, ajudado por ORIXÁ-MALÊ, outro portentoso emissário da Luz para as Sombras da Faixa Vibratória de OGUM, já no plano mais terra-a-terra. Não poderíamos esquecer do poderosíssimo e sumamente sábio, mas não menos humilde, PAI ANTÕNIO. Não queremos citar outros nomes, pois não seria justo esquecermos uma plêiade de colaboradores, tanto do nosso lado como do lado dos Filhos de Fé encarnados. Nosso sincero e profundo respeito ao CABOCLO CURUGUÇU e sua portentosa Corrente Cósmica. Nosso Sarava à Falange do CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS, que preparou por cima vários médiuns que seriam vanguardeiros das Verdades Imutáveis que seriam trazidas como chaves de doutrina e manancial filosófico, científico, religioso e artístico, onde a UMBANDA, em sua parte Iniciática, beberia de seus Fundamentos, transmitindo-os futuramente a outros. Dizemos assim que CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS preparou por cima, no Astral, o advento do PAI GUINÉ, sapientíssimo e poderoso MAGO DA LUZ, que junto com seu aparelho mediúnico, o filho W.W.DA MATTA E SILVA, remodelaram os conceitos sobre o MOVIMENTO UMBANDISTA, bem como lançaram sementes riquíssimas em sua essência, a qual visa ao ressurgimento do AUMBANDAN – a PROTO-SÍNTESE RELIGIO-CIENTÍFICA. Nas obras escritas pelo PAI GUINÉ, encontramos não sòmente o lado popular da Umbanda; nelas, encontraremos também o lado esotérico, iniciático, selecionado, que sem dúvida há de preparar Sacerdotes conscientes, bem como dirigentes de verdadeiras Casas de Umbanda. Muitos Filhos de Fé perguntarão: Há alguém que ainda siga os ensinamentos do CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS?
Responderemos que, na sua pureza, não. Isso porque nada na Umbanda, ou melhor, no Movimento Umbandista, é definitivo. Sempre há novos véus a serem desvelados. Assim, diremos que, se o CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS baixasse hoje em algum médium, daria como fundamentos os mesmos dados pelo PAI GUINÉ, e só.
Ao término de nossa conversa com você, Filho de Fé e leitor amigo, queremos que fique registrado em sua Alma nossa vibração de PAZ e AMIZADE ETERNA.
É, Filho de Fé e leitor amigo, a amizade é uma bênção que “CABOCLO” gosta sempre de cultivar, e somente pela amizade sincera, Filho de Fé, você terá para sempre seu mentor espiritual. Mediunidade talvez seja aquilo que costumamos falar com nosso “cavalo”: DIMENSÃO-AMIZADE !
Continua
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